Agro Automóvel Papo Carreira Tecnologia

Trabalhador do CE tem 5ª pior renda do Brasil

Informação faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada pelo IBGE

Escrito por
Hugo Renan do Nascimento - Repórter producaodiario@svm.com.br
Legenda: A diferença de rendimento entre homens e mulheres persiste no Estado. Enquanto eles ganham R$ 1.445, elas recebem R$ 1.260
Foto: FOTO: TUNO VIEIRA

O rendimento médio mensal dos trabalhadores cearenses, de 14 anos ou mais de idade, figura como o quinto pior do País e fechou o ano de 2016 em R$ 1.370, de acordo com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgadas ontem (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os homens continuam ganhando mais que as mulheres, enquanto que brancos se sobressaem aos pretos e pardos no Estado. Segundo os dados do IBGE, os trabalhadores do sexo masculino têm rendimento médio de R$ 1.445 contra R$ 1.260 das trabalhadoras cearenses.

Já os brancos possuem rendimentos médios de R$ 1.863; pretos, R$ 1.023; e pardos, R$ 1.191. Em relação à localização geográfica, os trabalhadores de Fortaleza têm os maiores rendimentos, de R$ 2.072.

Leia ainda:

> 1% dos ricos ganha 36,3 vezes mais que metade dos pobres
> Crise eleva desigualdade econômica no Estado 
 
Já os moradores da Região Metropolitana, com exclusão da Capital, possuem rendimento médio de R$ 1.130. Os trabalhadores do Interior do Ceará ainda figuram com os piores ganhos mensais, de apenas R$ 955.

"O Estado do Ceará historicamente tem uma renda per capita inferior à média nacional por conta das condições históricas de desenvolvimento atreladas às atividades de baixo valor agregado. É preciso trabalhar com áreas de inovação e tecnologia. São essas áreas que conseguem um maior nível de renda", explica o presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon) e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Lauro Chaves.

Segundo ele, a Pnad vem reforçar o cenário de desigualdade existente no Ceará e no Brasil. "O extrato de cima da população concentra uma parcela absurda da renda, enquanto que a maior parte tem um rendimento de um salário mínimo e às vezes menor que isso", acrescenta Chaves.

O professor também explica que, para aumentar o rendimento, é necessário expandir a produtividade e os investimentos realizados em educação e infraestrutura. "Hoje nós falamos em polos de tecnologia, em atividades que agregam valor à economia. Somente com essas atividades nós vamos conseguir reduzir essas desigualdades de renda", afirma.

Na comparação nacional, o Ceará têm uma das piores médias do País. O Distrito Federal encontra-se em primeiro lugar com rendimento médio de R$ 3.738, seguido de São Paulo (R$ 2.929) e Rio de Janeiro (R$ 2.405). Na outra ponta da tabela, estão Maranhão (R$ 1.157), Piauí (R$ 1.315), Alagoas (R$ 1.332), Bahia (R$ 1.352) e finalmente o Ceará.

a

Melhora

De acordo com os dados da Pnad Contínua referentes ao terceiro trimestre deste ano, nota-se que houve uma relativa melhora no rendimento médio do Ceará na comparação com igual período do ano passado. Segundo as informações, no terceiro trimestre de 2017 o rendimento médio foi de R$ 1.382, enquanto que em igual período de 2016 foi de R$ 1.302. Também houve melhora nos rendimentos entre homens e mulheres, apesar de ainda haver diferenças.

Já em Fortaleza, conforme dados da Pnad, o rendimento médio do trabalhador subiu de R$ 1.857 para R$ 2.073 na comparação do terceiro trimestre do ano passado com igual período deste ano.

Outras fontes

Considerando a renda proveniente de todos os trabalhos e de outras fontes, dos 8,1 milhões de habitantes do Ceará, 57,6% (5,1 milhões de cearenses) tinham alguma forma de rendimento. O número de pessoas cuja fonte de renda era algum trabalho foi de 3,2 milhões no Estado (36,5% da população).

O rendimento médio no Ceará, calculado entre todas as pessoas que declararam possuir alguma renda, era de R$ 1.311. Essa média é menor que a do Nordeste (R$ 1.352) e do que a média nacional (R$ 2.053).

Considerando os rendimentos de outras fontes, o mais frequente entre os cearenses era aquele proveniente de aposentadoria ou pensão (12,9% da população do Estado). A renda oriunda de pensão alimentícia, doação ou mesada de não morador correspondia a 2,7%. Já 1% da população recebia rendimento proveniente de aluguel e arrendamento, enquanto 12,7% recebiam outros rendimentos, categoria que inclui seguro-desemprego, programas de transferência de renda do governo, rendimentos de poupança etc.

No País

No Brasil, a massa do rendimento mensal real domiciliar per capita foi de R$ 255,1 bilhões. Os 10% com menores rendimentos da população detinham 0,8% dessa massa, Os 10% com maiores rendimentos tinham 43,4%. Entre os 205,5 milhões de residentes no Brasil, 60,5% (124,4 milhões) possuíam algum tipo de rendimento. Desses, 42,4% (87,1 milhões) tinham rendimentos do trabalho e 24,0% (49,3 milhões) recebiam rendimentos de outras fontes.

Já o rendimento médio mensal de todas as fontes, que agrega a renda de todos os trabalhos e de outras fontes da população, foi de R$ 2.053. O Sudeste apresentou os maiores valores (R$ 2.461), enquanto os menores foram no Norte (R$ 1.468) e no Nordeste (R$ 1.352).

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado