Peixe-boi Jací é solto no litoral do Ceará e viaja 200 km rumo à Praia do Pecém

Animal conta com um equipamento de monitoração para cuidados a distância.

Escrito por
Paulo Roberto Maciel* paulo.maciel@svm.com.br

A região marítima entre o litoral Leste e a Grande Fortaleza entrou na rota de Jací, uma fêmea de peixe-boi que recentemente voltou à vida livre por intermédio da Organização Não Governamental (ONG) cearense Aquasis.

Jací foi resgatada em 2020 e levada para o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos da Aquasis, em Caucaia, para os primeiros cuidados. Após alguns anos, foi transferida para o recinto de aclimatação da Aquaris, em Icapuí, para se reacostumar com o ambiente aquático.

Peixe-boi submerso em água verde, visto em close com o corpo voltado para a câmera, nadando e com marcas no corpo visíveis no aquário ou ambiente aquático.
Legenda: Jací foi resgatada pela Aquaris em 2020.
Foto: Divulgação/Aquaris.

Agora, Jací está pronta para nadar em águas mais extensas. Ela foi avistada no litoral de Fortaleza no início da semana e, segundo as estimativas da ONG, deve estar percorrendo a Praia do Pecém nesta quinta-feira (21).

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Como funciona o monitoramento dos peixes-boi

Quando o animal é solto no ambiente natural, a Aquasis fica responsável pelo monitoramento e cuidados a distância para, caso necessário, realizar intervenções.

Adriano da Costa, técnico de monitoramento da organização, explica que todos os peixes-boi utilizam um equipamento que transmite sinais via satélite e rádio, assim possibilitando a localização deles.

Lâmpada submersível com cabo e presilha metálica, iluminando em um fundo azul com fios e marcas no ambiente, em uma cena subaquática
Legenda: Boia utilizada pela Aquaris como transmissor para monitorar a localização da Jací
Foto: Divulação/Aquaris.

Os componentes eletrônicos do transmissor estão acoplados a uma boia, que por sua vez são presos por fios a um cinto colocado em torno do peixe-boi.

Por medida de segurança, o equipamento possui dois pontos de quebra, para evitar que os animais fiquem presos em cordas, redes de pesca, galhos ou outros artefatos.

A localização é perdida, mas a sobrevivência é garantida. "O importante é que o animal sobreviva. A boia pode fazer com que ele não consiga subir atá a superfície para respirar", informa Adriano.

O que fazer ao avistar Jací?

É possível que a população encontre um peixe-boi com o número 17 pintado nas costas. Essa é Jací. Nos próximos dias, ela poderá ser avistada em alguma região do litoral oeste do Ceará.

Segundo Adriano, é essencial que a boia com o transmissor não seja desacoplada. "Esse equipamento precisa estar no animal. É uma forma que a gente tem de localizá-lo e acompanhar para a sobrevivência dele em algumas situações", alertou.

Durante o trajeto de Jací, é possível que o transmissor saia sem a interferência humana. Nesses casos, caso alguém observe a boia com a antena, é necessário acionar as equipes da Aquasis por meio dos números de telefone (85) 99800-0109 e (85) 99188-2173.

Trabalho da Aquasis 

A Aquasis é uma ONG fundada há quase 30 anos com o objetivo de proteger espécies ameaçadas e habitats importantes para a conservação da biodiversidade do Ceará. A instituição possui uma equipe multidisciplinar e é apoiada por parceiros nacionais e internacionais.

Além de cuidar dos peixes-bois-marinhos e prepará-los para retornar ao mar, a ONG realiza atividades de educação socioambiental. Quando há encalhe de cetáceos, como golfinhos e baleias, a instituição também os ajuda, fazendo o atendimento no local onde os animais apareceram.

*Estagiário sob supervisão dos jornalistas Mariana Lazari e Felipe Mesquita. 

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