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Nubank já tentou comprar banco cearense três vezes, diz CEO da "meutudo"

Empresa cearense já possui autorização do Banco Central para se tornar uma plataforma financeira com todos os serviços de mercado.

Escrito por
Paloma Vargas paloma.vargas@svm.com.br
Foto mostra no palco do almoço do Lide Ceará, na ordem, Emília Buarque, Márcio Feitoza, Marcelo Feitoza e Felipe Oquendo.
Legenda: Márcio Feitoza, ao lado dos sócios Marcelo Feitoza e Felipe Oquendo, fala da ambição da meutudo em ser uma plataforma digital completa de serviços financeiros em até três anos.
Foto: André Lima

O CEO e cofundador da fintech cearense "meutudo", Márcio Feitoza, afirmou que o gigante Nubank já tentou adquirir a empresa três vezes. Segundo ele, atualmente, o banco digital do Ceará possui 20 milhões de clientes e um portfólio de R$ 22 bilhões.

De acordo com o empresário, o interesse teria surgido quando o "roxinho" decidiu entrar no mercado de crédito consignado, em 2023. As informações foram dadas durante encontro do Grupo de Líderes Empresariais do Estado (Lide), no Hotel Gran Marquise, nessa sexta-feira (24), em Fortaleza.

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“Eles identificaram na ‘meutudo’ a única operação capaz de atuar de forma 100% digital, com uma cultura e foco no cliente idênticos aos seus", afirma Feitoza. Conforme o empresário, as ofertas foram recusadas porque a fintech cearense não gostaria de ficar limitada ao consignado. 

A empresa cearense já possui autorização do Banco Central para se tornar uma plataforma financeira com todos os serviços de mercado. Ao todo, a "meutudo" possui 700 funcionários entre as sedes de Fortaleza e São Paulo, sendo que a maioria fica no Ceará.

O Diário do Nordeste solicitou ao Nubank mais informações sobre as negociações mencionadas pelo empresário, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. Em caso de retorno, este texto será atualizado.

"Rivalidade estratégica"

Feitoza explicou que a relação com o Nubank é, ao mesmo tempo, "de admiração cultural e de uma rivalidade estratégica crescente".

Segundo o empresário, a fintech cearense detém a inteligência de crédito, mas perde o fluxo transacional, já que 35% dos clientes da "meutudo" recebem seus empréstimos em contas do Nubank.

"Não faz sentido a gente quebrar a jornada do nosso cliente desse jeito", afirmou o executivo, destacando que o objetivo, em menos de três anos, é oferecer conta corrente e investimentos para reter esse público e concorrer diretamente com o Nubank.

Atualmente, a fintech cearense oferece crédito consignado para o INSS, portabilidade, refinanciamento, antecipação do saque-aniversário do FGTS, seguros e cartões de benefício.

Abaixo, os números da "meu tudo" apresentados no evento:

  • Clientes: 20 milhões de usuários totais;
  • Portfólio (Dez/26): meta de ultrapassar R$ 25 bilhões;
  • Originação Líquida: projeção de mais de R$ 20 bilhões em novos créditos no ano;
  • Receita Bruta: expectativa de atingir R$ 4,7 bilhões;
  • Lucro Líquido: meta de R$ 500 milhões;
  • Crescimento: expansão de receita projetada em 2,5x entre 2025 e 2026. 

A aliança com o BTG Pactual

Se o Nubank tentou três vezes, o BTG Pactual foi ainda mais persistente: tentou seis vezes comprar a "meutudo", conseguindo concretizar a sociedade apenas na sétima tentativa.

Hoje, o BTG detém 48% da empresa e é o parceiro estratégico que garante o financiamento para a escala da operação. O CEO da "meutudo" explica que, nesse caso, a parceria foi estratégica para ambos, já que "o BTG, gigante no atacado, viu na 'meutudo' o seu caminho para o varejo".

"O BTG é o maior banco de investimento da América Latina, mas a posição dele com relação ao varejo ainda não é uma posição tão relevante. Ele viu na 'meutudo' uma empresa que tem um olhar muito comprometido com relação a clientes", destacou Feitoza. 

Como surgiu um banco digital cearense

A trajetória do cearense Márcio Feitoza é indissociável da história de sua família no mercado financeiro do Estado. "Eu basicamente nasci no mercado financeiro", brinca ele, lembrando que seu pai entrou no banco cearense BMC, vendido para o Bradesco em 2007.

Ele começou a trabalhar aos 16 anos na financeira montada pelo pai e viu de perto a evolução do setor. Desde a criação da "meutudo", ele tem como cofundadores o irmão, Marcelo Feitoza, e o amigo Felipe Oquendo.

Feitoza começou sua fala deixando claro que "tem um banco no Ceará, com uma conta de 20 milhões de pessoas e com um olhar muito claro de como extrair eficiência operacional para gerar resultados para a pessoa no final do dia".

Ele também acredita que estar no Ceará é uma vantagem competitiva e defende a competência local. "A gente não deve nada para as empresas do Sul e do Sudeste", afirma. 

Imagem posada de Emília Buarque e Márcio Feitoza.
Legenda: Presidente do Lide Ceará, Emília Buarque e o CEO da meutudo, Márcio Feitoza.
Foto: André Lima.

Para a presidente do Lide Ceará, Emília Buarque, a palestra do empresário foi importante para discutir sobre endividamento no País e possíveis caminhos. "Nós temos aqui uma empresa cearense que traz uma alternativa um pouco mais saudável do que o que tradicionalmente ocorre", afirmou.

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