Quem nunca precisou de um detox de redes sociais?

Formato de vídeos curtos pode ser viciante, e especialistas alertam que o hábito pode reduzir o foco e enfraquecer a memória.

Escrito por
Beatriz Jucá ceara@svm.com.br
Legenda: De repente, num momento de folga, me vi rolando aqueles vídeos infinitos por mais de uma hora.
Foto: Tatiana Diuvbanova/Shutterstock.

Comecei a usar o TikTok por curiosidade, querendo entender como as novas gerações estavam abraçando a plataforma digital para fazer buscas, como se fosse quase um “novo Google”. A minha “for you” — página de conteúdos direcionados a mim — começou com alguns vídeos de receitas rápidas e saudáveis e trechos de entrevistas. Fiquei enganchada especialmente nos trechos de entrevistas e, mais tarde, de novelas antigas. Lá, tudo parece vir na velocidade dois, dividido em várias partes.

O algoritmo parece que foi formando uma persona nova para mim, incluindo conteúdos que não costumo buscar. Ainda hoje não entendo porque ele me entrega tanta coisa sobre os músicos e cantores do agro, mas o fato que importa é que, de repente, num momento de folga, me vi rolando aqueles vídeos infinitos por mais de uma hora. Lembrei de uma entrevista que fiz sobre o perigo do uso de telas e especialmente dos vídeos curtos com o pediatra Daniel Becker.

Ele alertava os riscos não apenas para as crianças, mas ponderava que muitos pais estavam viciados nesta rolagem infinita. Seria eu um deles?

Acesso o TikTok diariamente. A plataforma tem uma proposta semelhante aos reels do Instagram e aos shorts do YouTube. O formato dos vídeos curtos pode mesmo ser viciante, prendendo nossa atenção já nos primeiros segundos.

Especialistas alertam que esse hábito está alterando o funcionamento do cérebro, reduzindo o foco, enfraquecendo a memória e até mesmo prejudicando a tomada de decisões. Sinto parte disso no dia a dia.

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Os vídeos curtos funcionam como uma espécie de recompensa. Quanto mais zapeamos e vemos esses conteúdos rápidos, mais o nosso cérebro quer consumi-los — ou quer a dopamina liberada nesta ação. A questão é que vamos ficando também com menos disposição para acessar conteúdos mais complexos e que provoquem reflexão ou mesmo que precisem mais de atenção.

É preciso resistir e controlar o tempo dedicado aos vídeos de gatinhos, receitas rápidas, reviews de pratos e restaurantes e toda a gama robusta de conteúdos rápidos que nos seduzem nas redes. Reduzir o tempo de conexão, aliás, pode ser transformador.

Na última semana, me impus um detox de alguns dias e me chamou atenção como é automática a busca diária pelos aplicativos. A ansiedade também tira folga, quando eliminamos as comparações e a sensação de estar sempre perdendo algo ou fazendo menos que nossos pares. Vale consumir com consciência para não performar e evitar cair nas armadilhas dos vídeos curtos.