Centros logísticos do Ceará concentram 6 grandes empresas e têm melhor ano desde 2019
Expansão do estoque, consumo aquecido e baixa disponibilidade impulsionaram o setor no Estado.
Com recorde de novos galpões entregues, alta nas locações e taxa de vacância abaixo do indicador do País, o mercado de condomínios logísticos no Ceará viveu, em 2025, seu melhor momento desde 2019.
No Nordeste, o Estado tem o terceiro maior estoque, com 558 mil m², ficando atrás apenas de Pernambuco (1,7 milhão m²) e Bahia (825 mil m²).
Os condomínios logísticos são complexos de armazéns onde uma ou mais empresas têm acesso a uma infraestrutura de serviços compartilhados, como docas de entrada e saída de mercadorias e espaços para armazenagem.
No ano passado, o setor cearense ganhou área de 66,1 mil m² de novo estoque com a expansão do Log Fortaleza III, da empresa LOG CP.
Esse indicador diz respeito aos empreendimentos que entram oficialmente no mercado, após a conclusão da obra e a liberação do Habite-se, documento emitido pela autoridade municipal que atesta que a edificação foi construída conforme o projeto que deu origem ao alvará de construção.
Os dados são da Siila, multinacional com atuação no mercado imobiliário comercial da América Latina, e foram solicitados pelo Diário do Nordeste.
Bens de consumo lideram demanda por condomínios logísticos no Ceará
Atualmente, o Estado conta com 12 condomínios logísticos, localizados principalmente nas proximidades da Região Metropolitana de Fortaleza.
O principal segmento das empresas que buscam esses empreendimentos é o de Bens de Consumo, ocupando área de pouco mais de 147 mil m² — 26,3% da área total do Estado, de 558 mil m².
Em seguida estão os segmentos de Transporte e Logística (24%), Alimentação, Farmácias e Lojas de Conveniência (12,3%), Alimentos, Bebidas e Tabaco - Exceto Varejo (7,7%) e Farmacêutica (4,7%).
Há, ainda, empresas dos setores de Educação, Mídia e Informação, Saúde e Eletrônicos que alugam a estrutura de condomínios logísticos no Estado.
Os dados da Siila também mostram quais são as empresas com as maiores ocupações no mercado estadual.
- Amazon, com quase 65 mil m² locados (11,6%)
- Atacadão, com 38,8 mil m² (quase 7%)
- Magalu, com 25,3 mil m² (4,5%).
- Grupo Mateus, 21,6 mil m² (3,8%)
- Casas Bahia, 17,6 mil m² (3,1%)
- Shopee, 17,1 mil m² (3%).
Recorde em 2025
O incremento recorde de 2025 superou o de 2021, quando o novo estoque registrado foi de 65,4 mil m², segundo a Siila. Além disso, outras informações complementam a análise do cenário cearense.
O ano passado também foi marcado pela maior absorção bruta desde 2019, com a locação de uma área de 162,8 mil m². Os outros anos com absorções brutas mais altas foram 2023 (112.549 m²), 2021 (97 mil m²) e 2019 (81.062 m²).
Mas o indicador mais importante a se analisar, segundo Giancarlo Nicastro, CEO da Siila, é a absorção líquida, que considera a área alugada e a área devolvida pelos locatários.
“Ela nem sempre é positiva. Se for negativa, significa que empresas saíram mais, devolveram mais galpões do que alugaram. Quando é positiva, significa que houve locações que reduziram a taxa de disponibilidade do mercado”, explica.
Em 2025, a absorção líquida foi de pouco mais de 53 mil m². Anos anteriores, como 2021 e 2023, tiveram resultados mais altos — 79,1 mil m² e 58,5 mil m², respectivamente — mas esse indicador não pode ser interpretado isoladamente.
É preciso considerar a taxa de vacância, que atualmente é de 5,47% no Ceará. Nicastro destaca que a taxa local está abaixo da nacional, de aproximadamente 6,6%, que atingiu o menor patamar da história.
Com isso, atualmente há menos galpões disponíveis no mercado cearense do que em anos anteriores — o que impacta a possibilidade de locações e tem reflexo na absorção líquida.
Em 2021, quando houve um ‘boom’ dos galpões logísticos, a taxa de vacância saiu de 5% no primeiro trimestre para 0,33% no quarto trimestre.
A absorção líquida não foi tão agressiva porque tem pouca disponibilidade. No terceiro trimestre de 2025, o Ceará só tinha 2,42% de disponibilidade. Ou seja, se você não tem imóvel disponível, como vai ter movimentação de empresas alugando? A empresa (LOG) entregou 66 mil m² e a taxa de vacância só subiu 3 pontos percentuais. Ou seja, o que está sendo entregue, está sendo consumido.
Potenciais e desafios do Ceará
Uma vez que o setor logístico está ligado ao consumo, Giancarlo Nicastro destaca vantagens do Ceará em relação ao mercado nacional pelo crescimento do e-commerce e pela população que o Estado concentra, com “um potencial de consumo interessante”.
Ele percebe que ainda há oportunidade de crescimento no mercado local e projeta que 2026 deve “continuar sendo um ano muito positivo”.
“O consumo tem aumentado. Em ano eleitoral, o governo naturalmente injeta muito dinheiro na economia, por conta de reeleição, e esse dinheiro, normalmente, está atrelado ao consumo. Então, acreditamos que vai ser um ano muito positivo, em um mercado muito consistente com grandes oportunidades para o Ceará também”, afirma.
Além disso, Nicastro destaca a localização do Estado, que oferece oportunidades de exportações.
“Regiões que têm áreas portuárias próximas sempre se beneficiam, principalmente pela importação e exportação, e isso alavanca a operação, principalmente logística. Então, o Ceará tem essa vantagem perante muitas outras regiões no Brasil”, diz o CEO da Siila.
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Por outro lado, ele aponta que, em todo o País, a logística ainda não é tão desenvolvida devido à dependência de infraestrutura viária.
À medida que estradas e rodovias vão sendo expandidas e chegam a mais lugares, o mercado local também se desenvolve.
“O Brasil ainda vive um déficit muito grande de logística. Temos um mercado muito pequeno e pouco explorado em relação ao potencial. Então, vemos não só o Ceará, mas o País como um todo, com bastante oportunidade nesse segmento”, finaliza.