Empresa abre novo data center no Ceará com investimento de R$ 550 milhões

Unidade ficará na Praia do Futuro

Escrito por
Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
(Atualizado às 13:28)
Foto que contém Mega Lobster Data Center
Legenda: Mega Lobster, data center da Tecto, deve ser entregue em outubro de 2025.
Foto: Tecto/Divulgação

A Tecto Data Centers está prestes a inaugurar seu segundo data center em Fortaleza, o Mega Lobster, localizado na Praia do Futuro, com inauguração prevista para 23 de outubro de 2025 e investimento estimado em R$ 550 milhões.

ERRATA (atualização feita no dia 29 de setembro de agosto, às 13h21): Na primeira versão desta matéria, o Diário do Nordeste informou que a Tecto Data Centers pretendia investir em um terceiro data center no Pecém, no Ceará. A informação correta é que a empresa enxerga o mercado cearense como estratégico, mas ainda não possui planos definidos para a região.

O primeiro data center da empresa na capital cearense, o Big Lobster, foi inaugurado em fevereiro de 2023, com investimento de R$ 200 milhões. 

Os detalhes foram compartilhados por André Busnardo, diretor comercial da Tecto Data Centers, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste. Com o desenvolvimento da cadeia, o objetivo é entrar no campo dos data centers 'hyper', chamado de empreendimentos de hiper escala.

Temos conversas em andamento com grandes clientes, mas é foco do nosso trabalho também pensar em projetos nos moldes do que a gente vai ter em Santana de Parnaíba, e um dos projetos que a gente olha de acordo com o interesse dos clientes, seja pela disponibilidade de energia ou a localização geográfica, é o Ceará". 
André Busnardo
Diretor comercial da Tecto Data Centers

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Investimentos milionários no Ceará

O empreendimento da Tecto em fase final de construção em Fortaleza recebeu investimento de R$ 550 milhões e ocupará uma área de 13 mil m². A operação será ininterrupta e mira o desenvolvimento da cadeia tanto no Estado quanto na América do Sul.

A empresa de data centers é uma subsidiária da V.tal, que tem cabos submarinos de fibra óptica no Hub Tecnológico de Fortaleza, na Praia do Futuro. A partir de uma subdivisão, foi criada a Tecto, focada exclusivamente em centros de processamento de dados.

Segundo informações da empresa, o foco é ser um "provedor de soluções de data center hiperscala e edge, com atuação na América Latina. Atualmente, possui cinco data centers em operação no Brasil e na Colômbia e outros três em construção conforme plano de expansão".

Foto que contém Mega Lobster Data Center
Legenda: Mega Lobster, data center da Tecto, deve ser entregue em outubro de 2025.
Foto: Tecto/Divulgação

Além do Mega Lobster em Fortaleza e do data center de hiper escala em Santana de Parnaíba, na Região Metropolitana de São Paulo, a Tecto está desenvolvendo um centro de processamento ao lado da CLS de Barranquilla, na região costeira da Colômbia.

A separação entre Tecto e V.tal aconteceu há cerca de um ano, ainda que permaneçam como parte do mesmo grupo.

"A gente também decidiu, em outubro de 2024, pelo tamanho da operação, das nossas ambições e pelo fato de o negócio de data centers ser muito diferente, ser uma empresa à parte, focada unicamente na construção e operação desses data centers", reforça André Busnardo.

Fortaleza e Pecém com demandas 'complementares'

Em Santana de Parnaíba, a Tecto está iniciando a construção de um data center de hiper escala, nos moldes do que foi anunciado pela Casa dos Ventos, no Pecém.

Esses data centers podem processar grandes volumes de dados, o que inclui as big techs, como Amazon, Google e Meta.

"Esse tipo de empreendimento do Pecém se encaixa em grandes data centers de processamento, com grande densidade e consumo de energia, nos moldes que a gente está começando em Santana de Parnaíba. Somos muito conscientes do foco que a gente precisa entregar nos data centers. Em breve, vamos ter anúncios de outros. Olhamos para demandas de clientes, não só em São Paulo, mas também no Nordeste, para empreendimentos de grande capacidade", defende André.

Questionado sobre a criação de um novo local para data centers no Ceará, agora com foco na hiper escala, o diretor comercial da Tecto acredita que a Capital e o espaço dedicado para os empreendimentos no Cipp devem atuar de forma conjunta.

Legenda: Foto de um Data Center, equipamento de intenso consumo de energia elétrica. Pecém terá um desses.
Foto: José Leomar / SVM

"A gente vê como algo complementar. Se esses projetos forem adiante, mesmo que algumas dessas localidades recebam cabos submarinos, o hub está interligado e vai continuar passando por Fortaleza. Para esse perfil de ecossistema de interconectividade, esses projetos vão gerar mais demanda em data centers, CLSs e cabos submarinos", observa.

CLS é uma estação de aterrissagem de cabos, que recebem em continente os cabos que chegam do mar. Elas são o primeiro estágio em terra firme antes de se chegar as informações aos data centers.

A análise da Tecto está em conformidade com o plano de tornar o Ceará o segundo maior polo de data centers do País, principalmente pela chegada de empreendimentos no Cipp. O diretor-presidente da ZPE Ceará, Fábio Feijó, revelou que pelo menos outras cinco empresas do ramo estão de olho em equipamentos no local.

Grandes data centers em desenvolvimento pela Tecto

Não há prazo para que o data center de hiper escala da Tecto saia do papel, mas é certo que os clientes que estarão lá serão big techs, em linha com empreendimentos como o Big Lobster e o Mega Lobster.

Em Fortaleza, a previsão é de entrega no final de outubro do Mega Lobster, data center com 20 megawatts (MW) de potência total e 15 de TI. Para efeitos comparativos, o Big Lobster, em operação desde 2023, tem capacidade de 4 MW de TI.

"O Mega Lobster começa com uma capacidade de 3 MW, parte já está comercializado, tanto clientes que para a gente, unitariamente, são pequenos, mas constroem o ecossistema, quanto clientes nos moldes que temos no Big Lobster, clientes que ocupam uma sala inteira, com centenas de quilowatts ou próximos de 1 MW de capacidade", explicita o diretor comercial da empresa.

Foto que contém imagem aérea do Big Lobster Data Center, na Praia do Futuro, em Fortaleza.
Legenda: Big Lobster foi o primeiro data center construído pela Tecto, ainda como parte da v.Tal, e entregue em 2023 na Praia do Futuro.
Foto: Tecto/Divulgação

André Busnardo aponta que todos os clientes que estão no Big Lobster devem também ocupar espaços no Mega Lobster. Sem revelar detalhes de investimentos dos contratos ou do quanto será ocupado, o novo data center da Tecto abrirá com boa parte da capacidade já ocupada.

"Todos os clientes que constituem espaço no Big Lobster, estamos conversando com todos eles e trabalhando para criar condições que eles estejam dentro do Mega Lobster, com um mix de clientes diverso. As big techs são nosso foco e devem ocupar espaços no Mega Lobster", expõe.

 

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