Aluno recebe alta de UTI após ser dopado por colega em escola privada de Fortaleza

Mãe detalha que o jovem continuará sendo monitorado até que se confirme a ausência de qualquer sequela.

Escrito por
Ana Alice Freire* e Carol Melo producaodiario@svm.com.br
Imagens mostra pílulas com um copo de líquido transparente, ilustrando mistura de remédios e vodka oferecerido a estudante em escola particular de Fortaleza.
Legenda: Vítima teria ingerido mistura de vodka com medicamentos para tratar alergias.
Foto: Herlanzer/Shutterstock.

Recebeu alta o estudante de 15 anos que estava internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ser dopado por um colega no Colégio Antares, escola particular no bairro Papicu. O adolescente, que passou cerca de quatro dias hospitalizado, passou mal, na semana passada, ao ingerir uma mistura de bebida alcoólica e medicamentos.   

Em entrevista ao Diário do Nordeste, nesta quinta-feira (28), a mãe do jovem (que não será identificada para preservar a identidade da vítima) relata que ele deixou o hospital na última segunda-feira (25) e atualmente está em casa se recuperando. Apesar da liberação médica, ela detalha que o garoto sofre com dores de cabeça e continuará sendo monitorado até que se afaste a possibilidade de sequelas.

A partir de agora, o aluno segue realizando exames para avaliação do quadro de saúde, além de dar seguimento ao acompanhamento psicológico. À reportagem, a mãe afirma que, uma semana após o incidente, os pais do estudante supostamente envolvido no ocorrido não entraram em contato com a família.

“Estou no modo sobrevivência. Ainda não consegui sossegar para saber como estou me sentindo. O que tem me confortado é a presença dos familiares e amigos, a solidariedade dos colegas de trabalho, as orações daqueles que simplesmente querem nosso bem”, desabafa a mãe.

Questionada se o filho continuará na escola, ela afirma que está analisando a situação: “Estamos avaliando todas as possibilidades junto aos profissionais que estão acompanhando a evolução do nosso filho para decidir o que for necessário e seguro para ele”, detalha, acrescentando ainda que professores e colaboradores da instituição de ensino chegaram a visitar o garoto durante o período de internação.

Estudante suspeito foi expulso

O aluno apontado como quem ofereceu a bebida à vítima foi expulso do colégio, conforme relata a mãe. O Colégio Antares foi procurado pela reportagem para falar sobre como trata o caso, mas, em nota,  limitou-se a dizer que "medidas disciplinares internas são tratadas com responsabilidade e confidencialidade, em respeito à preservação da imagem e da integridade dos alunos envolvidos",

 Além da sanção institucional, o episódio é apurado pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Em nota, a Pasta informou que a unidade especializada realiza a escuta de partes envolvidas para tentar elucidar o caso.

Nesta quinta-feira, a mãe do adolescente disse estar satisfeita com a forma com que tem sido tratada a situação pelas autoridades. “Percebemos a seriedade, celeridade e cuidado com que está sendo tratado o caso, o que nos traz a certeza de que será dado um direcionamento justo para que não haja novas vítimas desse tipo de situação. Estamos colaborando com as investigações, certos de que o culpado será responsabilizado”, destaca. 

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O que aconteceu

Na última quinta-feira (21), o estudante foi encaminhado para um leito de UTI após ingerir a mistura entre bebida alcoólica e remédios, ofertada por um colega no colégio Antares, no bairro Papicu, em Fortaleza. A reportagem apurou que o coquetel era composto por vodca e anti-histamínicos, que são medicamentos utilizados para tratar crises alérgicas.

Segundo a mãe, o estudante havia oferecido a mistura ao filho sob a promessa de “desestressar” e “esquecer dos problemas”, uma vez que o adolescente estava sendo alvo de um processo de exclusão e bullying na escola.  

Quando foi chamada à escola para buscar o filho, que apresentava sinais de embriaguez, a mulher ficou surpresa. “Não é uma coisa de bebida apenas. Ele estava com aquele olhar distante. Quando você chamava, ele respondia, mas, desorientado, não me reconheceu e não conseguia andar sozinho”, relatou anteriormente ao Diário do Nordeste.

'Não se trata de pais ausentes'

A mãe também afirmou que o episódio trouxe à tona uma preocupação maior sobre os limites da vigilância familiar diante de situações que acontecem dentro do ambiente escolar. Para ela, o caso evidencia que determinadas experiências vividas pelos adolescentes escapam do controle dos pais, mesmo quando existe acompanhamento constante.

Segundo ela, o filho costumava compartilhar a rotina e nunca apresentou comportamentos que levantassem suspeitas de uso de álcool ou outras substâncias. Ela descreve o adolescente como um jovem próximo dos pais e reforça que o impacto emocional do caso atingiu toda a família.

Nas redes sociais, mensagens associando o caso à suposta negligência familiar também aumentaram o sofrimento da mãe. Ela disse ter ficado surpresa com julgamentos feitos sem conhecimento da realidade da família. “Quando vi os comentários, muitas pessoas acusavam: ‘Ah, isso é falta de acompanhamento, pais ausentes’. Isso me chocou muito porque, no nosso caso, esse discurso não se encaixa”, afirmou.

Ela reforçou também que o filho sempre foi acompanhado de perto pela família. “Ele é uma criança muito assistida. Eu levo para tudo, ligo para saber onde ele está, com quem está, converso com as mães dos colegas. Não se trata de pais ausentes”, reitera.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Dahiana Araújo.

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