Setor de flores do CE aposta em produtos com maior valor agregado

Área plantada foi reduzida devido à estiagem e os produtores optaram por espécies mais exóticas, cujo preço de mercado é superior às demais, visando a exportação e justificando o investimento no cultivo

Com a queda da produção de flores e rosas no Ceará, em decorrência da seca, o setor de plantas ornamentais aposta na produção de itens de maior valor agregado para compensar a redução da área plantada e fazer com que o Estado volte a ser um dos principais exportadores de plantas vivas e produtos de floricultura do País. Para isso, a consolidação de Fortaleza como um centro de conexões (hub) de voos internacionais será um dos fatores que darão vantagem competitiva aos produtores locais.

"Como o Ceará tem um problema hídrico, a gente tem que produzir, cada vez mais, itens de valor agregado mais alto para aumentar a receita do setor. Afinal, o Estado não tem condição de produzir em grandes escalas", diz o presidente da Associação dos Produtores de Flores e Plantas Ornamentais do Ceará (Floresce), Gilson Gondim. "E, no próximo ano, a gente vai ter condições de mensurar o impacto do hub, que facilitou o acesso aos nossos clientes".

Impacto da seca

Desde 2014, quando teve início a atual crise hídrica no Estado, a produção vem caindo ano após ano. As exportações cearenses de plantas vivas e produtos de floricultura, que somaram US$ 3,8 milhões naquele ano, passaram para US$ 221 mil em 2017. E de janeiro a novembro deste ano, o valor caiu para US$ 165 mil. Até 2015, o Ceará era o segundo maior exportador do País neste segmento, atrás apenas de São Paulo. Neste ano, o Estado ficou na sexta posição.

Para se ter uma ideia da retração do setor, em 2014, o Ceará respondia por 16% das exportações brasileiras e em 2017 a participação do Estado ficou em apenas 1,7%. "A produção caiu bastante em relação a 2014. Houve uma dificuldade muito grande para os produtores de bulbos de amarílis, que praticamente pararam a atividade por falta de água", lamenta Gondim.

"Mas as crises ajudam a encontrar soluções. Estamos fazendo trabalho com a Adece e com a Embrapa para introduzir novos cultivados da floricultura, de plantas com maior valor agregado", observa.

Atualização

A ideia é que, por meio da Agência do Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), os produtores importem novas variedades de flores, de maior valor agregado. "No Ceará ainda se produz algumas coisas que não estão bem atualizadas. Então, vamos importar alguns cultivados para os produtores locais terem acesso a produtos de última geração".

Exportações

Segundo Gondim, até maio deste ano, quando a Air France e KLM iniciaram suas operações em Fortaleza, uma mercadoria poderia levar por volta de 40 horas para chegar à Holanda. Hoje, o trajeto é feito em menos de 10 horas. "O frete aéreo para os Estados Unidos já existia com uma certa facilidade, mas, agora, diminuímos o tempo também para a Europa", ressalta.

Em 2018, o principal comprador internacional de flores cearenses foi mercado norte-americano, com US$ 131,1 mil, seguido pela Holanda (US$ 26,2 mil) e Canadá (US$ 7,8 mil). Em 2014, a Holanda foi o principal comprador, com US$ 2,1 milhões, seguido pelos Estados Unidos (US$ 1,3 milhões), Canadá (US$ 253,1 mil) e Dinamarca (US$ 45,0 mil).

Mercado

Outra iniciativa que deverá favorecer o setor, é o Mercado das Flores de Fortaleza, cuja inauguração estava inicialmente prevista para 2017, mas que deve ser finalmente entregue no início de 2019. Uma das vantagens, para os produtores, é a possibilidade de vender seus produtos diretamente ao consumidor final. O empreendimento, localizado na Praça Joaquim Távora, na Avenida Pontes Vieira, terá 1,1 mil metros quadrados de área com cerca de 40 lojas.

"Acredito que em janeiro ou fevereiro ele estará concluído. Será um ponto de referência de turismo e vai incentivar o setor da floricultura a expor o seu produto à população".

 

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