Descubra 5 livros sensíveis e tocantes escritos por pessoas trans

Obras apresentam outras perspectivas sobre gênero com narrativas comoventes e profundas.

Escrito por
Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
(Atualizado às 18:05)
Imagem de divulgação dos livros Neca, Me Faço Tempestade para não caber em redemoinho e Mau Hábito, para matérias sobre livros de escritoras trans.
Legenda: As obras ampliam visões de mundo e garantem outras narrativas sobre pessoas trans.
Foto: Divulgação/Companhia das Letras, Substânsia e Amarcord.

A escrita que ganha corpo em uma obra literária é um reflexo direto das vivências do corpo. Por isso, tem crescido o movimento que incentiva a leitura de obras escritas por mulheres, por pessoas negras, indígenas, trans e travestis. Esses livros são atravessados por diferentes experiências e visões de mundo. 

Assim, no Mês da Visibilidade Trans, o Diário do Nordeste organizou uma lista com cinco livros sensíveis e tocantes escritos por pessoas trans. Nessas narrativas plurais, para além de abordar a violência, os autores buscam abrir espaço para histórias carregadas de afeto e humanização. 

Essas produções surgem como uma forma de romper barreiras de exclusão, abordar suas realidades — com suas próprias vozes, e construir outras perspectivas sobre as vidas dos sujeitos dissidentes.

Lista de 5 livros escritos por pessoas trans

  • 'Me faço tempestade para não caber em redemoinho', de Pêagá;
  • 'Neca: Romance em bajubá', de Amara Moira;
  • 'Mau hábito', de Alana Portero;
  • 'Chuva dourada sobre mim', de Naty Menstrual;
  • 'Elas marchavam sob o sol', de Cris Judar.

Veja também

1. 'Me faço tempestade pra não caber em redemoinho', de Apêagá

Imagem de capa do livro Me faço tempestade pra não caber em redemoinho, da poeta cearense Apêagá.
Legenda: Obra poética foi escrita pela poeta Apêagá.
Foto: Divulgação/Editora Substânsia.

Foi através da poesia que a poeta cearense Apêagá conseguiu elaborar questões que marcam a sua existência. Natural de Sobral, criou versos que refletem os movimentos de slams e a arte das periferias. 

Em "Me faço tempestade pra não caber em redemoinho", a cearense apresenta a sabedoria da periferia, aborda a vida de uma artista preta e LGBTQIA+. E, ainda que aborde temas como colonialismo, violência e gênero, também foca em afetos, ancestralidade e na experiência cotidiana. 

2. 'Neca: Romance em bajubá', de Amara Moira

Imagem de capa do livro Neca, da Amara Moira.
Legenda: Livro de Amara Moira mistura sensualidade e erotismo.
Foto: Divulgação/Companhia das Letras.

A obra "Neca: Romance em bajubá", publicada pela Companhia das Letras, mistura sensualidade e erotismo ao acompanhar histórias sexuais de uma profissional do amor. Sendo o romance de estreia de Amara Moira, foi uma decisão política escrever inteiramente na "língua das bichas". 

No livro, uma travesti reencontra um antigo amor que está começando a trabalhar nas ruas. Ao longo dos capítulos, a protagonista vai distribuir conselhos, relembrar antigas histórias, e abordar suas aventuras como prostituta no Brasil e na Europa. Além disso, também fala de literatura e de escrita, relembrando quando estudava Letras. 

3. 'Mau hábito', de Alana Portero

Imagem de capa do livro Mau Hábito, de Alana Portero.
Legenda: O romance "Mau Hábito" consquistou o Prêmio Time Out Cultura.
Foto: Divulgação/Amarcord.

E se você crescesse em um corpo que não sabe habitar? É esse o drama que a protagonista do livro "Mau hábito" enfrenta, enquanto atravessa a adolescência em um bairro operário de Madri. A obra da espanhola Alana Portero aborda questões como gênero, sexualidade e preconceito, enquanto constrói uma narrativa singular na primeira pessoa. A história é ambientada entre os anos 1980 e 1990.

Com isso, os leitores acompanham essa jovem tentando compreender a si mesma e o mundo em que vive, enquanto descobre a noite clandestina no centro de Madri. Este romance poético e comovente chegou a vencer o Prêmio Time Out Cultura, sendo considerado um dos 10 melhores livros da Espanha, pelo El País, em 2023.

4. 'Chuva dourada sobre mim', de Naty Menstrual

Imagem de capa do livro Chuva dourada sobre mim, lançado pela Diadorim Editora.
Legenda: "Chuva dourada sobre mim" é uma coletânea de contos sobre a realidade de pessoas trans em Buenos Aires.
Foto: Divulgação/Diadorim Editora.

Com tradução de Amara Moira, a obra "Chuva dourada sobre mim" surge como uma coletânea de contos. Nela, a escritora argentina Naty Menstrual apresenta a realidade da noite de Buenos Aires. Esse retrato não esconde as violências vividas pelas pessoas trans, mas consegue ir além, mostrando também as camadas de afetos presentes nessa realidade

Ela aborda a busca cotidiana pela sobrevivência, tendo como palco lugares como ruas, bares, e quartos. A leitura, lançada pela Diadorim Editora, promete modificar a perspectiva de quem lê.

5. 'Elas marchavam sob o sol', de Cris Judar

Imagem de capa do livro Elas marchavam sob o sol, de Cris Judar.
Legenda: O livro aborda questões como perseguição religiosa e ressignificação dos corpos.
Foto: Divulgação/Editora Dublinense.

O livro "Elas marchavam sob o sol" acompanha a história de Ana e Joan. Escrito por Cris Judar e publicado pela editora Dublinense, a obra aborda questões como perseguição religiosa, ressignificação dos corpos, debates sobre papéis sociais e perda de direitos e liberdade.

Ao acompanhar as duas jovens, os leitores logo percebem as diferenças entre elas: uma é diurna, pressionada por questões estéticas, enquanto outra é noturna, influenciada por noções de ancestralidade e intuições do inconsciente. 

As narrativas são intercaladas pelos capítulos, acompanhando suas histórias em paralelo em um período em que ambas estão prestes a completar dezoito anos. A linguagem de Cris desfaz os sentidos para reorganizá-los em seguida, ampliando as leituras de mundo

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