Venezuelana que mora há 4 anos em Fortaleza diz que não pretende voltar ao país

Ana Lucero está recebendo atualizações da mãe sobre o que acontece em Caracas, capital da Venezuela.

Escrito por
Paulo Roberto Maciel* producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 18:33)
Imagem de duas mulheres venezuelanas sorridentes em um ambiente interno, uma de cabelo curto e a outra de cabelo comprido, com uma atmosfera acolhedora.
Legenda: Ana Lucero e a mãe, moradora de Caracas que presencia de perto os desdobramentos da ação militar norte-americana
Foto: Arquivo pessoal

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, deixou incertezas e apreensões entre venezuelanos que escolheram o Ceará como nova morada após deixarem o país vizinho.

A designer de sobrancelhas Ana Lucero está em Fortaleza há quatro anos, e, hoje, afirma que não planeja voltar para à sua terra-natal devido ao recente desgaste político. "Estou há oito anos fora da Venezuela. Pensei em voltar e ficar com a família, mas vi que as coisas foram piorando, então eu escolhi o Brasil para ficar", diz.

Em conversa a reportagem, ela relatou que ficou sabendo da ação militar na capital Caracas por meio de uma vizinha e conterrânea.

"Acordei no último sábado e logo ela (a vizinha) me chamou e disse: 'Você viu o que está acontecendo?'. Depois que ela me falou, liguei imediatamente para a minha mãe. Eu conversei com ela no mesmo dia, eu comecei a ligar para ela para ver como estava, e estava tudo bem", relembra Ana.

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O instinto não veio por acaso. A mãe de Ana reside em Caracas, e acompanha apreensiva o comportamento na cidade depois do que aconteceu. Segundo o que a mãe de Ana contou à filha, tudo aconteceu "tão rápido", que a população ficou sem saber o que viria a seguir.

"Cheguei a pensar: 'E agora, como que ficamos? O que vai acontecer no nosso país?'", indagou. "Disseram para minha mãe para ela se resguardar. Logo depois, ela disse que ia ao supermercado comprar comida para se manter em casa", continua.

"Pelo que ela me mostrou, as pessoas estavam querendo comprar para voltar rápido para casa. Só isso. Elas estavam apressadas porque não sabiam o que ia acontecer depois", completa Ana.

Por fim, Ana afirma que, 48h após o ataque, o clima na capital venezuelana parece estar tranquilo entre alguns moradores, embora exista tensão. "Minha mãe conversou com vizinhos e amigos. Para ela, eles estão bem, dentro do possível. Pelo visto, estão tentando seguir a vida em meio a tudo isso", avalia.

Venezuelana que morou no CE relata incertezas no País

A ação da mãe de Ana Lucero de se dirigir aos supermercados para comprar mantimentos foi similar a da jovem venezuelana Sofia Salazar, 21 anos. No último sábado (3), ela relatou ao Diário do Nordeste que também havia receio de falta de energia e de água no País.

Segundo Sofia, moradores do local estão enchendo baldes com água e carregando todos os equipamentos eletrônicos para evitar impactos caso um desabastecimento ocorra.

*Estagiário sob supervisão da jornalista Karine Zaranza

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