‘Não se trata de pais ausentes’, diz mãe de aluno dopado por colega em escola de Fortaleza
Em entrevista ao Diário do Nordeste, ela afirma que o momento é de cuidado e acolhimento ao adolescente que segue internado
A família do adolescente de 15 anos que foi internado após ingerir uma mistura de bebida alcoólica e medicamentos oferecida por colega de sala no Colégio Antares, no Papicu, em Fortaleza, na semana passada, ainda lida com o impacto do caso e o trauma.
O aluno segue internado na UTI de um hospital, e em entrevista ao Diário do Nordeste, a mãe (que não será identificada para preservar a identidade do filho) afirma que o momento é de cuidado e acolhimento ao adolescente, vítima da situação.
Ela também contesta qualquer tentativa de associar o caso à falta de acompanhamento familiar e reforça a presença constante dos responsáveis no cotidiano do jovem. “Não se trata de pais ausentes, entendeu?”, disse. Segundo ela, o filho é “muito assistido” pela família, que se mobiliza agora na recuperação.
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“Não são apenas pais ausentes que podem passar por esse tipo de problema, porque a gente não consegue controlar as questões, certas coisas dos filhos. Tem hora que ele vai ter que dar um sim ou um não, que você não vai estar do lado para dizer o que é o certo e o errado. Ele vai ter que tomar as próprias decisões, estabelecer os próprios limites, não apenas em festas, porque foi dentro da escola, dentro da sala de aula. Então, está fora do meu controle”, afirma.
De acordo com o relato da mãe, o adolescente enfrentava rejeição e isolamento dos colegas, nas últimas semanas, após ser injustamente rotulado como “dedo-duro” por ter sido associado à denúncia de uso de vape na escola por um grupo de alunos. Ela afirma que o filho passou a relatar exclusão dentro da sala de aula por parte dos meninos e incômodo com a situação.
De acordo com o que foi contado à família, um colega teria oferecido um remédio ao estudante, dizendo que a substância o ajudaria a aliviar o estresse e a “esquecer” o fato de estar sendo ignorado pelos demais. O adolescente acabou ingerindo a mistura e precisou ser hospitalizado.
O caso está sendo apurado pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), conforme informado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Julgamentos nas redes sociais
A mãe do adolescente também declarou estar em choque com o caso e diz que ainda busca compreender o que ocorreu. Segundo ela, o impacto do episódio tem exigido acompanhamento psicológico para a família, diante da dificuldade de assimilar a situação.
Além da gravidade do caso, a família também tem que lidar com repercussões nas redes sociais que atribuíram o episódio à suposta ausência de pais no acompanhamento do filho.
“Quando eu vi os comentários, então muitas pessoas acusam de que, 'ah! isso são pais ausentes, né?' Pais que não conversam com os filhos e tal. Então assim, isso me choca muito porque no nosso caso, não se encaixa esse discurso”, afirma.
Ela reforça que o adolescente é constantemente acompanhado pela família e descreve proximidade no dia a dia. “Ele é uma criança muito assistida. Eu levo para tudo, ligo para saber onde ele está, com quem está, falo com as mães dos colegas. Não se trata de pais ausentes”, reiterou, destacando que o filho também é aberto com a família e compartilha aspectos da própria rotina.
O momento, avalia a mãe, é de dar o suporte psicológico necessário ao adolescente. “Já chamei uma psicóloga que veio ao hospital e os atendimentos já começaram para fortalecê-lo nesse processo, seja lá o que ele esteja passando, que a gente ainda não consegue imaginar”, afirmou.