Setor de franquias no Ceará inicia recuperação e faturamento cresce 6,6% no 1º trimestre

Setores de comércio e distribuição de alimentação, além de beleza, saúde e bem estar, permanecem sendo os destaques no Estado

Legenda: Ramo de alimentação é um dos mais procurados para franquias
Foto: Kid Jr.

As franquias no Ceará estão recuperando o desempenho afetado pela pandemia. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento geral das unidades instaladas no Estado cresceu 6,6% em relação a igual período de 2020, atingindo R$ 844,5 milhões. No entanto, ainda há saldo negativo em alguns setores.

O número de unidades também apresentou leve avanço de 0,2% no período, totalizando 3.503 franquias, segundo balando da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

O diretor regional da instituição, Candido Espinheira, ressalta que, apesar da quase estabilidade no número de unidades, a variação é condizente com as restrições mais duras devido à segunda onda da pandemia. Além disso, a procura pela modalidade tem sido crescente, o que deve se refletir no balanço do segundo trimestre, ainda em andamento.

"Muita gente está aproveitando para fazer expansão nesse momento. E há expectativa muito grande para que, logicamente com o avanço da vacinação, já tenhamos um último trimestre do ano bastante forte. Então, quem estiver preparado com boas negociações, com bons pontos, estoque, bem preparado para o final do ano, vai conseguir colher bons frutos com a reabertura total do mercado", pontua.

Oportunidade

Um dos fatores que têm impulsionado o desempenho do setor é a necessidade de recolocação no mercado de trabalho. Conforme Espinheira, pessoas que ficaram desempregadas durante a pandemia, ou não se identificam mais com o propósito dos empregadores, estão enxergando no empreendedorismo de franchising uma alternativa.

Outro ponto que beneficia a atividade é a alta disponibilidade de pontos comerciais e os preços competitivos que acompanham essa oferta elevada.

"A gente tem sentido uma procura muito forte por aquisição de novas franquias, principalmente quando a gente tem um mercado com muita oportunidade, por conta da vacância de muitos pontos. Os novos franqueados estão conseguindo negociações bastante vantajosas por conta dessa grande vacância existente", explica o diretor regional da ABF.

Ele acrescenta que as vantagens de negociação em aluguel, por exemplo, irão fazer diferença na unidade por vários anos, tendo em vista que os contratos são de longo prazo.

Segmentos

Entre os diversos segmentos de franquias no Ceará, as de alimentação, comércio e distribuição foram as que alcançaram melhor recuperação, com crescimento de 62,8% no primeiro trimestre. Em seguida, aparecem as unidades de saúde, beleza e bem estar (30%) e comunicação, informática e eletrônicos (25,7%).

"O Ceará teve uma boa representatividade no comércio em geral. A gente percebeu que cresceu muito a partir de serviços", afirma Espinheira.

Já no sentido contrário, entretenimento e lazer ainda registraram uma queda de 47,% no faturamento entre janeiro e março, na comparação com o mesmo período de 2020. Também apresentam dificuldades em termos de faturamento hotelaria e turismo (-35,5%), alimentação - food service (-17%), serviços automotivos (-12,9%) e serviços educacionais (-11,5%).

Confira a variação do faturamento de franquias por segmento no Ceará:

  1. Alimentação - Comércio e Distribuição 62,8%
  2. Saúde, Beleza e Bem Estar 30%
  3. Serviços e outros negócios 28,3%
  4. Comunicação, Informática e Eletrônicos 25,7%
  5. Moda 4,9%
  6. Casa e Construção -5,1%
  7. Limpeza e Conservação -6,3%
  8. Serviços educacionais -11,5%
  9. Serviços automotivos -12,9%
  10. Alimentação - Food Service -17%
  11. Hotelaria e Turismo - 35,5%
  12. Entretenimento e Lazer -47%

Empregos diretos

Mesmo com o início da recuperação do setor, o quadro de funcionários da atividade no Estado reduziu em 4,6% no primeiro trimestre. Das 12 atividades monitoradas pela ABF, nove fizeram algum tipo de corte no número de colaboradores.

Entretenimento e lazer, segmento com o faturamento mais prejudicado, também foi o que mais registrou perda de postos diretos, alcançando redução de 49,8%. Também chama atenção cortes em comunicação, informática e eletrônicos (-32,7%), casa e construção (-24,9%) e serviços automotivos (-21,5%).

"Você repara que o que puxou bastante pra baixo foi a parte de entretenimento e lazer, que foi bastante prejudicada. Então, essa área teve que diminuir as despesas. As coisas já não estavam fáceis, não fazendo nada era pior, não adiantava segurar a mão de obra sem ter aonde colocar", justifica Espinheira.

Ele também pontua que as atividades nas quais a mão de obra tem uma representatividade maior nos custos foram as que mais precisaram reduzir o quadro. No entanto, as contratações já começam a ser observadas novamente, tendência que deve se intensificar ao longo do segundo semestre.

Interiorização

Outro movimento que tem sido observado no mercado de franchising é a abertura de unidades no Interior, em localidades onde antes as marcas não se interessavam em operar.

"A Capital é bem mais desenvolvida, mas a gente também vê um movimento de interiorização, de muitas franquias estarem procurando o Interior do Estado. Esse fenômeno não aconteceu só no Ceará. Em vários estados do Nordeste a gente percebeu as franquias indo mais pro interior", destaca.

O diretor regional da ABF revela que algumas marcas até já criaram modelos de franquia mais compactos para atender cidades do Interior com população menor.

Investimento e crédito

O investimento necessário para a abertura de uma franquia varia muito do segmento e da marca pretendida. Espinheira pontua que há opções para todas as atividades e todos os bolsos, desde unidades que custa R$ 5 mil a outras que requerem milhões.

Com relação ao acesso ao crédito para financiar esses negócios, ele ressalta que, dependendo do momento, a concessão pode ser mais fácil ou mais difícil.

"Agora mesmo o Governo voltou com o Pronamp. Era uma coisa que tava fazendo falta e a gente espera que consiga dar um apoio pra mais gente. Então, agora é um bom momento pra ir atrás de crédito. Quando o mercado tá fechado, o banco também fica com medo de conceder crédito. Acho que quando a coisa vai voltando, naturalmente tudo vai entrando nos eixos", afirma.

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