O que é a Doutrina Monroe, que baseou invasão dos EUA à Venezuela
Criada em 1823, a doutrina buscava proteger nações recém-independentes de uma possível recolonização por países europeus.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invadiu e tomou a Venezuela afirmando ter base na Doutrina Monroe — que definiu que as américas não seriam mais colonizadas por potências europeias.
Recentemente, o governo norte-americano já havia colocado a América Latina como prioridade estratégica para os EUA e garantido que se utilizaria da antiga doutrina para justificar as ações.
"Há mais de dois séculos, o presidente [James] Monroe proclamou perante o Congresso dos Estados Unidos o que hoje é conhecido como a lendária 'Doutrina Monroe' — uma política ousada que rejeita a interferência estrangeira de nações distantes e afirma com confiança a liderança dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental", escreveu Trump em comunicado divulgado pela Casa Branca no último dia 2 de dezembro, quando a Doutrina Monroe completou 202 anos.
Na Estratégia Nacional de Segurança, o governo norte-americano definiu ainda a proteção das fronteiras como o "elemento principal da segurança nacional" e propôs um reajuste da presença militar global para enfrentar o que chama de "ameaças urgentes" no Ocidente.
"Tudo remonta à Doutrina Monroe. Ela é muito importante. [...] É a doutrina que havíamos esquecido", afirmou Trump em coletiva de imprensa.
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O que é a Doutrina Monroe?
A Doutrina Monroe foi criada em 1823, durante o governo de James Monroe, e definiu a América Latina como área de interesse estratégico dos Estados Unidos.
Conforme o documento, qualquer tentativa de intervenção europeia nas Américas deveria ser vista como ameaça direta à segurança dos Estados Unidos.
Com o slogan "América para os americanos", a Doutrina Monroe intencionava, portanto, defender as nações americanas recém-independentes de uma possível recolonização pelas potências europeias. Além disso, o documento garantia aos países europeus que os EUA não interfeririam em seus assuntos internos.
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Invasão à Venezuela
Os Estados Unidos bombardearam a capital venezuelana na madrugada deste sábado (3) e capturou o ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores.
Os dois são acusados de narcotráfico e terrorismo nos EUA e serão julgados pela Justiça estadunidense.
Pouco após a captura, Trump anunciou que o governo norte-americano irá comandar a Venezuela. "Até que possamos realizar uma transição segura, adequada e sensata", disse, acrescentando que manteria as tropas no território venezuelano até que o sistema estivesse "sob controle".
Outro anúncio feito pelo republicano após a tomada do país foi que as petroleiras americanas irão entrar na Venezuela para explorar suas reservas de petróleo.