Cardiologia pediátrica do Hospital do Coração será transferida para Hospital Universitário do Ceará

O governador Elmano de Freitas confirma a mudança e diz que a decisão foi motivada pela necessidade de ampliar a capacidade de atendimento.

Escrito por
Thatiany Nascimento, Carol Melo e Ana Alice Freire* producaodiario@svm.com.br
Fachada principal do Hospital Universitário do Ceará (HUC), em Fortaleza. A imagem mostra a entrada da Emergência Obstétrica do hospital público do SUS, com letreiros do Governo do Estado do Ceará e da Secretaria da Saúde (Sesa), além do estacionamento em primeiro plano.
Legenda: Inaugurada em 2025, a unidade possui uma área de 78,6 mil metros quadrados, distribuída em três torres (Clínico, Cirúrgico e Materno-Infantil) e sete pavimentos.
Foto: Fabiane de Paula

O serviço de cardiopediatria do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), no bairro Messejana, em Fortaleza, que funciona há décadas, será transferido para o Hospital Universitário do Ceará (HUC), inaugurado em março de 2025 no Itaperi. A antiga unidade, que já realizou quase 100 transplantes infantis de coração, até então, era a única instituição pública no Estado a fazer esse tipo de procedimento. 

A expectativa, inclusive de alguns pacientes e profissionais, era de que a mudança, promovida pelo Governo do Estado via Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), conforme apurado pelo Diário do Nordeste, seria iniciada nesta segunda-feira (1º), com o remanejamento de crianças internadas e dos serviços para o HUC, mas ainda não há confirmação que tenha ocorrido. Questionada sobre a situação, a Sesa informou que: “a previsão é que esse processo ocorra gradualmente, ainda nesta semana” . O Hospital do Coração de Messejana funciona há 93 anos e o HUC foi inaugurado em 2025

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A decisão de transferência do serviço foi confirmada pelo governador Elmano de Freitas, na manhã desta segunda-feira, em entrevista coletiva durante a inauguração da nova sede da Escola Estadual de Educação Profissional Michelson Nobre da Silva, no bairro Siqueira, em Fortaleza. 

Questionado pelo Diário do Nordeste sobre a logística dessa mudança, ele não detalhou a data, o número de pacientes, prazos ou a forma da transição. Elmano disse apenas que esse processo deve “iniciar nos próximos dias” e que a Sesa é a responsável por detalhar o cronograma e as fases dessa transferência.  

O que provocou a mudança?

Segundo o governador, a decisão foi motivada pela elevada demanda por procedimentos cardíacos em crianças e pela necessidade de ampliar a capacidade de atendimento. Conforme explicou, não havia possibilidade de expandir esse serviço no Hospital de Messejana, o que levou o Estado a optar pela estrutura do HUC para reforçar a realização de cirurgias e o atendimento de casos pediátricos de emergência.

Legenda: O Hospital Universitário do Ceará (HUC) receberá o serviço de cardiopediatria do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes.
Foto: Fabiane de Paula

O governador disse ainda que o HUC tem condições para receber  expansão dos serviços e isso permitirá aumentar a capacidade da rede estadual de atender crianças que necessitam de procedimentos cardíacos especializados. 

“O que nós estamos fazendo é ampliação do serviço pediátrico das nossas crianças, especialmente os casos graves, crianças que têm que fazer cirurgia cardíaca, e o Hospital Universitário é um hospital de excelência que vai poder fazer uma maior quantidade e em melhores condições”.
Elmano de Freitas
Governador do Ceará

Ao ser executada, a transferência fará com que todo atendimento da cardiologia pediátrica do Hospital do Coração, referência no diagnóstico, acompanhamento e tratamento cirúrgico de cardiopatias congênitas em crianças, passem a ser acolhidos no HUC. Isso inclui as áreas de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e nas enfermarias, os transplantes infantis e as consultas ambulatoriais. 

Como será a logística de transferência?

O Diário do Nordeste também procurou a Sesa e solicitou informações, inicialmente, na sexta-feira (29), mas não houve retorno. Na manhã desta segunda-feira, a Sesa voltou a ser demandada. As perguntas feitas a pasta são as seguintes:  

  • A transferência de pacientes e atendimentos já começou? Caso não, quando deve começar? 
  • Quanto tempo deve durar toda a transferência? 
  • Quais são as fases da transferência?
  • A pediatria do HUC terá que passar por alguma obra de requalificação para receber os pacientes e a demanda do HM?
  • Que serviços serão oferecidos no HUC após a transferência?
  • Qual a atual capacidade da pediatria do HUC?

Em nota, na tarde desta segunda-feira, a Sesa informou apenas que “a cardiopediatria é uma área prioritária para a rede pública de saúde do Estado, e a ampliação desse serviço no Hospital Universitário do Ceará (HUC) representa um avanço importante para a assistência às crianças com doenças cardíacas de maior complexidade. A previsão é que esse processo ocorra gradualmente, ainda nesta semana”.

O Diário do Nordeste apurou com fontes do Hospital de Messejana que o translado de pacientes internados chegou a ser programado para começar a ocorrer na tarde desta segunda-feira, mas no começo da noite não se confirmou. 

Uma equipe do Diário do Nordeste também esteve no HUC durante o dia e foi informada que havia uma expectativa de transferência das primeiras crianças em situação mais complexa vindas do Hospital do Coração durante esta segunda-feira. Mas, no local, também não houve confirmação de quantidade e logística das transferências. 

Também foi apurado que, com a realocação, o Hospital de Messejana será desafogado e os espaços físicos ocupados hoje pela pediatria serão ampliados para o atendimento adulto.  

Promessa de ampliação de serviços

Na inauguração do HUC no ano passado, já havia a promessa de ampliar a realização de transplantes no Estado. Durante a entrega da unidade, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha anunciou que o hospital passaria a ofertar os procedimentos, e uma das inovações seria a implantação do programa de transplante hepático infantil, considerado inédito no Estado para crianças de baixo peso. 

Na época, a gestão estadual explicou que esse tipo de procedimento ocorre apenas em situações restritas. Além disso, o transplante renal pediátrico, realizado pelo Hospital Geral de Fortaleza (HGF) em parceria com hospitais privados, passaria a ser totalmente concentrado na rede pública, dentro do HUC. 

Também foi prometido que o HUC contaria com estrutura especializada para atender crianças transplantadas, como UTI pediátrica, além de suporte para transplantes com doador vivo, tanto de rim quanto de fígado.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Dahiana Araújo.

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