Gerdau investe R$ 200 milhões e reabre siderúrgica em Maracanaú com foco no mercado nacional

Peças produzidas na unidade serão utilizadas como matéria-prima para a fabricação de aços longos na unidade de Caucaia.

(Atualizado às 16:47)
Únidade da Siderúrgica em Maracanaú.
Legenda: Com a modernização dos equipamentos da área da aciaria, a unidade vai produzir tarugos com 12 metros de comprimento.
Foto: Ismael Soares.

A empresa brasileira de aço Gerdau reabriu nesta segunda-feira (2) a siderúrgica em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Com investimento de R$ 200 milhões para ampliar a capacidade produtiva, a unidade vai produzir 160 mil toneladas de aço por ano. 

Segundo a empresa, a produção de aço da unidade é voltada para abastecer o mercado interno, principalmente na construção civil.

Com novos equipamentos da área da aciaria, a unidade vai passar a produzir tarugos de 12 metros de comprimento.

Barras maciças de aço, os tarugos são produtos semiacabados que podem ser utilizados para a fabricação de peças de diversos segmentos na indústria.

Antes da modernização, a Gerdau de Maracanaú produzia peças de 6 metros de comprimento.

Esse aumento “traz um ganho de produtividade muito grande, melhora a eficiência e melhora o custo, então a unidade fica mais competitiva”, explica o presidente do Conselho de Administração da Gerdau, André Gerdau Johannpeter.

Além de Johannpeter, também estiveram presentes na solenidade o Governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e do Prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (União Brasil).

Prioridade para o mercado nacional

O presidente do Conselho de Administração da siderúrgica explica que a produção da Gerdau em Maracanaú tem como foco principal o mercado interno, que é “fortemente impactado pela entrada excessiva de aço importado”, e reforça o atendimento aos clientes das regiões Norte e Nordeste do País.

Durante o evento, o governador destacou a importância de o mercado interno brasileiro e a indústria nacional serem priorizados, uma vez que a concorrência mundial nem sempre segue “uma competição justa”.

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Nesse contexto, o chefe do Executivo estadual incentiva que a indústria da construção civil utilize prioritariamente o aço produzido no País. “Isso significa riqueza, trabalho, salário e emprego para o nosso povo”, afirmou.

Em entrevista coletiva, André Gerdau Johannpeter destacou o aumento da importação de aço nos últimos anos, com preços considerados desleais, podendo ameaçar o mercado interno a longo prazo.

“A importação de aço sempre existiu no Brasil e é normal, como em vários países. Normalmente, a importação era entre 10% e 12% do consumo nacional e, nos últimos três anos, foi a 22%. O Brasil importava 2,2 milhões de toneladas de aço e, no ano passado, fechou em 5,7 milhões, praticamente triplicou”, contextualizou.

O governador destacou medidas adotadas pelo presidente Lula (PT) e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para proteger o mercado nacional de aço.

Barra de aço incandescente segue por rolos em linha industrial.
Legenda: Os novos equipamentos da área da aciaria da Gerdau em Maracanaú vão permitir a produção de tarugos de 12 metros de comprimento.
Foto: Ismael Soares.

Medidas de proteção ao mercado interno

Na última quarta-feira (28), o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou um conjunto de medidas de defesa comercial e realinhamento tarifário para fortalecer a competitividade da indústria nacional.

Entre elas, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), está a aplicação de direito antidumping definitivo, com vigência de cinco anos, às importações de aços pré-pintados da China e da Índia.

Também foi aprovada a elevação tarifária para mais nove Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) do aço, por doze meses, com tarifas de importação que passaram para 25%.

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