Ex-esposa de Eduardo Pazuello procura CPI da Covid para depor, diz colunista

A mulher teria enviado um e-mail listando os assuntos que poderia abordar sobre ações protagonizadas pelo ex-marido

Eduardo Pazuello
Legenda: Entre e maio de 2020 e março de 2021 ocupou a vaga de ministro da Saúde e atuou no combate à pandemia da Covid-19
Foto: Agência Brasil

A ex-esposa de Eduardo Pazuello, identificada apenas como Andréa, se ofereceu para depor na CPI da Covid. A mulher teria enviado um e-mail listando os assuntos que poderia abordar em um eventual depoimento à comissão sobre ações protagonizadas pelo ex-marido. A informação é do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.   

A CPI está avaliando o conteúdo da mensagem para decidir se irá chamá-la ou não para participar do inquérito.   

Conforme o colunista, é provável que a decisão final sobre a convocação de Andréa aconteça após uma conversa pessoal entre ela e o senador presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). A mulher mora em Manaus, Amazonas, mesmo estado que o parlamentar. 

Atualmente, Pazuello ocupa o cargo secretário de Estudos Estratégicos da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, vinculada à Presidência da República. No entanto, entre e maio de 2020 e março de 2021 ocupou a vaga de ministro da Saúde e atuou no combate à pandemia da Covid-19. O militar é investigado pela CPI. 

Pazuello na CPI  

O ex-ministro da Saúde já participou de dois dias de oitivas na comissão. Munido de um habeas corpus expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe dava o direito de permanecer em silêncio, caso entendesse que poderia criar provas contra si mesmo, o general respondeu às perguntas dos parlamentares.  

No primeiro depoimento, em 19 de maio, Pazuello falou sobre tratativas de vacinas, estrutura administrativa do Ministério da Saúde, possíveis intervenções do presidente Jair Bolsonaro, filhos e aliados em suas decisões, recomendações de tratamento precoce, crise de abastecimento de oxigênio em Manaus, entre outros assuntos relativos à pandemia.   

No entanto, a sessão foi suspensa no fim da tarde pelo presidente da CPI, Omar Aziz. O motivo, segundo ele disse em uma postagem nas redes sociais, foi início da sessão plenária do Senado. No entanto, cogitou-se que a sessão foi suspensa após o ex-ministro sofrer um mal súbito. Pazuello sofreu de síndrome vasovagal, que é uma perda de consciência momentânea, precisando ser atendido pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico.  

No dia seguinte, 20 de maio, a oitiva com Pazuello deu seguimento no Senado Federal. O segundo depoimento abordou as negociações para compra das vacinas voltaram a ser abordadas, além do colapso no sistema de Saúde de Manaus.

'Falso testemunho'

Segundo o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o militar forneceu 15 informações falsas em depoimento. Segundo o parlamentar, o general mentiu ao falar de assuntos como o uso de cloroquina, a aquisição de vacinas e a falta de oxigênio. O relator classificou a conduta do militar como criminosa, por configurar "falso testemunho"

"Ficou evidente que a missão do depoente nesta CPI não foi esclarecer a população ou colaborar para encontrarmos a verdade, mas, sim, eximir o presidente da República de qualquer responsabilidade pela condução temerária pelo Governo Federal das ações de combate à pandemia", escreveu Calheiros em documento sobre as falas de Pazuello, conseguido pelo jornal O Globo.  

A supostas mentiras ditas por Pazuello em plenário também motivaram, segundo o presidente Aziz, uma reconvocação do ex-ministro da Saúde para novo depoimento à comissão. No entanto, diferente das outras oitivas, quando foi convocado como testemunha, Pazuello agora é tratado como investigado pela CPI.