'Meu coração é cheio de bandeirinhas': professora cearense é velada ao som de quadrilha junina

Fundadora de quadrilha junina morreu de doença cardíaca e tem despedida marcada por dança e emoção.

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br

"Quando eu morrer, eu não quero choro, tristeza nem solidão". Esse foi o pedido da cearense natural de Itapipoca, a professora Maria Elaine de Abreu, que faleceu aos 72 anos na última quinta-feira (21), em decorrência de uma doença cardíaca.

Conhecida como Tia Elaine e Mestra das Tradições Juninas, ela desejava que, em sua despedida, estivesse rodeada pelo grupo junino que fundou em 1987. "Quero ouvir barulho de tamanco, essa é a minha paixão", dizia.

O desejo da professora foi cumprido por familiares, amigos e ex-brincantes do Grupo Folclórico Elaine Abreu (Grufi) e da quadrilha Pedra Lascada, que foram gerido por ela durante muitos anos. Enquanto era velada, a educadora foi homenageada com música e dança junina. 

Som marcante

Jéssica Kelsia, de 39 anos, filha de Elaine, relata que a mãe começou a dançar quadrilha ainda aos 5 anos de idade, como noiva. "Ela dizia que foi paixão à primeira vista e, desde então, nunca mais largou o mundo das quadrilhas juninas”, conta.

Maria Elaine de Abreu dançando quadrilha em Itapipoca.
Legenda: Maria Elaine de Abreu, faleceu nesta quinta-feira (21), morreu em decorrência de uma doença cardíaca.
Foto: Arquivo Pessoal.

"A mãe idealizou e sonhou que a quadrilha dela precisava ser vista", relembra Jéssica. No entanto, segundo ela, o grupo não tinha estrutura para investir em roupas luxuosas ou em uma grande produção. Foi então que Tia Elaine inovou e encontrou uma forma diferente de emocionar o público: pelo som.

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“Ela começou a usar o tamanco, um sapato todo de madeira seca que faz barulho”. A ideia se tornou marca registrada da quadrilha, que, sob o comando de Elaine, puxadora do grupo na época, começou a vencer competições.

Ao lembrar da mãe, Jéssica conta que ela costumava dizer que "o coração e as veias eram cheios de bandeirinhas". "Desta vez, porém, o coração descansou", finaliza a filha.

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