Camilo se despede do Ministério da Educação em evento no Ceará
Em discurso no novo campus do ITA Ceará, o ministro fez um breve balanço das ações desenvolvidas em sua gestão
A inauguração das instalações do campus do ITA Ceará, sediadas em Fortaleza, na manhã desta quarta-feira (1º), marcou a despedida do ministro da Educação Camilo Santana (PT) do cargo. Após 3 anos e 3 meses, ele deixará, na quinta-feira (2), o comando do MEC devido às regras eleitorais e ao prazo de desincompatibilização.
Na cerimônia em Fortaleza, Camilo reiterou que o MEC passará a ser gerido pelo atual secretário executivo do Ministério, Leonardo Barchini. Ele, que é o atual “número 2” do MEC, e ocupou o lugar deixado por Izolda Cela, também estava no evento de inauguração na capital cearense.
No discurso, Camilo ressaltou o trabalho da equipe do MEC. Emocionado durante toda a apresentação, o ministro fez um breve balanço das ações desenvolvidas na sua gestão e enfatizou as prioridades, como alfabetização, escolas de tempo integral, o Pé-de-Meia, e a construção de novos institutos federais e universidades.
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“Nós pegamos o Brasil com 36% das crianças alfabetizadas na idade certa. Estamos entregando em 2025, com 67% das crianças aprendendo a ler e escrever na idade certa, fruto de um programa criado a partir da experiência do Ceará. Nós ampliamos a escola Tempo Integral. Pegamos 15% das escolas da educação básica em tempo integral e estamos entregando 25,8% das matrículas do Brasil em tempo integral. É o Pé-de- Meia, são novos institutos federais, são novas universidades, são novos hospitais universitários”, destacou o ministro.
Camilo também se dirigiu ao presidente Lula dizendo “você nos ensina pensar um Brasil mais justo, mais soberano”, e novamente mencionou a criação da Carteira Nacional Docente, como uma iniciativa positiva da atual gestão. Em seguida, ainda no palco, ele fez a entrega simbólica de uma carteira de professor ao presidente Lula "porque você é o maior professor de todos no Brasil", destacou.
Marcas da gestão de Camilo
Além dos temas destacados pelo próprio ministro no evento, a gestão de Camilo é marcada pela iniciativa de trazer um campus do ITA para o Ceará, sendo o primeiro fora de São Paulo.
O projeto para implementação do Instituto em Fortaleza seguiu estudos técnicos que comprovaram a viabilidade de trazer a nova unidade para o Nordeste, e é um feito do governo Lula atribuído a Camilo e a integrantes de sua equipe como a presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Fernanda Pacobahyba.
A unidade cearense foi criada oficialmente pelo decreto 11.887/2024, representando um avanço para a Educação Superior no País e a descentralização tecnológica. O campus deve receber estudantes em janeiro de 2027.
Outro ponto de destaque enquanto Camilo esteve à frente do MEC foi a retomada de obras paradas. Em 2023, o Governo Federal criou o Pacto Nacional pela Retomada de Obras e de Serviços de Engenharia Destinados à Educação Básica para que mais de 3,9 mil obras de escolas e creches fossem retomadas.
No discurso, Camilo também destacou os resultados alcançados pelo Pé-de-Meia, programa que entrou em vigor em 2024 e é uma das principais apostas do MEC para enfrentar desigualdades e fortalecer a permanência dos jovens no ensino médio.
O Programa funciona como uma espécie de poupança estudantil voltada a jovens de baixa renda no ensino médio. Cada participante ganha R$ 200 por mês, caso mantenha a frequência escolar, e R$ 1.000 por ano concluído com aprovação, além de uma parcela extra para quem participa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano de conclusão.
Camilo sai do MEC para se dedicar à reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e para apoiar Lula na campanha federal. Mas a desincompatibilização também assegura que ele próprio possa ser candidato, caso seja essa a decisão.