Hospital de Messejana projeta primera sala de aula ao ar livre do Brasil

O local que nasceu da necessidade imposta pela pandemia, conta com bancos, datashow, tela branca, iluminação, Wi-Fi e pias, cumprindo também os protocolos de higiene.

A sala ao ar livre é uma opção para evitar aglomerações em recintos fechados
Legenda: A sala ao ar livre é uma opção para evitar aglomerações em recintos fechados

Desde o início da pandemia do novo coronavírus o número de mudanças e impactos sofridos pela população tornaram-se incontáveis, principalmente para os estudantes, de todas as faixas de ensino, que tiveram aulas interrompidas desde março. Pensando nos estudantes de Medicina, residentes do Hospital da Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), a unidade de saúde projetou a primeira sala de aula ao ar livre do Brasil, que será inaugurada nesta quarta-feira (8). 

De acordo com o Coordenador da Residência de Medicina de Emergência do HM, Frederico Arnaud, a ideia surgiu das modificações importantes que surgiram no ambiente educativo, tanto na universidade quanto no hospital, por conta do cenário pandêmico. “Nasceu da necessidade criada pelo coronavírus, da gente se reunir em um ambiente [que ofereça] menor risco, evitando assim o contágio”, conta. 

O ambiente que fica em uma área mais afastada da movimentação intensa da unidade hospitalar, onde se localiza um bosque, foi o escolhido para abrigar essa sala de aula ao ar livre. Inicialmente projetada para atividades com os mais de 50 residentes das diversas categorias médicas presentes no hospital, mas pode funcionar para outros objetivos também. 

“Dar para fazer reuniões, aulas, palestras, mas sempre observando o protocolo de higienização. Ele fica mais no meio de um bosque enorme, e fica mais distante desse dia a dia e barulho. É uma opção de educação que a gente pode fazer com uma maior segurança”, destaca Arnaud.

O local, que fica em meio a natureza, tem pias projetadas, para lavagem de mãos, e espaço o suficiente para manter o distanciamento indicado entre uma pessoa e outra, seguindo as medidas de segurança sanitárias. Segundo o médico emergencista, o projeto conta com vários pontos positivos, mas o principal é “você consegue assistir uma aula em um ambiente que você não corre tanto risco como em uma sala de aula, fechada, e com ar condicionado”, afirma. 

“É uma sala de aula completa, com datashow, tela branca, estamos projetando o Wi-Fi, iluminação que é uma inovação, que você vai poder usar o computador lá, mesmo estando no meio do bosque. O vai diferenciar da sala de aula real, é só a falta de paredes”, explica Frederico. “Vamos juntando a natureza com a tecnologia”, completa

Ser exemplo

A sala além de ter sido projetada para impacto positivo na vida dos alunos residentes do HM, segundo o emergencista também pode acabar servindo de exemplo e sendo reproduzida por outros. “Essa ação ela vai se reproduzir, porque é uma iniciativa muito boa para esse momento que estamos vivendo, onde as pessoas não podem se reunir, confraternizar e essa sala possibilita que a gente, usando as precauções do coronavírus, faça isso com segurança”, pontua.

“Eu acho que essa sala vai ser copiada, porque é uma chance muito boa para fazermos aulas e reuniões [necessárias], é uma ideia que pode servir de exemplo para muitos outras [pessoas], e que pode quebrar as dificuldades também das aulas presenciais, onde o aluno volta, mas não para uma sala de aula [fechada] como anteriormente”, conclui o médico.