Setor de franquias cresce no Ceará mesmo com pandemia; saiba áreas mais buscadas

O número de unidades franqueadas chegou a 2.509 no período, 14% a mais que as 2.193 em atividade registradas no terceiro trimestre de 2019

Legenda: Ramo de alimentação é um dos mais procurados para franquias
Foto: Kid Jr.

Mesmo com o cenário adverso imposto pela pandemia do coronavírus, o setor de franquias no Ceará apresentou crescimento no terceiro trimestre de 2020. O número de unidades franqueadas chegou a 2.509 no período, 14% a mais que as 2.193 em atividade registradas no terceiro trimestre de 2019. No Estado, também cresceu o número de redes franqueadoras: foram contabilizadas 478 no terceiro trimestre ano passado contra 463 em igual período de 2019, crescimento de 3%.

Os dados são da Associação Brasileira de Franchising e mostram ainda que os segmentos de alimentação e de serviços e outros negócios foram os principais destaques em crescimento. Os serviços e outros negócios cresceram 57,4% em número de unidades franqueadas, chegando a 170 no terceiro trimestre deste ano.

As unidades franqueadas no setor de alimentação passaram de 592 no terceiro trimestre de 2019 para 766 em igual período de 2020, crescimento de 29,4%. Esse segmento é predominante no mercado de franquias cearense: 30,5% das unidades no Estado são de alimentação.

Em seguida, aparecem os segmentos de:

  • Saúde, beleza e bem estar (24,6%);
  • Moda (10,4%);
  • Serviços educacionais (8%);
  • Casa e construção (7,3%);
  • Serviços e outros negócios (6,8%);
  • Comunicação, Informática e Eletrônicos (5%);
  • Serviços automotivos (3,9%);
  • Hotelaria e turismo (1,8%);
  • Limpeza e conservação 1,3%);
  • Entretenimento e lazer (0,5%).

Para o diretor da associação na região Nordeste, Cândido Espinheira, o crescimento em unidades de franquias está ligado à falta de emprego. "A gente tem percebido que o setor de franquias tem sido uma oportunidade para as pessoas que perderam o emprego no momento da pandemia. Muitas recorrem ao sistema de franquia por ser um modelo seguro de investimento", explica.

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Ele também pontua que o franchising se tornou uma alternativa para os empregados que não estavam satisfeitos ou alinhados aos objetivos das empresas nas quais trabalhavam. "Essas pessoas foram buscando se tornar franqueadas de negócios mais alinhados aos seus propósitos pessoais", conta Espinheira.

Omnichannel

O diretor da ABF no Nordeste avalia que, nesse contexto de pandemia e crescimento no número de redes de franquias e unidades franqueadas, os negócios com um viés omnichannel (vendas multicanal) se destacaram. "Houve um crescimento da venda online para todos, mas quem já estava estruturado com esses canais digitais aproveitou para sair na frente", detalha.

"O ramo de restaurantes já tinha essa vocação de delivery, então as empresas do ramo que dependiam menos do espaço físico sofreram menos", explica Cândido Espinheira.

Apesar do crescimento em número de unidades e em número de redes, o faturamento das franquias no Ceará totalizou R$ 884 milhões no terceiro trimestre de 2020, queda de 6% ante os R$ 935 milhões apurados pelo setor em igual período de 2019.

"Isso aconteceu nacionalmente por contas das restrições impostas com os decretos municipais e estaduais, já que os horários de funcionamento ficaram limitados. Caíram as receitas, mas as despesas também foram negociadas", diz Cândido Espinheira.

Perspectivas

Apesar do forte crescimento das vendas digitais, ele acredita que o momento atual é positivo para quem quer se tornar um franqueado ou expandir a sua franquia principalmente porque a alta vacância tem barateado os contratos de aluguéis em espaços físicos.

No Ceará, ele avalia que os shoppings sempre foram espaços que se destacam quanto ao interesse das franquias para estarem nesses locais, mas lembra que o comércio de rua vem ganhando força. Esse movimento de apoiar quem é pequeno tem essa característica do negócio de bairro, mas às vezes aquela franquia com um nome tem por trás um empresário que é da própria região", diz.

"No momento, o ponto é de inflexão. É possível aproveitar esse baixo custo de ocupação dos espaços. Então o cenário é oportuno não só para entrar nesse meio, mas para expandir", detalha o diretor da ABF no Nordeste.

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