PF apura contratação de influenciadores para defender Banco Master e atacar BC

Criadores teriam sido instruídos a criticar liquidação da instituição.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 19:43)
Fachada interna do Banco Master, mostrando o logotipo azul e o nome da instituição em relevo. Imagem usada em matéria onde PF apura contratação de influenciadores para atacar Banco Central (BC).
Legenda: Instituição é investigada por fraude de R$ 12 bilhões.
Foto: Divulgação.

A Polícia Federal (PF) apurará a suposta contração de influenciadores para atacar o Banco Central nas redes sociais em favor do Banco Master, investigado por fraude de R$ 12 bilhões.

A Diretoria de Inteligência da corporação estaria reunindo dados sobre o caso em um documento, chamado de informação de polícia judiciária (IPJ), e que posteriormente será usado como base para instauração de um inquérito, conforme o portal CNN Brasil. 

Contratos sigilosos de até R$ 2 milhões

Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o Banco Master ofereceu contratos, que chegavam a R$ 2 milhões, a criadores de conteúdo de direita para levantar suspeitas sobre a liquidação da instituição financeira em posts nas redes sociais. 

Inclusive, as negociações com os influenciadores previam cláusulas de sigilo absoluto, visando evitar o vazamento da contratação e manter a aparência de que o movimento contra o Banco Central seria orgânico.

A jornalista detalhou que relatos indicam que o valor do cachê variava conforme a quantidade de seguidores.

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Caso foi denunciado por influenciadores

Ainda de acordo com a CNN, as denúncias foram realizadas por criadores de conteúdo direitistas: o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL) e a jornalista Juliana Moreira Leite. 

Com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, os dois afirmam terem sido procurados para fazer o "gerenciamento de reputação e gestão de crise para um grande executivo".

Na ocasião, o parlamentar gaúcho detalhou que a agência UNLTD Brasil dizia estar "contratando perfis que se posicionam para nos ajudar nessa disputa política em que estamos travando contra o sistema”. E reforçava: “É um caso de repercussão nacional. Gente grande. Esquerda e centrão envolvidos”.

Ao fazer a proposta, o representante, em contato com um assessor de Rony, disse precisar assinar um contrato sigiloso para avançar nos detalhes. A multa por romper o silêncio seria de R$ 800 mil.

Nos documentos que a CNN e Malu Gaspar tiveram acesso, a proposta é denominada como "Projeto DV". Para o vereador, as iniciais correspondem ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

"Para mim, a proposta era para criar uma narrativa de que o Master é uma vítima do Banco Central e dizer que a liquidação foi feita de forma muito rápida. Se ninguém abrisse a boca, a investigação não iria avançar", comentou Rony ao portal. 

Já a jornalista Juliana conta que foi abordada com uma proposta similar por outra empresa, a Portal Group BR.

"Não aceitei. Me senti enojada, mas depois vi muitas publicações nesse sentido fazendo esse trabalho. Não posso afirmar que receberam dinheiro”, relatou à CNN

Procurada pelo veículo, a UNLTD Brasil disse "não ter contrato com o Banco Master". 

Já o Portal Group BR disse ser contratada por outra agência "apenas para a indicação de influenciadores", acrescentando "que nenhum dos influenciadores por nós agenciados possui qualquer contrato, vínculo ou obrigação relacionada ao escopo mencionado na matéria". 

Até o momento, o Banco Master e o Banco Central não se manifestaram sobre o assunto

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