O Data Center e a água no Pecém: nasce o bom debate
Empresários revelam detalhes de como é hoje a relação das empresas nacionais e estrangeiras com o Complexo do Pecém
Repercutiu, e muito, o artigo do professor Mauro Oliveira – doutor em Informática e líder do Iracema Digital, um portal cearense que trata somente da Tecnologia da Informação – a respeito dos projetos de construção de grandes Data Centers no Complexo do Pecém. Seu texto foi aqui publicado na quarta-feira, 7.
Esta coluna recebeu vários comentários de empresários que analisaram e ampliaram as opiniões acerca do tema. Aqui estão algumas dessas opiniões, a primeira das quais foi transmitida por um engenheiro com larga experiência no mercado nacional e regional nordestino. Ele enviou a seguinte mensagem:
“As empresas que instalarão Data Centers e usinas para a produção de hidrogênio verde no CIPP (Complexo Industrial e Portuário do Pecém) terão de, obrigatoriamente, comprar a água para as suas operações. Essa água será de reuso e será fornecida pela Utilitas, empresa que nasceu da parceria Marquise/PB/Cagece, que tem há algum tempo a concessão de fornecimento de água ao CIPP. O que se sabe é que a Utilitas terá de construir e instalar todo esse sistema, que incluirá o tratamento das águas e dos dejetos da zona Norte da cidade de Fortaleza, algo que, até agora, não foi feito.”
A mensagem prossegue, abordando agora outro assunto:
“As empresas que têm área dentro do CIPP para a instalação de indústrias de H2V e Data Centers são obrigadas a assinar um contrato de arrendamento dessas áreas, e já passam a pagar de imediato um aluguel mensal de valor considerável. Um absurdo!! A razão disto é que, em contrapartida, o CIPP construirá toda a infraestrutura necessária para dar suporte a essas indústrias. Só que quem está com essas áreas segue pagando esse valor absurdo, e até agora o CIPP nada executou dessa infraestrutura.
“Atente que o CIPP é o único porto do Brasil que cobra essa taxa. Os governos do Piauí, de Pernambuco, do Rio Grande do Norte, da Bahia e do Rio de Janeiro estão cedendo gratuitamente essas áreas para as indústrias se instalarem em seus portos. Dizem que foi uma exigência de Roterdã (o sócio da CIPP, com 30% do seu capital), aceita pelo governo do Ceará. Como gera uma receita considerável, o governo do estado manteve a cobrança. A Qair Brasil não aceitou pagar esse aluguel, e preferiu comprar uma área vizinha à ZPE para fazer sua indústria de H2V.”
E conclui assim:
“É estranho o silêncio que mantem o governo cearense sobre esta questão. Aliás, no almoço do governador, na Fiec, em dezembro, a produção do hidrogênio verde no Pecém foi citada apenas superficialmente”.
Outro comentário, este de um floricultor, diz o seguinte sobre o consumo de água dos Data Centers modernos:
“O consumo de 144 mil litros de água por dia equivale à demanda diária de irrigação de três hectares”, mas em seguida ele trata do que escreveu o professor Mauro Oliveira, dizendo: “Texto bem escrito, porém muito ideológico. Um partido de esquerda está trazendo um fiscal da Lei para se envolver no assunto. Não me parece um bom negócio para o desenvolvimento do Estado criar problema para instalação desse equipamento” (o Data Center).
Mais um comentário, desta vez transmitido por um empresário que conhece a fundo a agropecuária brasileira e está por dentro do que representa um Data Center para a economia do Ceará:
“No Brasil, temos muito o costume de confundir causas com consequências dos problemas. Aqui está bem claro. Data center não é problema. O problema é água. E não se deve solucionar o problema da água impedindo Data Center. Embora esse seja o caminho mais fácil, trará outras consequências. Resolver o problema concreto da água, e temos vários caminhos, será a forma mais eficiente de resolver o problema do Data Center.”
Está aberto mais um bom debate sobre a economia cearense.
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