Número de estudantes entre 15 e 17 anos que trabalham cai para menos de 5% no CE, diz IBGE

Esse foi o menor índice aferido na série histórica da PNAD Educação, iniciada em 2016.

Escrito por
Nícolas Paulino nicolas.paulino@svm.com.br
Estudante em primeiro plano escreve em um caderno espiral com uma caneta azul enquanto consulta um livro aberto. Ele usa uma camiseta de uniforme escolar branca com gola verde e um logotipo bordado no peito. Ao fundo, outros alunos estão sentados em carteiras azuis individuais, concentrados em suas atividades na sala de aula.
Legenda: Faixa etária de 15 a 17 anos é a ideal para jornada no Ensino Médio.
Foto: JL Rosa.

Nos últimos dez anos, o percentual de estudantes cearenses de 15 a 17 anos que tem alguma forma de ocupação caiu pela metade, segundo novos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (19).

Em 2016, cerca de 32 mil jovens nessa faixa etária trabalhavam para além do estudo, fossem de forma remunerada ou ajudando em algum negócio familiar. Já em 2025, esse quantitativo chegou a 16 mil. As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Educação 2025.

Em termos percentuais, o índice é o menor da série histórica analisada pelo IBGE, cujo recorde ocorreu em 2019, quando 10,1% dos jovens estavam ocupados no Estado.

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As diretrizes do Ministério da Educação (MEC) e o Plano Nacional de Educação (PNE) determinam a idade de 15 a 17 anos para o ciclo ideal do Ensino Médio, que é de competência prioritária de Estados e do Distrito Federal.

No Ceará, esses números vinham caindo até terem um novo avanço em 2024, quando 23 mil adolescentes estavam na condição.

Naquele mesmo ano, o programa Pé-de-Meia era lançado oferecendo uma “poupança educacional” a estudantes de baixa renda matriculados no Ensino Médio público para estimular a permanência dos jovens na escola até a conclusão.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), à época, o principal objetivo era justamente reduzir a proporção de adolescentes de 15 a 17 anos que conciliam estudo e trabalho, ajudando assim a “compensar” parte da renda que muitas famílias esperam obter com a entrada precoce dos jovens no mercado de trabalho. 

Dessa forma, estudantes que antes precisariam trabalhar para complementar o orçamento doméstico têm mais condições para dedicar mais tempo à escola, podendo favorecer a permanência nos estudos e diminuir a necessidade de ocupação nessa faixa etária.

Um estudo publicado em março deste ano avaliou que o pagamento do Pé-de-Meia poderá tornar o Ceará o estado com a menor evasão escolar do País, especialmente entre estudantes pertencentes a famílias vulneráveis. 

A PNAD Educação não estabeleceu essa relação diretamente. O levantamento apenas investiga trimestralmente, em seu Questionário Básico, informações sobre as características básicas de educação para as pessoas de 5 anos ou mais de idade.

Maiores taxas do Brasil

Apesar do incentivo, em todo o Brasil, mais de 1 milhão de estudantes na faixa etária analisada ainda trabalhavam em 2025. Os maiores números absolutos estavam em São Paulo (225 mil), Minas Gerais (141 mil) e Bahia (80 mil).

Os 16 mil adolescentes ocupados no Ceará correspondiam à 17ª colocação nacional. Já percentualmente, o Estado tem o terceiro menor índice nacional (4,4%), abaixo apenas do Rio Grande do Norte (3%) e Rio de Janeiro (3,7%).

Em todo o país, os Estados com maior proporção de estudantes com alguma ocupação além da escola foram:

  • Santa Catarina - 24,3%
  • Mato Grosso - 21,8%
  • Rio Grande do Sul - 19,7
  • Goiás - 19,5%
  • Paraná - 19%

Segundo o IBGE, em 2025, a taxa de escolarização (percentual de pessoas da faixa etária matriculadas) dos adolescentes de 15 a 17 anos de idade, no Brasil, atingiu 93,2%, um aumento de 6,2 pontos percentuais em relação a 2016. Ou seja, apesar de diversos fatores externos, mais jovens estão permanecendo na escola.

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