Em meio à crise do setor eólico, prejuízo da Aeris mais que dobra em um ano

Empresa apresentou prejuízo líquido de R$ 144,4 milhões neste trimestre

Escrito por
Letícia do Vale leticia.dovale@svm.com.br
(Atualizado às 20:48)
Aeris.
Legenda: Em 2024, a empresa apresentou um prejuízo líquido histórico de R$ 934,1 milhões.
Foto: Divulgação

A Aeris Energy (AERI3) segue enfrentando resultados negativos em 2025, em meio à crise do setor de energias renováveis. A empresa fechou o terceiro trimestre deste ano com um prejuízo líquido de R$ 144,4 milhões, segundo balanço financeiro divulgado nesta quarta-feira (5). 

O resultado representa um aumento de 169% em relação ao mesmo período de 2024, quando as perdas foram de R$ 53,68 milhões

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No entanto, em relação ao segundo trimestre de 2025, houve redução de 17% no prejuízo líquido. À época, o montante perdido foi de R$ 174,02 milhões. 

Nos três primeiros meses deste ano, a perda foi de R$ 94,5 milhões. O número representa uma queda de 88,7% em relação aos três meses anteriores (entre outubro e dezembro de 2024), quando a Aeris apresentou um prejuízo histórico de R$ 833 milhões.

Ao todo, o prejuízo líquido da fabricante de pás eólicas cearense em 2024 foi de R$ 934,1 milhões, 776,2% acima do prejuízo total de 2023 (R$ 106,6 milhões).

O saldo financeiro líquido trimestral da empresa vem sendo negativo nos últimos dois anos.

No caso da receita líquida deste trimestre, o valor reportado foi de R$ 179,07 milhões, 26,1% menor que o resultado do trimestre anterior e 51,3% menor frente a igual período de 2024. 

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (da silga em inglês Ebitda) de julho a setembro ficou negativo em R$ 48,44 milhões. O valor do mesmo índice no trimestre anterior foi de R$ 18 milhões negativos e, um ano antes, foi positivo, totalizando R$ 27,39 milhões. 

Para investimentos, a quantia indicada neste trimestre foi de R$ 5,8 milhões, com foco em manutenção e modernização de ativos produtivos.

Aeris destaca avanços neste trimestre

Apesar do prejuízo, a empresa destaca “andamento consistente de seu plano de reestruturação em busca de maior eficiência operacional, fortalecimento financeiro e diversificação de receitas, mesmo diante de um cenário desafiador para o setor eólico nacional”. 

Segundo divulgado pela companhia, as despesas gerais e administrativas recuaram 50,6% frente ao trimestre anterior, totalizando R$ 33,9 milhões. Além disso, em maio, a Aeris concluiu o processo de reperfilamento do passivo financeiro da Companhia, abrangendo 90% de sua dívida total.

Em relação à diversificação de receitas, a divisão de serviços, Aeris Services, que inclui manutenção, inspeção e operação de pás eólicas, apresentou crescimento de 21,6% em relação ao trimestre anterior e já representa 29,3% da receita consolidada. 

Outra estratégia utilizada foi internacionalização da companhia: neste trimestre as exportações responderam por 51,6% da receita total, com avanço nas vendas para América do Norte e Europa.

Crise no setor de energias renováveis provoca até 6 mil demissões no Ceará

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Ceará, Francisco Silveira, a crise no setor de energias renováveis já provocou até 6 mil demissões no Ceará, entre 2024 e 2025. 

Segundo ele, as vagas são de profissionais ligados ao sindicato e variam desde o chão de fábrica até o setor administrativo. 

Além disso, neste ano, o setor de energia eólica sofreu com um prejuízo de R$ 20 milhões de reais, segundo o consultor em energias Adão Linhares.

A nível nacional, um levantamento da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) estima que o setor eólico perdeu cerca de 10.000 empregos diretos entre 2024 e 2025, com risco de aumentar em 2026.

No caso do mercado de energia solar, o contexto de recessão também está presente. O  vice-presidente de Cadeia Produtiva da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Nelson Falcão, reforça que houve redução no volume de negócios solares no Nordeste, resultando em demissões ou suspensão de contratações.

De acordo com especialistas, a crise no setor de energias renováveis no Ceará está relacionada, principalmente, aos cortes na geração de energia, conhecidos como "curtailments".

O fenômeno ocorre devido à falta de infraestrutura adequada para distribuir o alto nível de geração de energia do estado, sobrecarregando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), causando os cortes de energia e reduzindo o faturamento das empresas.

Com alto índice de ventos e irradiação solar, o Ceará é um dos estados brasileiros mais afetados pelo curtailment, já que 72% da geração de energia do estado é renovável. 

 

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