Qual o perfil da primeira infância de Fortaleza?
Novo observatório revela dados sobre população de 0 a 6 anos, consolidando dados que podem ser usados para pensar políticas públicas.
A primeira infância em Fortaleza é numerosa e predominantemente parda. O grupo de crianças de 0 a 6 anos representa 8,3% da população total, com número absoluto estimado em 200 mil. Do total, 119.014 são crianças pardas, representando 59,35% do público. Os números foram revelados pelo Observa Infância Viva, lançado pela Prefeitura nesta sexta-feira (17).
No recorte por sexo, cor e raça, são cerca de 102 mil meninos e 98 mil meninas. Além disso, há uma queda de nascimentos registrada em Fortaleza quando se observa a diferença entre o número de crianças com menos de um ano (24.869) e com seis anos (31.654).
Territorialmente, o observatório identifica que a maior concentração de crianças nessa faixa etária está em bairros periféricos, como Barra do Ceará, Vila Velha e Granja Lisboa. Esses dados são todos consolidados a partir da base do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Primeira infância é o período que abrange os seis primeiros anos completos da criança, considerado a base para a formação da saúde, da aprendizagem e das relações sociais ao longo da vida. É a fase em que o cérebro infantil amadurece, a capacidade de aprendizado é desenvolvida e se inicia a socialização e afeição dos pequenos.
Dados integrados para decisões
As informações relativas à primeira infância na Capital estão reunidas no site para acompanhar e monitorar os dados sobre as crianças de até 6 anos do município. A ferramenta consolida indicadores de diversas áreas, como Saúde, Educação, Habitação e Esporte, divididos em seis eixos temáticos: demografia, saúde, educação, nutrição, segurança e espaços de vivências.
A plataforma está disponível por meio de um endereço eletrônico, sendo estratégico para apoiar gestores, profissionais da educação e a sociedade para a elaboração e execução de políticas públicas.
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São evidências, indicadores e produções que ajudam a compreender os territórios, fazer uma leitura das condições de vida, identificar prioridades e promover ações integradas.
Ela permite, por exemplo, monitorar causas de mortalidade infantil preveníveis e antecipar a demanda por vagas em creches e escolas.
"Se Fortaleza tem cerca de 200 mil crianças de até seis anos, quantas delas têm algum tipo de neurodivergência? Onde elas estão concentradas? São indicadores importantes para que a gente possa, através desses dados, implementar ações e tomar decisões”, disse o prefeito Evandro Leitão no evento de lançamento realizado no Paço Municipal, ao comentar a importância da ferramenta.
O observatório funcionará em um espaço físico dentro da Casa da Tecnologia, na Cidade da Criança, no Centro da cidade. O local poderá ser utilizado para atividades educativas, produção de conhecimento e desenvolvimento de estudos sobre a infância, em uma parceria com a Enel.
“O pesquisador, o cidadão, o professor, os secretários, os servidores podem chegar lá na Casa Tecnológica, entrar, vai ter mesa para você estudar, vai ter são várias televisões lá que você vai ver em tempo real como o que está acontecendo com a primeira infância”
O projeto integra o Plano Fortaleza Inclusiva. A metodologia da ferramenta é baseada na reunião de dados de sistemas oficiais, análise intersetorial que identifica vulnerabilidades sociais, transparência e disseminação de evidências.
O Observa Infância Viva é uma parceria da Prefeitura de Fortaleza, por meio do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (Ipplan), e conta com dados da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Universidade Estadual do Ceará (Uece), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Instituto Primeira Infância (Iprede).
Por que consolidar dados sobre a primeira infância?
Fase extremamente sensível para o desenvolvimento infantil, a primeira infância é o período em que a criança forma a estrutura emocional e afetiva, bem como desenvolve áreas fundamentais do cérebro relacionadas à capacidade de aprendizado.
Assim, o cuidado, afeto, e a educação de qualidade oferecidos às crianças têm impacto positivo no crescimento e no potencial de aprendizagem. Quanto mais estímulos de qualidade as crianças recebem, maiores são as chances de desenvolver todo o potencial.
Problemas graves como violência, negligência familiar e desnutrição acontecidos entre zero e seis anos podem interferir no desenvolvimento saudável do cérebro.
Estudos da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, organização da sociedade civil que trabalha pela causa da primeira infância, mostram que a violência impacta profundamente e deixa marcas no desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.
Em 2016, foi promulgado o Marco Legal da Primeira Infância, que reconhece o dever do Estado brasileiro de estabelecer políticas públicas, planos e serviços para crianças de até 6 anos. A norma reforça que as crianças são sujeitos de direitos.