Premiação reconhece iniciativas que promovem a igualdade racial
Edição 2026 do Prêmio Sim à Igualdade Racial, promovido pelo Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), será transmitida neste fim de semana.
Sonhar com a inclusão dos povos negros e indígenas em todas as áreas da sociedade pode parecer um conceito distante para alguns. Mas esse é o propósito que move a edição de 2026 do Prêmio Sim à Igualdade Racial, promovido pelo Instituto Identidades do Brasil (ID_BR).
O evento ocorreu na última quarta-feira (13), no Rio de Janeiro, e será transmitido de forma gratuita na TV Globo e Youtube neste domingo (24). Ao todo, a premiação reconheceu 12 ganhadores em categorias distribuídas entre os pilares Cultura, Educação e Empregabilidade.
Em entrevista à rádio Verdinha FM 92,5 nesta terça-feira (19), Luana Genót, fundadora e diretora executiva do ID_BR, adiantou o que as pessoas podem absorver dos ensinamentos propostos pela premiação:
"Temos a possibilidade de levar esse letramento para quem vai nos assistir e ver a iniciativas premiadas de norte a sul do Brasil. Queremos cada vez mais multiplicar essas referências para que cada vez mais as pessoas vejam o que que está acontecendo e gerar um círculo virtuoso de boas práticas", disse.
Sob o tema "Surrealismo Afro-Indígena Brasiliano", a cerimônia teve como intuito comprovar como o sonho também pode ser ferramenta para a promoção de políticas de igualdade racial no Brasil.
Neste sentido, a ativista destacou a temática como um convite para que o espectador enfrente o impossível para "realizar o indispensável", utilizando o sonho como uma "tecnologia ancestral" para buscar mudanças que hoje podem parecer difíceis, mas são essenciais.
"Quando pensamos que algo hoje é surreal, inalcançável, temos que pensar como, um dia, alguém sonhou com isso. Alguém sonhou que a gente poderia estar aqui conversando sobre diversos assuntos que podem versar da educação à saúde mental, transversalizados pela igualdade racial", refletiu.
Veja também
Igualdade racial na luta contra a evasão escolar
Uma das linhas de atuação do ID_BR está nas escolas, com a promoção do letramento antirracista para crianças e adolescentes. Para Genót, investir na importância da igualdade racial desde a base permite que muitos alunos se identifiquem com o tema e permaneçam nas salas de aula.
"Nas escolas públicas, especialmente as de bairro, a maioria das crianças e adolescentes ainda não têm, ao longo do ano, um repertório sobre pessoas negras na matemática, nas ciências, no português. Qual é o desafio? É fazer com que essas referências estejam postas ali no dia a dia em várias disciplinas", reforçou.
É super importante que a gente não só situe pessoas negras e indígenas em datas como a abolição da escravatura, a consciência negra ou o abril indígena. É preciso que essas referências fiquem situadas ao longo dos anos. Porque quando um aluno vê mais das suas referências locais, ele se sente mais engajado e orgulhoso da própria identidade.
Para a fundadora do ID_BR, o Ceará tem espaço para ser referência na educação antirracista no Nordeste. Luana Genót destacou iniciativas como a criação da Secretaria da Igualdade Racial do Ceará (Seir), a presença das escolas indígenas e quilombolas no Estado e o prêmio Terra de Sabidos, promovido pelo Diário do Nordeste.
"O Ceará já é referência por conseguir impulsionar de alguma forma a equidade na educação. Quando eu venho aqui para o Nordeste, para o Ceará, eu quero aprender mais sobre Dragão do Mar, eu quero aprender mais sobre a Cacique Pequeno, eu quero aprender mais sobre as referências locais", afirmou.
"Precisamos que o corpo docente e a comunidade parental tratem a educação não só de forma ampla, mas buscando entender as referências locais. Essa não é uma questão de separar as pessoas, mas de entender as particularidades de cada grupo para criar pontes, unir as pessoas respeitando suas identidades", finalizou.
O que é o Instituto Identidades do Brasil?
Criado em 2016, o Instituto Identidades do Brasil é uma fundação sem fins lucrativos pioneira e referência no País no incentivo à igualdade racial. Através do selo "Sim à Igualdade Racial", ela atua no mercado de trabalho e na sociedade para reduzir desigualdades.
Além do Prêmio Sim à Igualdade Racial, realizado desde 2018, o instituto é o impulsionador de outras ações sociais. Uma delas é o programa Escola Sim, que utiliza inteligência artificial (IA) para promover o letramento racial e digital.
A inteligência artificial que o programa Escola Sim pretende popularizar entre professores da rede pública se chama “Deb” e funciona dentro do Instagram, no perfil @chamaadeb. Ela já soma mais de 20 mil seguidores e 4 mil interações por dia.
*Estagiário sob supervisão da jornalista Mariana Lazari.