Profissionais de saúde enfrentam alagamento para salvar vacinas em Canindé
Cidade registrou fortes chuvas nessa quarta-feira (28). Prédio da Secretaria Municipal de Saúde está fechado para atendimento ao público.
Mesmo sem energia elétrica e trabalhando com lanternas, profissionais da saúde atuaram para proteger vacinas e insumos hospitalares durante o alagamento do prédio administrativo da Secretaria Municipal de Saúde de Canindé, após as fortes chuvas registradas entre a noite de quarta-feira (28) e a madrugada desta quinta (29).
A Cidade somou um volume intenso de chuva concentrado em pouco mais de duas horas. Conforme a Funceme, dados parciais apontam acumulados de 56,3 mm no posto São Bernardo e 22,6 mm no posto Esperança. A precipitação provocou o alagamento completo do prédio da Secretaria, com a água ultrapassando um metro de altura em alguns setores e comprometendo praticamente toda a estrutura.
Já a Prefeitura de Canindé informou que, entre 18h30 às 20h de quarta, dados do pluviômetro instalado no Serviços Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) na região central da cidade, chegaram a registrar aproximadamente 120 milímetros de chuva nesse período.
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Em depoimento enviado ao Diário do Nordeste, a secretária da Saúde, Aline Almeida, relatou que a situação exigiu uma mobilização imediata. “Fomos surpreendidos por um volume de água extremamente intenso, bem acima do esperado, o que acabou provocando o alagamento completo do prédio administrativo da Secretaria Municipal de Saúde”, afirmou.
Em imagens divulgadas nas redes sociais, é possível observar uma sala da Secretaria Municipal da Saúde alagada, com água barrenta cobrindo o piso e atingindo a base de um freezer e de uma geladeira
Segundo a gestora, por medida de segurança, a rede elétrica foi desligada, o que obrigou os servidores a atuarem em condições adversas. “Mesmo com a energia desligada e trabalhando com a luz de lanternas, tivemos o apoio imediato dos nossos servidores, que prontamente vieram ajudar a proteger documentos, equipamentos e tudo o que fosse possível salvar”, disse.
O Município informou que conseguiu salvar mais de 80% de insumos como material hospitalar e testes rápidos, além das vacinas. Ainda segundo a assessoria, o Estado foi acionado para ajudar com o que foi perdido com o alagamento.
Apoio da comunidade
A prioridade, conforme destacou Aline Almeida, foi garantir a preservação dos imunobiológicos do Programa Nacional de Imunizações (PNI). “Conseguimos colocá-los em isopores e levá-los para um local seguro”, relatou.
A secretária também ressaltou o apoio da gestão municipal e da comunidade. “Tivemos o apoio do prefeito e da equipe de infraestrutura, além da população vizinha ao prédio, que se mobilizou espontaneamente para ajudar nesse momento difícil”, afirmou. O trabalho, segundo ela, se estendeu por horas e foi marcado por solidariedade.
Apesar dos prejuízos estruturais, não houve registro de danos aos imunobiológicos e feridos.
Em razão do ocorrido, o prédio administrativo da Secretaria Municipal de Saúde permanece fechado ao atendimento ao público nesta quinta-feira (29).
Instabilidade atmosférica provoca chuvas intensas em Canindé
O Ceará registra chuvas expressivas em diferentes regiões do Estado, em um cenário já indicado pela Funceme, que havia emitido aviso meteorológico apontando condições favoráveis para precipitações significativas.
As precipitações estão associadas à atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), sistema atmosférico formado nas camadas mais altas da atmosfera e que favorece a formação de nuvens carregadas.
Segundo a Funceme, o VCAN deslocou-se em direção ao Ceará no início da semana, contribuindo para o aumento da nebulosidade e da ocorrência de chuvas em várias áreas do estado. O fenômeno tem potencial para provocar precipitações concentradas, especialmente quando atua de forma persistente sobre uma mesma região.
Em Canindé, apesar dos registros recentes, o Município já apresentou acumulados superiores em anos anteriores para o mesmo período. Entre os maiores volumes históricos estão 185 milímetros em 24 de janeiro de 2004, 147 milímetros em 25 de janeiro de 2011, 135 milímetros em 8 de janeiro de 2002, além de outros registros superiores a 120 milímetros também em janeiro de 2004.
A Funceme ressalta que o volume total de chuva, de forma isolada, não é o único fator determinante para a ocorrência de impactos. Chuvas com menores acumulados podem causar transtornos quando se concentram em curto intervalo de tempo, elevando o risco de alagamentos, enxurradas e aumento rápido do nível de pequenos cursos d’água. Esse cenário é mais crítico em áreas urbanizadas, onde há maior impermeabilização do solo, e em locais com drenagem insuficiente ou maior vulnerabilidade.