Pacote não deve evitar falências, avalia setor produtivo

Legenda: "No início de um processo de recuperação econômica, a taxa de desocupação pode aumentar. É provável que a taxa de desemprego continue alta, mas não por uma piora do mercado de trabalho", explicou Marco Cavalcanti, diretor adjunto de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea
Foto: Foto: Natinho Rodrigues

Apesar da excelente recepção aos incentivos estaduais, é quase consenso que as medidas não serão suficientes para evitar a falência de empresas. Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), lembra que as facilitações estão apenas no âmbito estadual, ainda restando as exigências nas instâncias municipais e federal, além de outros fatores relacionados ao próprio mercado. “É como ir ao médico e olhar apenas o pulmão. Ainda tem o restante do corpo, que pode estar comprometido”, argumenta. 

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro, acrescenta que o pacote é uma espécie de remédio e, para algumas empresas, pode ser que “a doença” esteja “avançada demais para a medicação fazer efeito”. “Algumas empresas antes da pandemia já estavam passando por momentos difíceis. A situação já não era boa, estávamos em um processo de recuperação. A pandemia veio e tratou de acabar com elas, antecipando o encerramento das atividades dessas empresas. Claro que a paralisação contribuiu para isso, mas não vou atribuir tudo a isso”, avalia. 

“É um momento muito difícil. O pacote não resolve tudo”, acrescenta o presidente da FCDL-CE. 

A dificuldade de acesso a crédito, considerado fundamental para a recuperação econômica que se almeja, é apontada por ele como um dos principais gargalos a serem enfrentados ainda. Cordeiro revela que os recursos continuam sem chegar na ponta da cadeia. “Os bancos não estão dando dinheiro, estão emprestando, e há uma expectativa de retorno nessas operações. Com isso, há certas exigências que dificultam o acesso, principalmente porque as empresas se encontram em um momento difícil”, detalha. 

Ele ainda acredita que o refinanciamento dos débitos com o Governo estadual possa contribuir para a melhora desse acesso ao crédito, uma vez que as empresas regularizariam as dívidas e poderiam emitir certidão negativa. Consequentemente, o cadastro dos contribuintes na base de dados das instituições financeiras teria melhora da pontuação, o chamado score. “O maior problema do setor empresarial hoje é crédito. Pacotes do Governo Federal estão vindo, mas não chegam na conta das empresas. Precisamos de crédito para a micro, pequena, média e grande empresa”, acrescenta Ricardo Cavalcante, presidente da Fiec.