O que se sabe sobre a chegada Dolce & Gabbana, primeira loja de alto luxo do Ceará?
Será a segunda loja da marca no Nordeste.
A Dolce & Gabbana, marca italiana de alto luxo, irá inaugurar uma loja no shopping Riomar Fortaleza, sendo a primeira desse padrão na Capital cearense. Com uma estrutura de 256m², a previsão de abertura da unidade é para o primeiro trimestre de 2026.
Essa será a segunda loja da marca no Nordeste e o terceiro empreendimento na região. Além de uma unidade em Recife, há uma pop-up store no shopping Iguatemi Bosque, em Fortaleza, dedicada à venda exclusiva de acessórios.
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A marca de grife nasceu em Milão, na Itália, com o sobrenome dos dois estilistas responsáveis por sua criação: Domenico Dolce e Stefano Gabbana. Seu catálogo é mundialmente conhecido pelo luxo italiano, com opções de roupas para adultos e crianças, acessórios, maquiagens e bolsas.
O Diário do Nordeste entrou em contato com a assessoria da grife para obter informações sobre investimentos e expectativa de empregos, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. Em caso de retorno, o texto será atualizado.
Por que o Ceará?
Roberto Kanter, professor do programa Master in Business Administration da Fundação Getúlio Vargas (MBA-FGV), explica que a Capital está vivendo um “ciclo de fortalecimento do consumo premium”. Desejo aspiracional forte, consumo espontâneo ligado à moda e beleza e valorização da expressividade.
É assim que Kanter define os elementos de luxo que circulam a atual essência alencarina - características que combinam com a grife. Junto ao varejo organizado e ao tráfego consistente, esses são pontos de destaque para a escolha da Capital.
Há crescimento real de renda em nichos específicos, maior circulação de turistas de alto poder aquisitivo e uma maturação do mercado local em experiências, gastronomia e serviços. As marcas acompanham sinais. Quando o volume de transações acima da média se mantém estável e o fluxo turístico se torna mais qualificado, o luxo entra. A pop-up [no Iguatemi] foi um teste. Funcionou. Agora vem a loja, sinal clássico de validação do mercado.
O consultor de empresas e professor da Faculdade CDL, Christian Avesque, também aponta que mais de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) da Cidade está vinculado à serviço e comércio, atraindo um público consumidor local e turístico.
Além disso, segundo ele, Fortaleza vem formando o que Avesque chama de “mercado do esteticamente perfeito”, fazendo referência ao alto quantitativo de corridas e clínicas de beleza que surgiram nos últimos anos. O especiaista explica que essa característica está alinhada à essência da marca.
“As propagandas da Dolce & Gabbana não falam de produto em nenhum momento. Falam de uma cena, de uma narrativa, de uma simbologia que corpos em cena idealizados vivenciam momentos únicos, momentos prazerosos. E a marca associa essa imagem com essa ideologia estética", avalia.
Impactos na economia cearense
Segundo Kanter, a chegada de uma loja desse setor na Capital insere o Estado de maneira mais explícita no mapa do luxo nacional, trazendo um aumento na confiança de investidores e elevando a expectativa de experiência para o varejo local.
Ele afirma que “luxo move uma cadeia extensa, mesmo atendendo menos pessoas”. A elevação do padrão traz um público consumidor mais exigente, impulsiona a circulação de serviços especializados e afeta indiretamente o turismo, os eventos e a economia criativa do ambiente.
A inauguração também pode trazer outras marcas globais para Fortaleza, como bem aponta Kanter. A aposta agora é no chamado “acessible luxury” e no premium consolidado, com grifes como Coach, Furla e, talvez, Valentino e Fendi, mas em formato reduzido.
Apesar de ser uma loja de alto luxo, Avesque acredita que a Dolce & Gabbana entrará no mercado fortalezense cerca de “80% do ticket médio não muito alto”, as chamadas prêt-à-porter (pronta para vestir), mas ainda contará com “20% a 30% daquelas peças de alfaiataria mais distintas”.
Já para Kanter, há também a possibilidade da grife “tropicalizar o sortimento”:
Fortaleza tem clima quente, eventos ao ar livre, estética vibrante e forte cultura de moda praia e resort wear. A curadoria da loja deve intensificar cores, tecidos leves e coleções com maior identidade mediterrânea, que dialogam com o lifestyle local. O clima, o perfil de uso e até o calendário social da cidade entram na definição do mix.
*Estagiária sob supervisão do jornalista Hugo R. Nascimento.