Médicos comiam fora para poupar alimentação para os pacientes durante crise no IJF, diz secretária
Hospital municipal enfrentou falta de medicamentos, profissionais e alimentação para funcionários, pacientes e acompanhantes
Médicos do maior hospital municipal de Fortaleza, o Instituto Dr. José Frota (IJF), comiam fora do hospital a fim de poupar alimentação para os pacientes internados, diante da crise profunda entre o fim de 2024 e início de 2025, noticiada pelo Diário do Nordeste. A informação foi recobrada pela médica Riane Azevedo, secretária municipal de Saúde (SMS), que à época era superintendente do IJF.
A declaração foi dada durante o evento de inauguração de 66 leitos de assistência do IJF, na manhã desta quinta-feira (31). O evento contou ainda com a presença do secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales; do governador do Estado, Elmano de Freitas; do prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, e de outras autoridades.
"O IJF passava um momento extremamente delicado naquela época, faltando inclusive comida tanto para os pacientes como para o corpo clínico. Nós, quando assumimos aqui, pedimos ao corpo clínico, aos nossos coordenadores, que pudessem nos ajudar. A gente comia fora daqui para poupar a comida para os nossos pacientes", relembra Riane, ressaltando que o cenário mudou.
"Hoje a realidade que nós temos é uma alegria nos corredores, as pessoas realmente agradecendo pela mudança que nós tivemos na alimentação, o aporte financeiro que nós recebemos do governador (Elmano) e do Governo Federal, e o apoio da secretária (estadual da Saúde) Tânia", destacou a titular da SMS.
A falta de alimentação para pacientes e acompanhantes se somou à ausência de medicamentos e insumos básicos durante a crise aguda enfrentada pela unidade de saúde nos meses finais de 2024. À época, o Diário do Nordeste expôs ainda a sobrecarga e o adoecimento dos profissionais do IJF devido ao déficit de pessoal.
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A comida servida à população em assistência no hospital voltou à pauta pública, neste mês, após a cuidadora de uma paciente de 86 anos encontrar uma luva plástica dentro do jantar. A idosa estava internada no hospital com o fêmur quebrado no aguardo de cirurgia. Na ocasião, o IJF confirmou que tinha conhecimento do caso e informou que a empresa terceirizada responsável pelo fornecimento "já foi notificada para apresentar uma resposta formal sobre a situação".
Crise o lençol e da comida
Em novembro de 2024, o Diário do Nordeste denunciou o cenário de precarização de serviços, falta de medicamentos e insumos básicos, suspensão de cirurgias e demora na distribuição de alimentos vivido no Instituto Dr. José Frota (IJF). A reportagem ouviu usuários, sindicatos e profissionais que atuam na unidade.
A crise no hospital foi um dos problemas que se acumulou na área da Saúde pública municipal e que levou à saída da médica Socorro Martins do comando das atividades. Uma das pendências deixada pela antiga gestora era a operacionalização integral do equipamento.
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Assim que assumiu a gestão do IJF, Riane declarou que o hospital chegou a 2025 devendo R$ 73 milhões a empresas de medicamentos, lavanderia, próteses e órteses e até de pessoal. Uma repactuação com as gestões estadual e federal garantiu o aporte mensal de R$ 10 milhões do Governo do Estado e R$ 180 milhões do Ministério da Saúde para o ano.
O hospital municipal é referência para a saúde pública cearense, gerido pela Prefeitura de Fortaleza, e atende pacientes da Capital e do interior do Estado.