Paralisação de caminhoneiros pode encarecer combustíveis e alimentos; Ceará não registra bloqueios

Temor é que o movimento, que está em seu segundo dia seguido no País, afete o abastecimento de produtos essenciais no Estado

Legenda: Especialistas temem que a prorrogação do movimento afete o abastecimento de alimentos no Ceará, como carne, tomate, óleo e cebola
Foto: Lucas Barbosa

O bloqueio de vias pelo País por caminhoneiros bolsonaristas chegou ao segundo dia consecutivo e, apesar de o Ceará ainda não ter sido afetado pelas paralisações, especialistas já temem que um possível prolongamento da situação alavanque os preços de combustíveis e alimentos, produtos que já têm passado por uma aceleração do processo inflacionário.

O presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, avalia que a prorrogação do movimento pode afetar o abastecimento e, consequentemente, os preços de produtos que vem de fora do Estado, como óleo, carne, tomate e cebola. “Os grandes efeitos seriam em relação ao desabastecimento e à inflação, que já está em alta”.

De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a inflação de Fortaleza desacelerou a 0,43% em agosto e, no ano de 2021, acumula alta de 6,54%. É a terceira maior alta entre as regiões metropolitanas brasileiras, atrás de Curitiba (PR) e Vitória (ES).

O consultor na área de Petróleo e Gás, Bruno Iughetti, também teme pelo impacto dos bloqueios nos preços de combustíveis, caso haja agravamento dos bloqueios e paralisações - o que também impactaria os preços dos alimentos.

“Essa possível paralisação aqui no Estado, a exemplo do que estamos vendo em outras localidades, pode evidentemente trazer um efeito negativo para o abastecimento de combustíveis, que é um produto que deve ser tratado de maneira diferente das demais mercadorias. Nós dependemos do combustível para movimentar a máquina econômica”, frisa Iughetti.

Ele lembra que, até o momento, não se tem notícia de qualquer paralisação ou bloqueio que tenha afetado o abastecimento de combustíveis no Estado, mas pontua que a situação preocupa. “É um efeito em cadeia. Na hora em que o combustível aumenta por razões nem sempre justificadas, isso faz com que toda a cadeia sofra”, arremata Iughetti.

Supermercados

Apesar do temor dos especialistas sobre os possíveis efeitos dos bloqueios na economia cearense, a tensão ainda não chegou ao setor de supermercados. De acordo com Gerardo Vieira, da diretoria da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), “a situação ainda não despertou preocupação entre os supermercadistas por se tratar de algo muito inicial”. “Ainda é um movimento muito novo, começou ontem”, justifica Vieira.

José Tavares Filho, vice-presidente do Sindicato dos Caminhoneiros no Ceará (Sindicam-CE) - entidade que representa os caminhoneiros que trabalham em regime CLT - revelou no início desta manhã à reportagem que ainda não se tem notícias de paralisações ou bloqueios no Estado e ressalta que o movimento é dos caminhoneiros autônomos, e não entre os celetistas.

“A parte celetista está toda tranquila e o que estamos vendo é uma movimentação de caráter político, e não reivindicatório”, pontua Tavares.

Celetistas temem

Ele destaca, porém, que os caminhoneiros celetistas têm medo de como a movimentação pode afetá-los, já que os relatos são de depredação dos veículos e até mesmo agressão aos caminhoneiros que tentarem furar os bloqueios, conforme lembra Tavares.

“Muitos me ligaram reclamando, pedindo uma orientação sobre o que fazer e eu aconselho que, se for o caso, eles devem ficar em local seguro e parados”, explica o vice-presidente do Sindicam-CE.

Ele avalia que a pauta joga a sociedade de encontro com a categoria. “Os caminhoneiros em todo o País estão com medo, estão sendo parados obrigatoriamente. Estão depredando patrimônio, furando pneus e até de fato espancando, como soubemos que ocorreu no Paraná e em Minas Gerais”, acrescenta o vice-presidente do Sindicam-CE.

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