"É uma anomalia e um desrespeito com o Nordeste", diz Danilo Forte sobre leilão de R$ 515 bi
Deputado federal critica homologação do leilão mesmo após decisão contrária da Justiça do Ceará.
"A impunidade reina no Brasil". Assim o deputado federal Danilo Forte (PP-CE) define a homologação do polêmico leilão de energia de R$ 515 bilhões pela Aneel, mesmo após decisão da justiça do Ceará de suspender o processo.
Um dos nomes mais atuantes no Congresso Nacional em prol das energias renováveis, Forte classifica o leilão como uma "anomalia" que vai prejudicar intensamente o Nordeste.
"É um desrespeito para com o Nordeste brasileiro. A impunidade reina no Brasil. O juiz federal no Ceará manda suspender a efetivação do leilão e simplesmente se descumpre", diz o deputado.
Solar e eólica perdem
Segundo ele, a decisão da Justiça estava bem embasada, pois o leilão "discrimina a geração da energia do sol e do vento, tira do processo a possibilidade de armazenar energia em baterias e privilegia a energia térmica a carvão, inclusive, com uma manobra de se dizer que as usinas vão ser no Nordeste - e, na verdade, já estão transmitindo uma usina do Piauí para o Rio de Janeiro".
Para Forte, trata-se "de uma coisa totalmente doentia do ponto de vista técnico qualquer possibilidade de esse leilão vigorar, porque ele foge de tudo que é razão e transparência num leilão público".
Pontos não esclarecidos
O consultor de energia da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Jurandir Picanço, afirma que recaem sobre o leilão questionamentos não esclarecidos.
"Primeiramente, com relação à quantidade contratada. Muitos desses contratos poderiam ser substituídos por baterias, que são mais econômicas e não poluentes; também o valor contratado. Por reclamação dos participantes, o governo mudou o valor para o dobro do que estava sendo previsto inicialmente, sem explicações; terceiro, a contratação de usinas a carvão, com carvão subsidiado, quando todos os países estão buscando a eliminação do carvão, o Brasil que tem hidrelétrica, solar e eólica, não precisaria dessa contratação", analisa o especialista.
"Teve o Mensalão, o Petrolão e agora o Eletrolão"
Danilo Forte afirma que o certame ocasionará aumento na conta de energia para consumidores residenciais e empresas. "A indústria brasileira vai aumentar em 20% a conta de energia e agora cria um encargo de quase R$ 70 bilhões por ano a partir de 2030. O Brasil está sendo roubado novamente. Vai ser o próximo escândalo. Teve o Mensalão, o Petrolão e agora o Eletrolão", critica o parlamentar.
No Ceará, ressalta ele, isso tende a aumentar o desemprego no setor de energia renovável. "Todo o entusiasmo que se tinha no setor vai por água abaixo".
Colaborou Flávia Rabelo, de Brasília.