Finalmente, um técnico no desenvolvimento econômico do Ceará
Fábio Feijó, titular da SDE há dois meses, encantou os empresários da agropecuária pelo profundo conhecimento que tem da economia cearense
Vinte e seis empresários cearenses da agropecuária reuniram-se na segunda-feira, 8, com o secretário do Desenvolvimento Econômico (SDE) do governo do Ceará, economista Fábio Feijó, que durante duas horas disse, primeiro, quem é e, em seguida, se expôs às perguntas do auditório, com o qual trocou ideias como se ambos se conhecessem e interagissem cordialmente há anos.
Este colunista, que testemunhou o evento, não tem dúvida de afirmar que os agropecuaristas se encantaram com o novo titular da SDE 1) pelo seu perfeito e fluente domínio das questões ligadas à economia primária do Ceará – nos últimos anos, essa pasta eminentemente técnica foi ocupada por políticos sempre de olho na próxima eleição – 2) pela maneira senhorial com que falou de sua carreira profissional (foi executivo de grandes empresas estrangeiras e nacionais, entre as quais a Vale) e da economia estadual e nacional, 3) por dar respostas objetivas a todas as questões levantadas pelos presentes e 4) por parecer sério. Feijó tem 54 anos.
Saudado pelo coordenador do grupo, Tom Prado, e por um dos seus fundadores, Jorge Parente, o secretário Fábio Feijó, que até recentemente foi presidente da ZPE-Ceará, disse que, desde tenra idade, sonhava em ser executivo de uma multinacional. Mas logo percebeu que no Ceará isso seria muito difícil.
Com o diploma de economista na mão, viajou para São Paulo, onde foi executivo de empresa estrangeira até chegar à Vale, a serviço da qual conheceu meio mundo, inclusive a Ásia, onde dirigiu um braço da grande empresa mineradora brasileira. Mas, “com a graça de Deus”, voltou ao Ceará e chegou à presidência da ZPE, que lhe abriu os olhos para o enorme potencial da economia cearense, e de onde saiu para ocupar a posição de hoje.
Feijó não tem a menor dúvida de que o conjunto de grandes empreendimentos que já se erguem e que se erguerão na área do Complexo Industrial e Portuário do Pecém “é inimaginável”, citando o Data Center da chinesa ByteDance, dona da TikTok e da sua versão exclusiva para o mercado chinês, a Douyn. E fez uma revelação que surpreendeu os que o ouviam:
“A área a ser ocupada pelo Data Center da ByteDance, em construção acelerada, é seis vezes maior do que a do shopping RioMar Fortaleza, que tem 93 mil metros quadrados de área bruta locável. É algo que impressiona já nesta fase atual de construção”.
Depois, ele abordou outra questão sobre o mesmo tema: como será um empreendimento que operará sempre na ponta da mais alta tecnologia, o Data Center da ByteDance, terá de trocar, periodicamente, seus equipamentos por outros tecnologicamente mais avançados. Isto obrigará a empresa a trazer da China esses equipamentos, que serão transportados por grandes aviões.
“Essas aeronaves virão da China totalmente carregados e terão de retornar também cheios de mercadorias, e aqui entra a grande oportunidade para as empresas da indústria e do agro do Ceará”, disse ele.
Tom Prado, CEO da Itaueira Agropecuária, e Luiz Roberto Barcelos, da Agrícola Famosa, que produzem e exportam melão e melancia para a Europa e Estados Unidos, logo disseram ao secretário que estão muito interessados em vender seus produtos para o mercado chinês, aproveitando essa milionária ponte aérea que ligará Fortaleza aos principais destinos da China.
Mostrando-se bem-informado sobre todos os aspectos da economia cearense e falando com desembaraço a respeito deles, Fábio Feijó abordou a Ferrovia Transnordestina e o efeito que ela já começa a provocar na economia cearense. E lincou essa estrada de ferro ao Arco Metropolitano, a rodovia de pista dupla, com projeto executivo acabado e pronto para licitação, que ligará a BR-116, em Pacajus, ao Porto do Pecém. Na sua opinião, a primeira grande consequência desses dois empreendimentos será a redução do custo e o aumento da produtividade dos modais ferroviário e rodoviário. O frete cairá espetacularmente, disse Feijó.
Os empresários anfitriões e o secretário da SDE também trataram de um gargalo que enfrenta o agro cearense: o da energia elétrica. Os dois lados decidiram unir força com a Enel Ceará Distribuição, cujo presidente José Nunes foi elogiado pelo esforço que tem feito no sentido de consertar o que falta, mesmo se confrontando com decisões do comando da empresa, que tem sede na Itália.
Resumindo: os líderes do agro do Ceará, ao final da reunião, abriram um sorriso de otimismo diante do novo comandante da SDE.
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