BRT em Fortaleza: estudo propõe novos trechos na Washington Soares, Silas Munguba e BR-116

Estudo do BNDES propõe saltar de 5,3 km para 80,2 km de BRT em Fortaleza e Região Metropolitana

Escrito por
Alexia Vieira alexia.vieira@svm.com.br
Fotografia em ângulo aberto mostra ônibus urbano de Fortaleza na linha Siqueira parado em estação de vidro e aço do BRT Aguanambi. A estrutura da estação cobre o veículo. Em segundo plano, destaca-se um edifício moderno sob o céu claro.
Legenda: Estudo propõe que BRT da avenida Aguanambi seja ampliado até o terminal da Messejana, e depois até Itaitinga.
Foto: Kid Júnior.

Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta que a Grande Fortaleza precisaria passar de 5,3 quilômetros (km) de BRT (Bus Rapid Transit) para 80,2 km do sistema de corredores de ônibus para chegar em um cenário ideal de transporte público na região. 

Produzido junto com Ministério das Cidades, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU) selecionou 11 propostas para desenvolver o transporte público da RMF. Desses, sete envolvem corredores exclusivos de ônibus.

Com requalificações e extensões dos BRTs já existentes, além da implementação em três novas vias, o investimento seria de R$ 5,2 bilhões — 24% dos R$ 21,6 bilhões do valor estimado de todas as intervenções consideradas pelo banco como necessárias, envolvendo também metrô e VLT. 

Além do incremento na infraestrutura, o ENMU discute a implementação de tarifas integradas, sistemas que atraiam os usuários de volta ao transporte público e estratégias para desestimular o uso de modais individuais, como carros e motos.

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Veja projetos sugeridos pelo BNDES para o BRT de Fortaleza

Mudanças no BRT da Avenida Bezerra de Menezes 

Atualmente, Fortaleza conta com dois trechos de BRT: na Avenida Bezerra de Menezes, com 3,3 km, e na Avenida Aguanambi, com 2 km. 

O BRT da Av. Bezerra de Menezes tem ônibus circulando em faixa exclusiva à esquerda, entre a rua Padre Ibiapina e a Avenida Humberto Monte, com 11 estações. O estudo propõe a extensão e requalificação do BRT até a Av. Mister Hull, com mais 9,5 km, e uma extensão subsequente até o centro de Caucaia, com outros 6,3 km.

O trecho até Caucaia teria sete novas estações e se conectaria com a linha Oeste do metrô, atendendo os bairros ao longo da CE-085. Esses projetos têm custo projetado de R$ 1,38 bilhão. 

Estruturar a operação dos dois novos trechos, definindo a responsabilidade da manutenção de um BRT intermunicípios e organizando o trânsito de ônibus municipais e metropolitanos, são aspectos mencionados pelo estudo como desafios dos projetos.

BRT da Aguanambi até Itaitinga

Já o BRT da Aguanambi opera entre a Avenida Domingos Olímpio e a Praça Manoel Dias Branco, com quatro estações. Para ele, é proposta uma ampliação até o terminal da Messejana, com 11,2 km a mais. 

Obras para esse trecho já chegaram a ser licitadas pela Prefeitura de Fortaleza em 2018, conforme matérias da época do Diário do Nordeste, mas não foram concretizadas. Em 2024, a gestão afirmou que o projeto seria financiado pelo Governo Federal por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas sem data para iniciar.

Em 24 de abril de 2026, uma Licença de Instalação foi publicada no Diário Oficial do município para execução da obra. Procurada, a Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf) informou que o projeto ainda está em fase de desenvolvimento

“Após a conclusão desta etapa, o projeto seguirá para o processo de licitação. A obra tem como objetivo melhorar o corredor de transporte urbano da cidade, atuando para reduzir o fluxo pesado no acesso ao centro da cidade”, afirmou a pasta por meio de nota.

A partir dessa expansão, outro trecho é sugerido pelo estudo: continuar o BRT do terminal da Messejana até Itaitinga via BR-116, com mais 16,4 km do sistema. Atendendo indiretamente Eusébio e Aquiraz, seriam necessários mais R$ 694 milhões para infraestrutura e frota.

Novos trechos de BRT nas avenidas Washington Soares e Silas Munguba

O estudo traz ainda propostas de novos corredores de ônibus em avenidas estratégicas da cidade. Na Washington Soares, a instalação de um BRT de 14,2 km teria investimento inicial de R$ 889 milhões. 

Um outro trecho de 11,2 km, chamado BRT Coité-Parangaba, é projetado na avenida Silas Munguba. Com custo de R$ 630 milhões, o sistema seria conectado ao VLT da Parangaba. Um dos desafios do projeto, segundo o estudo, seria implantar o corredor exclusivo de ônibus em uma avenida com caixa viária estreita.

Além deles, uma conexão perimetral de 11,4 km entre os terminais da Messejana e Siqueira é proposto. O BRT seria implementado na Avenida Presidente Costa e Silva e custaria R$ 511 milhões. 

Etufor contratará consultoria para detalhar projetos

Segundo o BNDES, o estudo é um ponto de partida. Quem decide quais propostas sairão do papel são os governos estaduais, municipais e federal. 

Na próxima fase do ENMU, contratos serão firmados entre o banco e as regiões metropolitanas interessadas em estudos mais detalhados. Fortaleza será uma delas. 

De acordo com a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), responsável pelos corredores de BRT, o contrato será firmado ainda no primeiro semestre de 2026. 

“Os estudos devem se estender por cerca de três anos e permitirão à Etufor compreender, de forma técnica, as potencialidades e desafios de implementação das ideias, bem como modificá-las e propor novas, conforme a necessidade da população e do transporte público da capital”, disse a empresa por meio de nota.

Um acordo de cooperação técnica junto ao Governo do Estado e BNDES também foi firmado em abril deste ano, segundo a Etufor. O objetivo da parceria é a formulação de um modelo para a nova contratação da concessão de transporte em Fortaleza, que deve ocorrer em 2027. 

Além disso, o acordo inclui estudos para unificação da rede de transporte coletivo na região metropolitana. 

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