Após realizar testes, consórcio Beira-Mar inicia obras do Píer Ideal; veja imagens

Equipamento da Av. Rui Barbosa passou por testes de carga e está apto a receber intervenções.

Escrito por
Paloma Vargas e Ana Alice Freire* negocios@svm.com.br

Adiadas pelo menos quatro vezes no ano passado, as obras no espigão do Ideal, na altura da Avenida Rui Barbosa, na Beira-Mar, estão previstas para iniciar em fevereiro.

Concedido à iniciativa privada para compor um complexo de entretenimento e lazer, o local já passou pelo processo de testes de carga para receber a construção de lojas e restaurantes.

Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), a intervenção ainda depende de uma licença do Comando da Aeronáutica (Comaer) para iniciar.

"Foi celebrado entre a Seuma e o consórcio um Termo de Compromisso para que o último documento pendente (licença do Comaer) para as obras do espigão da Rui Barbosa seja apresentado o quanto antes, enquanto é permitido o início da primeira fase da construção, que corresponde à concretagem", informou a Seuma em nota.

O Consórcio SPE Píer Beira Mar S.A., responsável pelo projeto e formado pelas empresas Beach Park e Social Clube, não esclareceu o motivo da pendência. Porém, conforme a Seuma, a autorização militar é necessária para liberar algumas fases da construção.

Imagem apresenta reprodução de projeto arquitetônico do Píer do Ideal, com vista para lojas e quiosques.
Legenda: Restaurante Ryori, especializado em culinária asiática, é um dos restaurantes confirmados em projeto apresentado pelo consórcio Píer Beira-Mar.
Foto: Reprodução.

O documento em questão, segundo a pasta, avalia se a edificação representa risco ao tráfego aéreo, analisando rotas de voo, zonas de proteção de aeródromos e helipontos. O parecer do Comaer é acatado por órgãos municipais e estaduais no licenciamento.

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Na solicitação, são informadas coordenadas, altitude e altura do projeto. Na fase de pré-análise, se não houver impacto, (o que é mais provável, por se tratar de uma edificação de baixa altitude, com prédios de até 2 andares), um documento é emitido, dispensando a necessidade de processo formal.

"Esse documento é fundamental para a liberação de outras fases da obra. A previsão de emissão deve ser apresentada pelo Comaer", afirma a Seuma em nota.

Processo não é encontrado pela Aeronáutica

Procurada pela reportagem do Diário do Nordeste, a Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), afirma que "até o momento, não foi localizado nem identificado processo de análise de Objeto Projetado no Espaço Aéreo (Opea) relacionado ao empreendimento Píer Ideal (ou denominação equivalente)".

Assim, o órgão diz que sem os dados, "não é possível afirmar que existe uma licença do Comaer pendente, nem que essa suposta pendência seja o último requisito para a execução da obra".

A FAB ainda esclarece que o tipo de autorização aplicável a obras civis é conduzida pelo Decea, via Portal AGA (sistema SysAGA). A autorização é exigida quando uma estrutura — fixa ou temporária — pode impactar a segurança da navegação aérea devido à sua altura, localização ou potencial interferência em superfícies de proteção e procedimentos aeronáuticos, conforme as normas do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB).

Espigão do Náutico sem previsão de início

Porém, o processo do Píer do Náutico, na altura da Avenida Desembargador Moreira, ainda conforme a Seuma, "encontra-se em reavaliação junto à SDE (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico) e à SPU (Superintendência do Patrimônio da União no Ceará), em razão de alterações no projeto".

A pasta reforça que "as licenças ambientais dos dois empreendimentos (Píer do Náutico e Píer do Ideal), emitidas em 2024, permanecem válidas".

A secretaria ainda lembrou que os processos de licenciamento das obras foram aprovados pela Comissão Permanente do Plano Diretor (CPPD), composta por representantes da sociedade civil e do poder público, de forma unânime, em 30 de outubro de 2025.

Ao todo, o investimento previsto para os dois espigões é de R$ 23 milhões. Nesta primeira etapa, o píer terá um perfil gastronômico, conforme o projeto apresentado ainda em 2023.

Veja fotos de como o espigão do Ideal deve ficar

O Píer Ideal deve oferecer 11 lojas, 5 quiosques, corredor gastronômico e espaço de entretenimento infantil; três restaurantes, sendo dois de praia (para 150 e 200 pessoas) e um principal com dois andares (400 lugares), que proporcionará aos visitantes a sensação de estarem a bordo de um cruzeiro marítimo.

Imagem apresenta reprodução de projeto arquitetônico do Píer do Ideal, com vista para lojas e quiosques.
Legenda: Pelo menos cinco quiosques, além dos restaurantes são previstos para o Píer Ideal.
Foto: Reprodução.

Imagem apresenta reprodução de projeto arquitetônico do Píer do Ideal, com vista para lojas e quiosques.
Legenda: Píer deve ter até 11 lojas de diversos segmentos.
Foto: Reprodução

Imagem apresenta reprodução de projeto arquitetônico do Píer do Ideal, com vista para lojas e quiosques.
Legenda: Local deve contar com pelo menos 11 lojas, a maior com 60m².
Foto: Reprodução

Nas imagens do projeto apresentado, o maior restaurante apresenta a marca do Santa Grelha (especializado em grelhados premium feitos na churrasqueira a carvão) e adega de vinhos.

Outra marca já posicionada no projeto em um dos restaurantes de praia é o Ryori (de culinária asiática). As duas marcas são de propriedade do Grupo Social Clube.

Imagem de uma projeção de projeto arquitetônico no Píer Ideal, evidenciando um restaurante da marca Santa Grelha, de dois andares.
Legenda: Maior restaurante do local, que deve contar com três estruturas deste tipo, será um Santa Grelha, conforme projeto apresentado.
Foto: Reprodução

Imagem de reprodução de um projeto arquitetônico da entrada do espigão do Ideal, na beira-mar de Fortaleza.
Legenda: Local deve ter total acessibilidade, com rampas de acesso ao complexo gastronômico.
Foto: Reprodução

Sucessivos adiamentos

O contrato de concessão, com duração de 16 anos, referente aos espigões das avenidas Rui Barbosa e Desembargador Moreira, foi assinado em 29 de agosto de 2023.

Na época, a promessa era de que as obras tivessem início ainda em dezembro daquele ano e a duração total seria de 12 meses.

Depois disso, o anúncio de início da construção foi adiado para os primeiros meses de 2024 e a entrega seria no fim daquele ano, o que não ocorreu.

Em 2025, o projeto Píer Beira-Mar precisou passar por revisão técnica e, por conta disso, ficou sem previsão de início de obras.

O movimento mais efetivo feito no ano passado foi no início de setembro, quando a área do espigão na altura da rua Rui Barbosa foi fechada com tapumes que indicavam o início dos trabalhos no local. O que, de fato, ainda não ocorreu.

*Estagiária supervisionada pelo jornalista Hugo Nascimento.

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