Com alta da Selic, investir na poupança vale a pena? Especialistas respondem

Reajuste da taxa básica muda perspectiva para planejamento de investimentos no médio e longo prazos

Legenda: Especialistas discutem potencial de retornos da Poupança após nova alta da Selic
Foto: Arquivo

O novo aumento da taxa básica de juros brasileira, a Selic, para 3,5% ao ano não chegou a surpreender o mercado financeiro. Mas com um novo reajuste, os investidores se perguntam se a caderneta de poupança volta a ser uma boa opção. E a resposta dos especialistas é simples - e negativa. 

De acordo com os economistas ouvidos pela reportagem, a atualização do valor da Selic muda, sim, as perspectivas do mercado de investimentos no Brasil. Segundo Allisson Martins, economista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), e  Raul Santos, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef), a perspectiva de futuro, agora, já é outra. 

Martins comentou que a nova alta dos juros no Brasil, aplicada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, aponta para um cenário de novas altas no mercado futuro. Essa movimentação chama atenção porque a renda fixa poderá ter ganhos maiores até o final do ano. 

Segundo o professor da Unifor, a expectativa é de que a Selic possa fechar 2021 em patamar entre 5,5% e 6%, o que poderia ajudar a reduzir a inflação e elevar o juro real (diferença entre juros e inflação). 

Caderneta 

Contudo, Martins foi taxativo ao dizer que, mesmo com essa alta da Selic, ainda existem opções melhores que a Poupança. 

"A caderneta de poupança, na verdade, não vale a pena. A pessoa procura investir em algo que ela conhece, mas existem produtos financeiros que são seguros, até mais do que a poupança, como os títulos públicos federais, como o Tesouro, mas as pessoas não vão para eles. O Tesouro IPCA+, que te dá o retorno mais a inflação pode ser uma opção além da caderneta", disse.
Allisson Martins
Economista e professor da Unifor

A opinião é corroborada pelo vice-presidente do Ibef, que apontou a caderneta de poupança apenas como uma boa opção de entrada para novos investidores. 

Raul Santos explicou que existem outras opções, como fundos de investimento e até o mercado de ações que podem dar retornos melhores depois que a pessoa se familiarizar com as opções de investimento. 

"A paixão do brasileiro é pela poupança, então para começar é uma boa opção. Mas após dominar essa opção, existem vários outros tipos de investimento que podem dar retornos melhores", explicou. 

Auxílio profissional 

Contudo, ambos os economistas recomendaram que os novos investidores buscam ajuda profissional antes de aventurar mais profundamente no mercado de investimentos. Os conselhos de um especialistas de uma corretora de investimento ou agente autônomo poderá potencializar os ganhos dos investidores. 

"Eu acredito que a pessoa não deve começar de uma vez, ela deve procurar uma assessoria profissional para entender essa gama de produtos e não se acomodar apenas com a poupança", disse Santos. 

"Mas, sim, essa alta da Selic, muda principalmente a estratégia de médio e longo prazo, porque os juros estão pressionados no mercado futuro. Então na hora de montar a carteira, você precisa considerar isso no futuro porque a renda fixa pode dar retornos positivos", completou.

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Legenda: De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a taxa básica de juros deverá encerrar o ano em 5,5%

Mercado de ações 

Sobre o mercado de ações, o Allisson Martins apontou que essa pode uma boa opção para investidores experientes, mesmo que a tendência de retornos deva ser menor que no ano passado, quando o mercado apresentou uma forte retomada após o primeiro impacto da crise do novo coronavírus. 

Martins ainda comentou que existem muitos setores com potencial no mercado de ações atualmente. Contudo, ele reforçou a importância de buscar ajuda profissional e procurar investir em ações de empresas que o investidor conhece ou se utiliza dos serviços. 

"A primeira coisa que a pessoa vai investir em ações é conhecer a empresa que ela está investindo. Ao investir numa empresa que você conhece, é mais seguro. Busque ativos que você conhece", disse Martins. 

"Mas em relação aos setores, é uma questão muito dinâmica, e isso muda constantemente. O setor de commodities estão na moda, os setores de shoppings podem apresentar inovações nessa retomada, e os bancos estão também despontando", completou.

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