Morre em Fortaleza comandante de navio africano encontrado à deriva
Embarcação africana foi rebocada para o Porto de Fortaleza em 27 de março.
O comandante do Navio-Tanque “NW AIDARA", rebocado até o Porto de Fortaleza no dia 27 de março, após passar quase dois meses à deriva no mar, morreu na última quinta-feira (9), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Praia do Futuro.
A informação da morte foi confirmada pela assessoria de comunicação da Secretaria dos Direitos Humanos (Sedih) do Ceará neste sábado (11).
Segundo informou a equipe do órgão estadual, sem dar detalhes, houve a comunicação da morte aos demais tripulantes da embarcação. O nome do homem não foi divulgado, da mesma maneira que não foi dita a causa do óbito.
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De acordo com a Secretaria dos Direitos Humanos, a pasta está "focada no acompanhamento das questões migratórias e na garantia da dignidade dos migrantes".
O Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), que administra a UPA da Praia do Futuro, explicou neste sábado, por meio de nota, que o comandante ficou em observação na unidade e foi acompanhado por uma equipe multiprofissional, mas apesar das medidas adotadas "evoluiu a óbito" na quinta-feira.
No comunicado, a instituição pontuou que outros tripulantes do navio também "receberam assistência conforme indicação clínica e, em seguida, foram liberados".
A embarcação africana tinha tripulação composta por 11 pessoas e teve sua mangueira hidráulica rompida, principal causa do vazamento de óleo hidráulico e dos danos à engrenagem.
A Polícia Federal, por sua vez, disse para a reportagem que os demais tripulantes permanecem embarcados, por não possuírem vistos para entrada no país. Não houve solicitação para emissão das autorizações, conforme alegou a corporação.
Ainda segundo a autoridade policial, os tripulantes estão autorizados a desembarcar somente acompanhados por funcionários da Sedih e uma residência chegou a ser oferecida, mas optaram por permanecer no navio.
O "NW AIDARA" foi resgatado, no fim de março, por meio de uma operação da Marinha do Brasil. Ele estava entre a área sob responsabilidade de Dakar, na África Ocidental, e a área sob responsabilidade do Brasil.
Antecedentes
Segundo a Marinha do Brasil, a primeira comunicação sobre a situação do navio ocorreu em 25 de fevereiro, quando a equipe do Salvamar Nordeste recebeu a informação de que a embarcação estava sem propulsão e à deriva, desde o dia 5 de fevereiro, devido a uma falha no sistema hidráulico.
O controle de rumo do navio ficou comprometido, e a embarcação se deslocou à deriva, de forma contínua, até entrar na área de Busca e Salvamento marítimo sob a jurisdição do Brasil.
O navio estrangeiro, além de avariado e com escassez de alimentos, estava sem comunicação de satélite. A única forma de contato era por meio de rádio com navios próximos.
Primeiro contato e resgate
No dia 1º de março, o Navio Mercante “YK NEWPORT” aproximou-se do NT “NW AIDARA”. Ao estabelecer comunicação e após realizar um atendimento de telemedicina, o “YK NEWPORT” informou que a tripulação do navio africano estava bem e que tentaria concluir o reparo por conta própria.
O comandante do navio avariado informou que, caso a tripulação não conseguisse concluir o reparo até o dia 8 de março, entraria em contato com o Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo do Brasil para solicitar assistência.
Além de o contato não ter acontecido, a avaria não foi solucionada. Pelo que falou a Marinha, o navio africano derivava em direção ao Nordeste brasileiro, com possibilidades reais de encalhe.
Sem receber comunicação do NT “NW AIDARA", no prazo estipulado pelo comandante do navio à deriva, o Salvamar Nordeste enviou, no dia 9 de março, um navio de patrulha para interceptação ao NT “NW AIDARA”, a fim de estabelecer comunicações, avaliar o estado da tripulação e prestar apoio com suprimentos.
Nos dias seguintes, outras embarcações da Marinha do Brasil foram deslocadas para a execução da operação, que encerrou com o navio avariado sendo rebocado para o Porto de Fortaleza.