Data center do TikTok no Ceará começa a operar em 2027, diz Omnia
Iniciada no último mês de janeiro, a obra já está com a etapa de supressão vegetal concluída.
O data center do TikTok no Ceará deve iniciar operação em julho de 2027, com a conclusão do primeiro módulo do empreendimento no
Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).
O projeto prevê dois data centers, cada um com 10 data halls — espaços que abrigam infraestrutura de TI —, cuja entrega completa ocorrerá de forma escalonada ao longo de 40 meses, a partir do início das obras, em janeiro deste ano.
“O prazo total pode ser considerado de 38 a 40 meses, mas começaremos a operação no mês 18. Vamos ter essa entrega de forma paulatina, até completar as 20 partes (dos dois data centers). É quase uma por mês”, explicou Wellysson Costa, diretor de implantação da Omnia Data Centers, ao Diário do Nordeste.
É nesse prazo que está previsto para a ByteDance, empresa chinesa dona do TikTok, começar a operar no Ceará. Em paralelo, à medida que continua a construção do equipamento, a Omnia vai fornecer segurança, refrigeração para as máquinas e energia 24 horas por dia, entre outros aspectos necessários para a atuação da multinacional.
A entrevista foi concedida na última segunda-feira (23), quando Wellysson Costa participou do AJE Talks, evento promovido pela Associação dos Jovens Empresários de Fortaleza (AJE Fortaleza).
Na ocasião, ele apresentou detalhes sobre a obra, que, neste primeiro momento, terá investimento de R$ 50 bilhões divididos entre infraestrutura, tecnologia e energia renovável.
Com o início das obras no último mês de janeiro, a etapa de supressão vegetal já foi finalizada. Além disso, a terraplanagem do primeiro dos dois datacenters já está “praticamente concluída” e as etapas de fundações foram iniciadas, afirmou o diretor.
Após a conclusão das etapas de engenharia civil, a empresa vai iniciar a montagem eletromecânica dos galpões. Na obra, estão sendo priorizados fornecedores locais.
Potência e investimento
O projeto total aprovado pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) prevê quatro fases, e esta que está em construção é a primeira, explica Costa.
Cada fase terá 300 megawatts (MW) de potência, sendo 200 MW destinados aos equipamentos da ByteDance e os outros 100 MW para o funcionamento da estrutura.
Em dezembro de 2025, a diretora de políticas públicas do TikTok Brasil, Mônica Guise, formalizou o investimento total de mais de R$ 200 bilhões para a construção do data center no Pecém. O anúncio foi feito em evento com o presidente Lula no Centro de Eventos, em Fortaleza.
Será o investimento para a primeira fase do data center do TikTok.
Nesta primeira fase, a Omnia vai investir cerca de R$ 12 bilhões em infraestrutura, enquanto a ByteDance entra com R$ 34 bilhões. Também há previsão de R$ 4 bilhões para energia renovável.
Segundo o diretor de implantação da Omnia, as demais fases estão aprovadas, mas “ainda não tem investidor nem negócio”. Completas, as quatro fases podem chegar aos R$ 200 bilhões informados no fim de 2025, explicou Costa.
Desafios da obra e geração de empregos
Dois desafios para conseguir atrair a ByteDance, segundo Costa, foram os custos para o projeto e os prazos de execução. Em relação aos valores, ele cita como benefícios locais a presença dos cabos submarinos que chegam à Praia do Futuro e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, que permitiu benefícios fiscais.
“Concorremos com o mundo inteiro para trazer esse projeto. Lá fora já temos esse ecossistema, essa maturidade do mercado muito grande. Então, os índices de produtividade são muito, muito desafiadores, e nós tivemos que aceitar esse desafio para o cliente concordar em executar o projeto aqui. E hoje temos uma entrega de prazo que realmente é muito importante”, afirma.
A previsão é que o data center do TikTok gere 3,8 mil empregos diretos e 9,5 mil indiretos na construção. Nas operações, devem ser empregadas diretamente 400 pessoas e 2,4 mil indiretamente.
Com a necessidade de mão de obra qualificada, a Omnia planeja lançar uma campanha de formação de profissionais, com número de vagas a ser definido.
“Verificamos que existe uma falta de especialistas na área de montagem elétrica e mecânica. Vamos dar um foco, no primeiro momento, para capacitação de eletricistas, montadores mecânicos. Logo em seguida, operadores de datacenter”, explica o diretor.
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O objetivo, segundo Costa, é que a capacitação profissional também beneficie o Complexo do Pecém na totalidade e o “ecossistema” que será criado com a entrega da primeira etapa do projeto.
“Nesse ecossistema, vão existir empresas de manutenção, de vigilância, de alimentação, todo o necessário para que o data center possa funcionar. E, sem sombra de dúvida, o ambiente vai se tornar mais atrativo para os próximos data centers que virão”, avalia.