A análise do OVNI gigante de Campo Largo, no Paraná

Repercussão do caso gerou nota oficial da Força Aérea Brasileira e dividiu a internet.

Escrito por
Ednardo Rodrigues producaodiario@svm.com.br
Legenda: Suposto OVNI gigante de Campo Largo ganhou repercussão na internet após relato de influenciador.
Foto: Reprodução/Redes sociais.

No último fim de semana de maio, um vídeo gravado num sítio isolado de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, tomou conta das redes sociais e virou assunto nos principais portais de notícias do país.

O influenciador Mayk Leão, conhecido por produzir conteúdo voltado ao resgate de animais, afirmou ter testemunhado a aparição de um objeto voador não identificado em sua propriedade  — e o relato viralizou de forma impressionante. 

Em menos de 48 horas, o perfil saltou de 40 mil para mais de 430 mil seguidores no Instagram e, hoje, já ultrapassa 1 milhão. A repercussão foi tanta que gerou nota oficial da Força Aérea Brasileira e dividiu a internet entre crentes, céticos e curiosos.

A FAB, por meio do DECEA, informou que no dia 31 de maio nenhum objeto foi identificado pelos radares de defesa aérea ou reportado por aeroportos locais.  Mas isso não freou o debate. Pelo contrário: alimentou ainda mais a narrativa do encobrimento, tão cara ao imaginário ufológico.

Vale lembrar que o popular termo OVNI — Objeto Voador Não Identificado — ganhou nos últimos anos uma nova designação oficial, adotada principalmente pelos Estados Unidos: UAP, sigla em inglês para Unidentified Aerial Phenomena, ou Fenômenos Aéreos Não Identificados. 

Ao trocar "objeto" por "fenômeno", a nova terminologia amplia o escopo das investigações, reconhecendo que nem tudo que é visto no céu tem necessariamente forma sólida ou origem tecnológica. É a linguagem da ciência tentando alcançar o que ainda não consegue explicar.

Quem acompanha esta coluna sabe que o tema não é novidade por aqui. Ao longo dos anos, tenho me debruçado sobre casos ufológicos com o mesmo rigor analítico que dedico a qualquer outro fenômeno — buscando separar o que há de concreto do que é construído pelo imaginário coletivo, pela mídia ou, como parece ser o caso agora, pelo interesse de quem precisa crescer nas redes sociais.

O relato de Mayk

Mas o que Mayk disse ter visto, afinal? De acordo com os vídeos publicados em seu perfil, o avistamento inicial foi documentado no final da tarde do domingo, 31 de maio, quando uma sequência de luzes surgiu sobre a linha da Serra do Purunã, na direção oeste da propriedade. Nos vídeos, é possível perceber seis ou sete luzes piscando no alto da serra. 

Ainda segundo os registros, afirmou que ouviu um som incomum sobre a residência e, ao anoitecer, observou um objeto luminoso sobre uma montanha próxima ao sítio. Ele descreveu o fenômeno como algo gigantesco: que não seria avião nem drone, mas sim algo muito grande, com muitas luzes coloridas. 

Estimou o comprimento do objeto em aproximadamente 60 metros, com formato semelhante a um disco alongado, cercado de luzes e com uma luz vermelha tênue na parte inferior, deslocando-se em silêncio absoluto. Relatou ainda ter ouvido uma voz estranha, descrita como uma série de estalos. 

É exatamente nesse detalhe que mora a minha desconfiança.

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Dia D, novo filme de Steven Spielberg, marca o retorno do diretor aos blockbusters de ficção científica e estreia nos cinemas brasileiros em 11 de junho de 2026. A trama gira exatamente em torno da revelação de que governos escondem há décadas evidências da existência de vida extraterrestre. 

No trailer, a comunicação alienígena é retratada com sons que lembram estalos — exatamente como Mayk descreveu e imitou com muito talento o que ouviu. A semelhança é específica demais para ser ignorada, e sugere que o roteiro do influenciador pode ter tido uma fonte de inspiração bem terrena.

Some-se a isso outro detalhe revelador: observando os destaques do perfil no Instagram, percebe-se uma grande quantidade de registros de aparições em emissoras de TV — o que revela alguém muito familiarizado com a lógica da exposição midiática e com o valor de uma boa história para a imprensa. 

E, ao contrário do que se esperaria de alguém que vivenciou um episódio genuinamente aterrorizante, Mayk não aparenta medo real ou estado de choque. Não há o tremor involuntário, a confusão mental, o silêncio atônito que marcam quem foi surpreendido de verdade.

Um influenciador experiente, um filme de Spielberg sobre OVNIs prestes a estrear e um relato com detalhes curiosamente alinhados ao trailer. Pode ser coincidência. Mas coincidências assim gera muita desconfiança. Pode ser uma atividade de publicidade, talvez para o filme ou talvez para drones com holofotes. Hoje em dia existe esse tipo de drone para shows. 

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