31 alunos de escolas públicas do CE ganham Ouro em Olimpíada de Matemática

Este foi o 6º melhor resultado do país no exame.

Escrito por
Nícolas Paulino nicolas.paulino@svm.com.br
Imagem de dois rapazes jovens, Davi à esquerda e Willyan à direita, um usando uma camiseta cinza e o outro uma camisa escura, ambos exibindo medalhas penduradas no pescoço, em um cenário de casa do interior simples.
Legenda: Cícero Davi (à esquerda) e José Willyan (à direita) tiveram as maiores notas da rede estadual do Ceará na OBMEP 2025.
Foto: Divulgação/Governo do Ceará.

Os resultados da 20ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep 2025), divulgados no fim de dezembro, consolidam o Ceará como uma das principais potências educacionais do país. 

Com um total de 31 medalhistas nacionais de ouro, o Estado ocupa a sexta posição no ranking nacional, situando-se logo após grandes polos das regiões Sul e Sudeste, como São Paulo (115), Minas Gerais (63) e Rio Grande do Sul (56). 

No contexto regional, o desempenho cearense é absoluto: o estado lidera o Nordeste com vantagem sobre a Bahia (20 medalhas) e Pernambuco (18 medalhas), reafirmando sua relevância no ensino de Ciências Exatas na região.

Em 2025, a primeira fase da Olimpíada teve o maior número de escolas e municípios participantes desde sua criação, em 2005. Ao todo, participaram 57.222 escolas de 5.566 municípios (99,93% de cobertura do território nacional). A edição reuniu 18,6 milhões de estudantes.

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A força da educação pública cearense também se destaca pela capilaridade das premiações, que não se restringem à capital, Fortaleza. A lista de medalhistas de ouro também inclui alunos do interior, como Barreira, Ararendá, Jijoca de Jericoacoara, Mucambo, Cariré e Reriutaba.

A consistência do Ceará é comprovada pela presença de medalhistas de ouro em todos os níveis da competição. No Nível 3, voltado ao Ensino Médio, o estado obteve resultados expressivos em Escolas Estaduais de Educação Profissional (EEEP) localizadas em municípios como Farias Brito e Sobral, além de unidades de tempo integral em Caririaçu e Crateús.

Instituições da rede regular figuram ao lado de unidades militares, mostrando que o ensino estadual consegue produzir excelência em diferentes realidades e metodologias.

Veja os alunos premiados:

Nível 1 (6º e 7º anos do Fundamental)

  1. Augusto Josué de Oliveira Silva - EMEIEF Francisco das Chagas Ferreira / Barreira
  2. Lucca Fontes Aragão - Colégio Militar de Fortaleza / Fortaleza
  3. Arthur Queiroz Carvalho - Colégio Militar de Fortaleza / Fortaleza
  4. Daviniel Vasconcelos Carvalho da Silva - Colégio da Polícia Militar do Ceará General Edgard Facó / Fortaleza
  5. Davi Teixeira Sobrinho - EEF Firmino José / Ararendá
  6. Emanuel Kelvyn Silvestre da Costa - EMEF Francico Sales de Carvalho / Jijoca De Jericoacoara
  7. Gustavo Miguel da Costa Rodrigues - EMEIEF José Assis de Oliveira (Jari) / Maracanaú
  8. Benjamim Kalil de Sousa Brandão - EMEF Senador Carlos Jereissati / Jijoca de Jericoacoara
  9. Luis Arquelau de Paiva Caxias - Escola Dona Livramento Araujo / Santa Quitéria
  10. Vinicius Lorhan Maia Viana - ETI Maria Dorilene Arruda Aragão / Sobral
  11. Kaike Gomes Aguiar - EMTI Maria Vania Farias Linhares / Mucambo
  12. Isadora Dutra Muniz - EEB Dr. Geraldo Gomes Azevedo / Itapipoca
  13. João Gabriel Rodrigues Miranda - EEIEF Lucas Rodrigues Brito / Cariré

Nível 2 (8º e 9º anos do Fundamental)

  1. Daniel Leite Mendes - Colégio Militar de Fortaleza / Fortaleza
  2. Yasmin Pinheiro Barreto - Colégio Militar de Fortaleza / Fortaleza
  3. Davi Guimarães T. N. de Araújo - Colégio Militar de Fortaleza / Fortaleza
  4. Benjamim Vieira de Araújo - 3º CPM Tenente Mario Lima / Maracanaú
  5. Joao Carlos de Souza Nunes - EEF João Luís Maia / Limoeiro do Norte
  6. Leonardo Bezerra Peixoto - Colégio Militar de Fortaleza / Fortaleza
  7. Gabriel Ferreira de Lima - EEF Zila Zilda Carneiro / Quixeramobim
  8. Kauan Gomes Cordeiro - ETI João de Deus Do Nascimento / Sobral
  9. Naum Ariel Teixeira da Silva - Escola Municipal Raimundo Soares de Souza / Fortaleza
  10. Davi Luiz de Brito Tavares - EEIF Nossa Senhora das Graças / Reriutaba
  11. Murillo Maia da Silva - Benigna - EEBM Pacheco / Cascavel
  12. Pedro Murilo de Sousa Paulino - Ginásio e Escola Normal Divino Salvador / Mombaça

Nível 3 (Ensino Médio)

  1. Cícero Davi Duarte Sousa - EEEP Antonio Valmir Ribeiro / Farias Brito
  2. Jose Willyan Ferreira Sobrinho - EEEP Antonio Valmir Ribeiro / Farias Brito
  3. Francisco Otávio de Vasconcelos Filho - EEEP Lysia Pimentel Gomes Sampaio Sales / Sobral
  4. Paulo Roger Santos de Menezes - EEM Maria José Magalhães / Morrinhos
  5. Diogo Ismael Ferreira da Silva - EEMTI São Pedro / Caririaçu
  6. José Levi Alexandre de P. Silva - EEMTI Lions Club / Crateús

Uma calculadora científica Casio preta sobre um livro didático aberto, apoiados em uma superfície acolchoada rosa, ideal para estudos ou tarefas de matemática.
Legenda: Estudantes cearenses se destacaram entre milhões de concorrentes desde a primeira fase do exame.
Foto: Karola G/Pexels.

Preparação intensa para a prova

O governador Elmano de Freitas divulgou que fez uma videochamada para parabenizar os dois alunos cearenses que mais se destacaram na Olimpíada. Davi e Willyan são filhos de agricultores e colegas na turma de Desenvolvimento de Sistemas na Escola Antonio Valmir, em Farias Brito, que foi inaugurada em 2024 e já tem resultados de excelência.

“A primeira fase tinha 19 milhões (de candidatos), para a segunda passam cerca de 900 mil”, conta Willyan. “Foi bem difícil, mas a gente acreditou, estudou pra caramba e deu certo”.

Atualmente no 3º ano, o estudante de 17 anos lembra que a preparação começou ainda no 1º ano, quando passou pela primeira vez para a segunda fase. Mesmo com a competitividade e a rotina “um pouco cansativa”, ele obteve a prata em 2024.

Já em 2025, a escola montou um grupo de estudos com aulas semanais que o ajudou a conseguir uma boa pontuação na prova. “Planejo continuar estudando e me aperfeiçoando cada vez mais, acho que essa conquista vai me trazer muitas oportunidades e espero conseguir aproveitar todas”, disse ao Diário do Nordeste.

Segundo Cícero Davi, que obteve a maior nota da rede estadual, a preparação contou com a participação de professor do Programa de Iniciação Científica (PIC) da região do Cariri, que toda semana dava uma aula e resolvia questões com os alunos.

“Minha preparação foi focada principalmente em resolver muitas questões de provas anteriores e tentar entender os erros para não cometer em provas seguintes”, ilustra. O curso de Desenvolvimento de Sistemas, focado em programação, “ajudou muito no raciocínio lógico, algo que é fundamental em Olimpíadas”.

“Para o futuro, quero continuar estudando, me aprofundar e usar esse aprendizado tanto em outras olimpíadas quanto na minha formação profissional”, entende.

Veja o ranking Geral de Ouros:

  1. São Paulo: 115
  2. Minas Gerais: 63
  3. Rio Grande do Sul: 56
  4. Santa Catarina: 42
  5. Paraná: 33
  6. Ceará: 31
  7. Espírito Santo: 27
  8. Bahia: 20
  9. Distrito Federal: 20
  10. Pernambuco: 18
  11. Pará: 15
  12. Rio de Janeiro: 15
  13. Paraíba: 13
  14. Piauí: 11
  15. Goiás: 8
  16. Amazonas: 7
  17. Alagoas: 6
  18. Maranhão: 6
  19. Mato Grosso: 4
  20. Mato Grosso do Sul: 4
  21. Tocantins: 3
  22. Amapá: 2
  23. Sergipe: 2
  24. Rio Grande do Norte: 1
  25. Roraima: 1

Os Estados de Acre e Rondônia não tiveram Ouros nesta edição.

O que é a Obmep?

Há 20 anos, a Obmep tem o objetivo principal de estimular o estudo e o ensino da Matemática por meio de problemas que despertem o raciocínio lógico e a criatividade dos alunos.

Alunos inscritos em escolas públicas municipais, estaduais e federais ou em escolas privadas brasileiras (do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental e o Ensino Médio) podem participar da OBMEP. 

Para as escolas públicas, a inscrição é totalmente gratuita. Para as escolas privadas, a inscrição será feita mediante pagamento da taxa de inscrição de acordo com o número de alunos inscritos.

A prova tem duas fases. A primeira envolve a aplicação da prova objetiva, de 20 questões, diferenciadas por níveis em cada escola inscrita. Para os alunos classificados, a segunda é uma prova discursiva contendo 6 questões, aplicada em centros escolhidos pela Obmep.

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