Escolas afetadas por disputa de facções em Fortaleza terão Guarda na porta e são orientadas a retomar aulas

Município informou que agentes de segurança foram colocados nas unidades nesta sexta-feira, desde as 7h

(Atualizado às 19:03)
Pessoas sentadas em um auditório observam seis pessoas em pé à frente, participando de uma fala ou apresentação. Entre elas, há duas pessoas vestidas com uniforme de guarda municipal e quatro em roupas sociais. O ambiente é claro, com cadeiras azuis ocupadas pelo público.
Legenda: Órgãos públicos e representantes escolares se reuniram para discutir uma resposta à alteração de atividades escolares
Foto: Divulgação

Após reunião realizada a portas fechadas, na manhã desta sexta-feira (29), a Prefeitura de Fortaleza definiu que agentes da Guarda Municipal ficarão posicionados no entorno das creches e escolas afetadas por disputas de facções na região do bairro Vicente Pinzón. Além disso, a Secretaria Municipal de Educação (SME) orientou que todas as unidades retomem as aulas segunda-feira (1º).

Órgãos públicos e diretores escolares do Distrito 2 - área que contempla o Vicente Pinzón - se reuniram para discutir uma resposta à alteração de atividades escolares, como a interrupção das aulas em alguns casos, devido ao conflito entre facções no território. Nesta semana, relatam diretores ouvidos pelo Diário do Nordeste, as aulas foram reduzidas e as turmas apresentaram baixa frequência. 

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A estimativa é que ao menos 16 escolas e Centro de Educação Infantil (CEI) localizadas na área do Vicente Pinzon estão com o funcionamento afetado. Destas, diretores e o Sindicato União dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza (Sindiute) apontam que ao menos quatro chegaram a ficar totalmente sem aulas durante algum momento desta semana.

A SME reconhece que uma, a Escola Municipal Professora Maria Gondim - que fica nas proximidades do Vicente Pinzón, no Papicu, - está sem aulas desde terça-feira (26).

Nem todas as unidades foram afetadas ao mesmo tempo, mas tiveram, em diferentes momentos ao longo dos últimos dias, aulas e outras atividades prejudicadas devido a ações violentas, que assustaram alunos, pais e profissionais de ensino. 

Segundo o Major Messias Mendes, secretário executivo da Secretaria Municipal de Segurança Cidadã de Fortaleza (Sesec), o objetivo foi criar uma estratégia de segurança para garantir “uma estabilidade maior ao território, uma sensação de tranquilidade e sobretudo a funcionalidade natural das escolas”.

Entre os pontos anunciados pela gestão municipal, estão:

  • Reforço da presença de agentes da Guarda Municipal em determinadas escolas
  • Rondas intermitentes;
  • Formação de “corredores seguros” para o acesso de alunos, professores e comunidade à escola;
  • Acolhimento com banda de música e teatro de fantoches para “diminuir tensões”;
  • Fornecimento de serviço psicossocial para estudantes.

O major ressalta que o problema se apresenta com intensidades diferentes dentro do território. “Dependendo da gravidade do que nós percebemos no território, a gente vai também dando respostas mais intensas, sempre trabalhando em cooperação, em integração com as forças de segurança do estado”, afirma.

Retorno das aulas nas unidades

A secretária executiva da SME, Ana Christina Silva, confirmou que foi pactuado o retorno das unidades escolares na próxima segunda-feira (1º). Segundo a gestora, apenas uma unidade - a Escola Professora Maria Gondim - não teve atividades letivas ao longo da semana. “Cada escola está num espaço que tem um contexto específico. Nós discutiremos caso a caso”, disse. “Vamos dizer que ocorra uma situação no final de semana que deixa o gestor inseguro: nós vamos nos aproximar dessa escola, discutir com ela e estabelecer um protocolo específico”, acrescentou.

Vista externa de uma escola municipal, com muro pintado em tons claros e desenhos florais. Sobre o muro, há a identificação “E.M. Professora Aída Santos e Silva”. Ao fundo, vê-se uma quadra esportiva coberta com estrutura metálica amarela. A rua em frente está vazia, com árvores e pequenos arbustos na calçada.
Legenda: A Escola Municipal Profa. Aida Santos e Silva é uma das unidades que teve atividades afetadas nos últimos dias
Foto: Reprodução/Google

A gestora informou ainda que "essa discussão é muito importante para que as pessoas sintam que tem um lugar de escuta e essa preocupação de manter o clima da comunidade escolar mais ameno, mais favorável para que as crianças aprendam, para que os professores possam desenvolver suas aulas, para que a comunidade se sinta acolhida”.

Além da SME, a reunião contou com diretores das escolas do Distrito 2 (ao qual a região pertence), Guarda Municipal de Fortaleza (GMF) e Sindicato União dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza (Sindiute).

Lista das escolas com o funcionamento afetado nos últimos dias 

  • Escola Municipal Profa. Belarmina Campos
  • Escola Municipal Profa. Consuelo Amora
  • Escola Municipal Profa. Aida Santos e Silva
  • Escola Municipal Luis Ângelo Pereira
  • Escola Municipal Maria Alice
  • Escola Municipal Professora Maria Gondim dos Santos
  • Escola Municipal Eleazar de Carvalho
  • Escola Municipal Godofredo de Castro Filho
  • Escola Municipal Maria Felicio Lopes
  • Escola Municipal de Tempo Integral (EMTI) Vereador Alberto Gomes de Queiroz
  • Escola Municipal São Vicente de Paulo
  • CEI Wilma Maria de Vasconcelos Leopércio
  • CEI Menino Maluquinho
  • CEI Darcy Ribeiro
  • CEI Padre José Nilson
  • CEI Rachel de Queiroz

A reportagem questionou como a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) está atuando em parceria para minimizar o problema. Às 18h10, após a publicação da matéria, a Pasta enviou uma nota, informando que “atua, diuturnamente, por meio de suas vinculadas Polícia Militar do Ceará (PMCE) e Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), além da Coordenadoria de Inteligência (Coin/SSPDS), no combate aos grupos criminosos no Ceará”.

No bairro Vicente Pinzón, a SSPDS informou que a Polícia Militar atua no entorno das escolas com composições do Grupo de Segurança Escolar (GSE), vinculado ao Comando de Proteção e Apoio às Comunidades (Copac), contando com o apoio da Guarda Municipal de Fortaleza. “Os policiais militares e os guardas municipais auxiliam na manutenção da rotina da segurança em instituições de ensino e proximidades”, diz o comunicado.

Além disso, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social afirmou que são realizados trabalhos ostensivos sob a responsabilidade do 8º Batalhão Policial Militar (8º BPM). Segundo a nota, medidas de reforço no patrulhamento vêm sendo adotadas junto a equipes de inteligência, com objetivo de identificar e responsabilizar suspeitos de possíveis ações criminosas na região.

“O policiamento da área é reforçado pelo emprego de equipes da Força Tática (FT), Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur), do motopatrulhamento e equipes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio), que também intensificam o patrulhamento na região”, diz.

Por fim, a Pasta ressaltou que os crimes relacionados a organizações criminosas são investigados pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e do 9º Distrito Policial (9º DP), unidade responsável por conduzir diligências para identificar e capturar envolvidos com atividades criminosas na área do bairro Vicente Pizón.

Para contribuir com as investigações, a população pode repassar informações por meio do Disque-Denúncia da SSPDS, o número 181, ou enviando mensagem, áudio, vídeo e fotografia para o WhatsApp (85) 3101-0181. Outro canal de denúncia é o site do serviço 181.

Pedidos de profissionais

A presidente da representação profissional, professora Ana Cristina Guilherme, ressaltou que, entre as exigências da categoria para a manutenção das atividades escolares, foram incluídas:

  • Ações emergenciais do Município e do Governo do Estado para proteger a comunidade escolar nas áreas afetadas;
  • Protocolos claros de segurança e comunicação com gestores, docentes e famílias, com suporte psicológico às comunidades impactadas;
  • Garantia da continuidade das aulas com segurança, preservando o direito constitucional à educação e à vida.

Conforme o Sindiute, desde julho ações violentas têm afetado a rotina das escolas no entorno do Vicente Pinzon. Entre os relatos de docentes estão barulhos de tiros ouvidos durante o horário de aula, causando interrupções e esvaziamento das salas. Em Centros de Educação Infantil e escolas de ensino fundamental, alunos e professores têm relatado angústia e medo constantes.

Representantes da comunidade escolar daquele entorno têm relatado ataques ocorridos próximos a unidades municipais como a unidade Profa. Maria Gondim dos Santos, a Escola Municipal Maria Alice, o CEI Darcy Ribeiro e o CEI Menino Maluquinho. Também há Além disso, foi citado o lançamento de uma granada em uma residência daquela área.

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