Inflação deve continuar subindo durante todo o primeiro semestre

Mesmo com forte aceleração registrada ao longo do segundo semestre do ano passado, economista aponta que alta na inflação deve continuar durante todo o primeiro semestre de 2021. Preços devem arrefecer a partir de julho

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Legenda: Itens de vestuário foram os que mais tiveram alta em Fortaleza em abril
Foto: José Leomar

A inflação na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) já começou com alta de 0,97% nos primeiros 15 dias do ano, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) divulgado ontem (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Considerado uma prévia da inflação oficial, o indicador aponta a continuidade da aceleração de preços no varejo, que ainda deve permanecer durante todo o primeiro semestre de 2021.

O economista Alex Araújo aponta que, apesar de ter encerrado 2020 com variação de 5,74%, a maior do País, de acordo com o IBGE, a inflação do varejo na RMF e to restante do Brasil ainda ficou defasada em relação ao aumento dos preços no atacado. Ele lembra que indicadores como o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) chegaram ao patamar de 23,14% em 2020.

"Os preços no atacado subiram muito mais que no varejo, criando essa diferença. Como os repasses desses custos estavam acumulados no atacado, à medida que o consumidor retoma as compras, eles vão sendo repassados. Isso deve acontecer ao longo de todo o primeiro semestre", afirma.

Dentre as categorias analisadas pelo IBGE, a de vestuário foi a que apresentou o maior avanço, com alta de 1,91%, seguida de perto por habitação, com aumento de 1,90%. Alimentação e bebidas também registrou forte elevação de 1,04% em janeiro.

"O segmento de vestuário foi muito prejudicado no ano passado todo, um dos (setores) que mais sofreu, primeiro porque o consumidor não estava visitando as lojas e, segundo, porque ele (consumidor) priorizou outros itens. Com a retomada do consumo no fim do ano, abriu-se espaço para que o atacado repassasse os preços, tanto que esse segmento aparece liderando o que mais se elevou", avalia.

O economista ainda ressalta que o único motivo para a elevação dos preços no varejo é a equiparação dos custos com o atacado, tendo em vista que fatores, como o câmbio, escassez de matéria prima e falta de alguns produtos não estão mais incidindo.

"Esse período vai exigir muita atenção do consumidor, porque o aumento dos preços vai afetar o orçamento da família, e é preciso cuidado para evitar desequilíbrios".

Retomada

Apesar da defasagem no repasse da alta dos custos, o aumento dos preços neste momento, junto ao fim do auxílio emergencial e de outras medidas adotadas durante a pandemia para reduzir os impactos econômicos, pode comprometer a retomada da atividade econômica. Isso porque o aumento de preços reduz a intenção de compras do consumidor.

"Pela lógica, é uma decisão irracional, porque termina reduzindo o poder de compra do consumidor, fazendo com que ele adie a compra de determinado produto, exceto aqueles de primeira necessidade, que vão ser substituídos num primeiro momento. É uma estratégia perigosa, que só acontece quando o segmento tem prova que a demanda voltou. Mas não é tão eficiente do ponto de vista econômico, porque traz um impacto imediato, mas num segundo momento, retração no consumo", esclarece o economista.

Ele exemplifica o que deve ocorrer no setor de veículos, que teve um aquecimento no segundo semestre que gerou aumento expressivo nos preços dos automóveis por parte das montadoras. Como consequência, a tendência agora é que essa demanda caia com os consumidores repensando a decisão de realizar a compra, em especial por ser um bem durável de valor elevado.

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