Réveillon: sem festa tradicional, hotéis projetam ocupação de 60%

A Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis Ceará (Abih) acredita em aceleração "moderada" no período mais próximo ao Réveillon, com busca de última hora dos viajantes. Turismo doméstico impulsiona procura

Reveillon Fortaleza
Foto: José Leomar

Oficializada a decisão de não realizar a tradicional festa de Réveillon em Fortaleza, conforme informado em primeira mão pelo prefeito Roberto Cláudio ao Sistema Verdes Mares, no último domingo, o setor hoteleiro ainda aguarda ocupação em torno de 60% - capacidade máxima permitida pelo decreto estadual - na Capital no período de fim de ano. A expectativa é de que o interesse turístico pelas alternativas naturais da cidade se mantenha, já que a realização de grandes eventos está descartada em todo o País.

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"Lógico que terá um impacto, não é aquela grande festa, e não estamos, até o momento, liberados para funcionar na capacidade total dos hotéis. Esperamos que isso flexibilize um pouco, mas as pessoas pensarão em viajar. Não no mesmo volume e grau que era, mas muita gente vai viajar, porque o Réveillon não é só a noite, é a época, o período, as pessoas saem como quem sai para um feriado prolongado e aproveitam aqueles dias", avalia o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis Ceará (Abih-CE), Régis Medeiros.

Ele aponta como alternativa de atração para os hotéis a realização de confraternizações controladas dentro dos espaços privados.

"Vamos aguardar as determinações do Governo. Mas os hotéis irão fazer para seus hóspedes uma ceia ou jantar, mantendo o distanciamento das mesas, alguma música tocando ali na hora, as pessoas vão brindar, passear na praia", projeta.

Para Ivana Bezerra, presidente do Visite Ceará-Fortaleza Convention & Visitors Bureau (FC&VB), um agravante é o medo que as pessoas têm, no momento, de se comprometer com passagem, hospedagem e pacotes, diante da instabilidade causada pela pandemia da Covid-19.

"Cada hotel está trabalhando, digamos, o seu jantar de Réveillon. Nem mesmo festa a gente tá podendo programar pelo fato de não sabermos como vão estar os decretos até lá. Como é uma situação que a gente não tem como programar de última hora, então muita gente vai ficar sem poder fazer festa", observa.

Medeiros, presidente da ABIH, acredita em uma aceleração moderada de última hora. "Movimento, lógico, que deve ser aquém do normal, mas esperamos que tenhamos um aquecimento moderado, não lotado, mas algum tipo de movimento. Todo mundo está no compasso de espera, é muita incerteza", diz.

Litoral movimentado

Atualmente, a ocupação hoteleira em Fortaleza varia entre 30% e 40%. É possível falar em recuperação do setor no litoral do Ceará, segundo Medeiros, com o movimento registrado nos últimos feriados.

"Os hotéis do litoral estão tendo procura muito forte, houve queda porque tiveram que fechar, mas quando reabriram vimos uma procura muito grande".

A avaliação do presidente da ABIH é de "prejuízo gigante" em 2020, resultante do período de isolamento em decorrência da pandemia e da ocupação limitada nos hotéis.

"O faturamento da hotelaria esse ano foi menos que a metade. Perda de 50% a 60% em relação a 2019", afirma. No ano passado, o Réveillon de Fortaleza se consolidou como a segunda maior festa do País em impacto econômico, com movimentação financeira em torno de R$ 1,8 bilhão. A taxa de ocupação hoteleira divulgada pela Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor) na época foi de 96%.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal do Turismo de Fortaleza disse que não há definição sobre como será a virada do ano.

Restaurantes

A festa da virada também gera expectativas de maior movimento nos restaurantes da Capital, com permissão para funcionar, atualmente, até as 23h, e restrição de 50% da capacidade.

"Foi algo que gerou uma expectativa de aumento de demanda para os restaurantes, até porque as pessoas que virão a Fortaleza não vão poder ir até a praia para curtir o Réveillon e vão acabar procurando esses outros espaços, ou até hotéis e tudo mais", adianta o diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto.

Porém, com as determinações do decreto de isolamento do Governo Estadual, necessárias para evitar a proliferação da Covid-19, a projeção de empresários do setor não é favorável.

"A gente não vai poder fazer um evento de porte que receba esses turistas. Vamos ter uma limitação de atendimento até as 23h, por exemplo, sendo que o Réveillon se comemora na virada do ano, né? Eu acho que isso pode ajudar os restaurantes que fornecem ceias, comida. Os outros estabelecimentos ainda estão numa incógnita muito grande de como isso vai ser".

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