Inflação em Fortaleza desacelera em janeiro, mas alimentos ainda exercem pressão sobre preços

De acordo com o IPCA, a capital cearense apresentou a sétima maior alta entre as 16 capitais pesquisadas pelo IBGE no mês

Legenda: O grupo de alimentação e bebidas apresentou alta de 1,21% no mês
Foto: Divulgação

Puxada pelo avanço dos preços dos alimentos, que subiram 1,21%, a inflação na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) registrou alta de 0,36% em janeiro, o sétimo maior avanço entre as 16 capitais analisadas pelo IBGE. A inflação da RMF, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também ficou acima da média nacional (0,25%). Os dados foram divulgados ontem (9) pelo IBGE.

“Os índices inflacionários em Fortaleza continuam em um patamar elevado, principalmente nos produtos relacionados a alimentos e bebidas”, diz Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE). “O resultado de janeiro ainda é um reflexo do aumento dos preços de produtos alimentares no final do ano passado, de modo que uma melhora dependerá das safras nos próximos meses, como a da soja”.

Em dezembro de 2020, a inflação na RMF havia sido de 1,46%, acima da nacional (1,35%). Naquele mês, o grupo de “alimentação e bebidas” registrou alta de 0,97% na Capital. “Além do preço dos próprios alimentos, temos também o impacto dos custos logísticos, que incidem sobre parte significativa dos produtos que vêm de outros estados. E, com a elevação dos preços dos combustíveis, o reflexo é ainda maior nos preços praticados em Fortaleza”, diz Coimbra.

O que pesou no bolso

O grupo de “alimentação e bebidas” é o que tem maior peso no IPCA de Fortaleza, com 24,2% de participação no índice de janeiro. Em seguida aparecem os grupos de “transportes”, com 18,3% de participação, e alta de 0,23%, e “habitação”, com peso de 16,7%, e queda de 0,86% no mês. 

“Além de serem os itens de maior representatividade na inflação de Fortaleza, os alimentos são aqueles que o consumidor sente de forma mais rápida no bolso, apresentaram subida de preços mais intensamente na ‘alimentação no domicílio’, especialmente cebola e batata-inglesa”, destaca o economista Allisson Martins, coordenador do Curso de Economia da Unifor.

“A inflação mais forte dos alimentos e bebidas no domicílio reflete o cenário atual, de maior demanda das famílias, e por outro lado, as medidas restritivas de combate à Covid, que restringiu o fluxo de demanda em bares e restaurantes, atenuou a inflação de refeições e lanches fora do domicílio”, diz Martins.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação na RMF avançou 5,83%. E, no mesmo período, o grupo de alimentos avançou 16,6%. “De todas as regiões pesquisadas pelo IBGE, Fortaleza foi que apresentou a terceira maior variação nesse grupo no acumulado de de 12 meses até janeiro, ficando atrás apenas da Grande Vitória (18,40%) e de Belo Horizonte (17,11%)”, destaca Helder Rocha, supervisor de Documentação e Disseminação de Informações do IBGE-CE.

Em janeiro, apresentaram variação negativa os grupos de Habitação (-0,86%), Vestuário (-0,43%) e Comunicação (-0,03%). No grupo artigos de residência os subitens com maior variação foram ar-condicionado (2,95%), fogão (2,91%) e reforma de estofado (2,11%); e no grupo Despesas pessoais os subitens de maior variação foram hospedagem (9,70%), brinquedo (3,88%) e cigarro (1,58%).

Brasil

Nos últimos 12 meses, o IPCA no Brasil acumula alta de 4,56%, acima dos 4,52% observados nos 12 meses anteriores. Em janeiro de 2020, a variação havia sido de 0,21%. Segundo o IBGE, alimentos e bebidas continuam puxando os preços para cima, mas com menos força. Já a mudança de bandeira nas contas de energia e as quedas nos preços de passagens aéreas ajudaram a segurar a inflação em janeiro.

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