Cineasta piauiense lança série sobre contos de terror nordestinos

A primeira temporada da produção traz três episódios com narrativas baseadas em fatos reais

Esta é uma imagem da animação
Legenda: "O Bode dos Chifres Ouro" é o primeiro episódio da série “Causos de medo”
Foto: Reprodução

Lendas que dão arrepio e histórias de terror passadas por gerações se traduzem em animação na série "Causos de medo", dirigida pelo cineasta Bruno Paes. Baseado em depoimentos reais, a primeira temporada do projeto traz três contos de terror piauienses, que serão lançados em episódios individuais de forma gratuita no YouTube, nesta sexta (29), sábado (30) e domingo (31). O projeto tem apoio do Sebrae Piauí. 

Cada conto é apresentado em episódios de 3 a 5 minutos, que são contadas em narrativas únicas e independentes, mas que apresentam uma coesão temática que as relaciona. Segundo o cineasta, a sensação de ouvir contos de terror é o que une as três histórias.

“Cada narrador que vai contar essa história, vai ter uma forma de contar ela. Ele tem uma vivência, então traz alguns elementos que são mais importantes para ele. Cada história é apresentada de uma forma diferente por isso. O que as liga é o fato delas serem histórias de terror que podiam estar sendo compartilhadas por um grupo específico de pessoas”. 

Na primeira temporada, a série traz a lenda de um menino desobediente que sofre as consequências de seu mau comportamento, em “O Bode do Chifre de Ouro”, o conto da mãe desesperada ao ver a filha assombrada por uma figura desconhecida, em “As visitas” e a narrativa da garota que encontra situações assustadoras quando tenta lidar com um aluno difícil, em "O Caminhão"

Parte da infância

A relação do diretor com os contos de terror começou quando ele ainda era criança. Natural de São Raimundo Nonato, município do Piauí distante 576 km de Teresina, Paes conta que ouviu as primeiras lendas ao ir visitar parentes em São Braz do Piauí, 48 km de distância da cidade onde morava.

 “O maior contato com as histórias foi por lá, principalmente porque lá demorou mais tempo a chegar energia elétrica. Era costume ficar ao redor de uma fogueira conversando até tarde nos finais de semana”, relembra.

A possibilidade de traduzir essas histórias animação foi vista pelo diretor como uma oportunidade de torná-las mais fantasiosas. A escolha pelo formato também foi motivada pela pandemia, já que não seria necessário a montagem de sets de filmagem e nem de uma grande equipe para produzir a série.

A narrativa animada permite ainda, segundo Paes, tornar esses contos mais acessíveis ao público infantil. “Tem os elementos de terror, mas as narrativas são em desenho e elas não têm violência. São bem tranquilas de serem assistidas porque justamente como eu me apeguei a esse gênero quando eu era uma criança, acho que é muito importante curtir terror quando se é criança porque se está mais suscetível à fantasia que esses elementos trazem”, explica.

Terror regional

Além da conexão pessoal com as histórias, Bruno Paes afirma que o terror é um gênero capaz de representar muitas temáticas, desde a desigualdade social à sexualidade. Outro fator interessante desse estilo audiovisual, aponta ele, é a regionalidade, a qual está presente no gênero independente da nacionalidade da produção. 

“Em cada país você percebe uma diferença cultural dentro do que é terror para eles e como eles abordam isso. Eu acho que no Brasil, as lendas são elementos muito importantes para colocar não só as conhecidas, mas também esses causos, essas vivências, principalmente do passado”, completa. 

Serviço

Causos de medo

Sexta (29), sábado (30) e domingo (31), às 18h, no YouTube




 

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