Granjeiro, no Cariri cearense, é a cidade com o menor potencial de consumo do Estado. Conforme dados da pesquisa IPC Maps 2026, os granjeirenses podem movimentar R$ 94 milhões a partir do consumo de bens e serviços.
Segundo as informações disponibilizadas pelo IPC Maps 2026, o município até melhorou a posição nacionalmente, mas mantém-se como a única das 184 cidades cearenses com potencial de consumo dos cerca de 4,8 mil moradores abaixo de R$ 100 milhões.
O município tem a menor população do Estado e o menor Produto Interno Bruto (PIB), conforme dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Logo após Granjeiro, aparece Potiretama, no Vale do Jaguaribe. O potencial de consumo do município chegou a R$ 109 milhões. Baixio, no Centro-Sul, vem com o terceiro menor indicador, acumulando R$ 117 milhões.
Ao todo, o Ceará tem 150 municípios com potencial de consumo abaixo de R$ 1 bilhão. Fortaleza tem, disparadamente, o maior indicador do Estado e o sétimo do País, com mais de R$ 91 bilhões.
Confira a lista:
| Posição estadual | Município | Potencial de consumo (em R$) |
| 184º | Granjeiro | R$ 94 milhões |
| 183º | Potiretama | R$ 109 milhões |
| 182º | Baixio | R$ 117 milhões |
| 181º | Guaramiranga | R$ 119 milhões |
| 180º | General Sampaio | R$ 127 milhões |
| 179º | Ereré | R$ 127 milhões |
| 178º | São João do Jaguaribe | R$ 132 milhões |
| 177º | Pacujá | R$ 133 milhões |
| 176º | Umari | R$ 137 milhões |
| 175º | Tarrafas | R$ 139 milhões |
Baixa população está relacionada com potencial de consumo menor, diz especialista
O economista Alex Araújo faz uma correlação entre o baixo potencial de consumo dos municípios com a população. Nenhum deles tem mais do que 7,4 mil habitantes, o que estimula um menor poder de compra em comércio e serviços.
"Os estudos de potencial de consumo normalmente se utilizam de dados como população, PIB municipal, emprego formal, volume de transferências (aposentadorias, Bolsa Família etc.), de modo a estimar a renda familiar e, portanto, o consumo potencial", expõe.
Para o especialista, o índice do IPC Maps 2026 traz "apenas uma dimensão da desigualdade", respaldada pela desigualdade regional nas cidades do Estado.
"Existe uma enorme desigualdade de renda no Ceará, com maior concentração de famílias ricas em Fortaleza e em Eusébio", classifica.
Ele trata Guaramiranga como exceção, pois afirma que o índice não consegue captar com clareza o elevado grau de informalidade no município, característica de municípios essencialmente turísticos.
"Como há grande informalidade, provavelmente, os dados não refletem a realidade econômica do potencial de consumo de lá", pontua.