Desalentados: Ceará tem mais de 460 mil pessoas que desistiram de procurar emprego

Número é o maior desde 2012. Pandemia e menos vagas de trabalho intensificaram cenário

Legenda: Número é o maior da série histórica desde 2012
Foto: Natinho Rodrigues

Não foi só o desemprego tradicional que atingiu valores expressivos entre os anos de 2020 e 2021. A população desalentada cearense, por exemplo, cresceu 21% do primeiro trimestre do ano passado para o mesmo período de 2021.  

Com isso, o Ceará registra 466 mil pessoas que desistiram de procurar emprego. É o maior número registrado desde 2012. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  

De acordo com o IBGE, o grupo contempla as pessoas que não realizaram nenhuma busca por trabalho por não considerar que conseguiriam, por não ter qualificação ou experiência, por ser muito jovem ou muito idoso.  

No entanto, essas pessoas estão disponíveis ao trabalho, mas desistiram de buscar vagas pelos motivos supracitados. 

“Essa discussão já vem desde a década de 1980, que mostra que o desemprego é muito mais complexo, é o caso dos desalentados”, explica Erle Mesquita, analista de mercado de trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT). 

Pandemia intensificou cenário 

De acordo com Mesquita, assim como a pandemia intensificou o desemprego, o mesmo aconteceu com o cenário dos desalentados. “Isso por inúmeros motivos, seja a falta de dinheiro para fazer a procura, o medo de contrair a doença ou mesmo por achar que não adiantaria sair de casa para buscar alguma vaga”.  

O analista pontua ainda que o crescimento tem relação com a menor oferta de trabalho nos últimos meses. Um relatório publicado em junho pelo IDT, com base nos dados da PNAD, mostra que meio milhão de postos de trabalho foram fechados nos últimos 12 meses.   

Além disso, pelo menos uma em cada dez pessoas em idade ativa deixou de trabalhar no Ceará durante a pandemia no ano passado, o equivalente a 349 mil pessoas. 

"O nível da demanda por trabalho está muito relacionado com a oferta ou mesmo por questões sociais, por exemplo, temos um menor nível de procura no fim do ano. Mas de maneira geral a gente verifica que isso influencia significativamente”.  
Erle Mesquita
analista do IDT

A pesquisa da Pnad mostra ainda que o percentual de desalentados na população na força de trabalho ampliada de 14 anos ou mais de idade no Ceará chegou a 10,5%, enquanto no primeiro trimestre de 2020 era de 8,2%.  

Impactos e recorte  

O analista ressalta o impacto que a taxa causa na economia. “O impacto é muito significativo. São pessoas em plena idade ativa sem produzir, especialmente entre os mais jovens. Estima-se que a 1 a cada 4 jovens não estão trabalhando nem estudando, a chamada geração nem-nem”.  

Fazendo um recorte por gênero, Mesquita pontua que a situação é ainda mais agravante entre as mulheres causado especialmente pela gravidez precoce em adolescentes, que, dependendo do arranjo familiar, prejudica muito a trajetória escolar e profissional dessa jovem.  

Considerando os dados do desemprego clássico, houve um aumento tanto para os trabalhadores mais jovens quanto adultos. Entre aqueles com 15 a 29 anos, o número subiu de 258 mil, em 2019, para 268 mil, em 2020. Já o de pessoas com 30 e 59 anos, foi de 185 mil para 220 mil em igual período.  

Perspectivas dos próximos meses 

Para Mesquita, a perspectiva é que esse número diminua ao longo dos próximos meses, já que o segundo semestre é, historicamente, mais favorável ao contexto, contudo, pondera: “todos os indicadores econômicos ainda estão ruins. Com o avanço da vacinação pode ser que tenha uma melhora, pois existe uma demanda reprimida”. 

No entanto, para isso, o analista destaca a importância de se ter políticas públicas voltadas para a transição do mundo escolar para o mercado de trabalho, o que ainda é uma dificuldade enfrentada pelos jovens. Com as mudanças constantes, a educação nesse sentido se faz ainda mais necessária, segundo Mesquita.  

Veja dicas para a reinserção no mercado de trabalho pela diretora de Recursos Humanos, Laís Soares: 

1. Mantenha o currículo atualizado 

Coloque no currículo as informações mais importantes que vão fazer o diferencial para a vaga que está se candidatando. O documento é essencial para sua apresentação aos recrutadores.  

2. Forneça dados de contato atuais 

Não esqueça de fornecer dados de contato atuais no currículo, como telefone e e-mail, pois é dessa forma que os recrutadores vão conseguir falar com você. De acordo com Laís, muitas empresas têm reclamado que as pessoas, após se candidatarem para uma vaga, não atendem ou não respondem-email.  

3. Crie um perfil no Linkedin 

A diretora de RH aponta que, hoje em dia, é fundamental ter um perfil no Linkedin, que tem sido uma plataforma bastante utilizada para busca de novos talentos. Além disso, grandes e médias empresas têm divulgado vagas pela rede.  

4. Novo formato de recrutamento 

Algumas empresas estão aderindo ao recrutamento em sistemas dos próprios portais ou sites, então é interessante que o candidato fique atento aos websites do local em que deseja trabalhar. É preciso, portanto, estar preparado para esse novo formato de recrutamento, que também é economia de tempo e dinheiro.  

5. Capacite-se 

Laís Soares destaca ainda que as capacitações e novos treinamentos também são muito importantes e “fazem brilhar os olhos dos recrutadores e empresas, pois aquelas pessoas que estão atualizadas em novas ferramentas e procedimentos de trabalho é que vão fazer a diferença para a organização”.  

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