Grito dos Excluídos em Fortaleza defende fim da escala 6x1 e reforça luta por moradia; veja fotos
A manifestação popular, que ocorre há mais de 30 anos no Brasil no Dia da Independência, percorreu as ruas da Praia do Futuro, na capital cearense
O Grito dos Excluídos, manifestação popular que ocorre há mais de 30 anos no Brasil no Dia da Independência, 7 de setembro, mobilizou participantes na manhã deste domingo, na Praia do Futuro, em Fortaleza. Na capital, a caminhada uniu pautas nacionais, como o fim da escala de trabalho 6x1 e a defesa da democracia, com pautas locais, a exemplo da demanda por moradia e das críticas à construção de uma usina de dessalinização no bairro onde ocorreu o ato.
A manifestação ocorre em diversas cidades brasileiras. Em Fortaleza, o ponto de encontro e partida foi a Praça da Paz Dom Hélder Câmara, na Praia do Futuro. O lema da manifestação, que conta com a participação da Arquidiocese de Fortaleza, é: “Cuidar da casa comum e da democracia é luta de todo dia”.
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O público compareceu portando símbolos de diversas organizações e movimentos sociais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Marcha Mundial das Mulheres, a Associação Mães do Orgulho e Resistência, o Movimento Pró-Parque, além de bandeiras do Brasil.
Os participantes do Grito dos Excluídos são integrantes de pastorais, comunidades, movimentos e da sociedade civil engajada em causas sociais e ambientais. O arcebispo de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, também esteve presente no evento.
A manifestação teve carros de som e uma caminhada, com os participantes se dirigindo à Comunidade Raízes da Praia, no bairro Vicente Pinzón. A área é afetada diretamente pelo projeto da usina de dessalinização proposto pelo Governo do Ceará.
Pautas da manifestação
O Grito dos Excluídos em Fortaleza também destacou a realização do plebiscito popular, que pressiona o Congresso a pautar e aprovar o fim da escala de trabalho na jornada 6x1, com a redução da jornada sem diminuição salarial.
Além disso, foi cobrada a aprovação da isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil, proposta enviada pelo Governo Federal em março ao Congresso.
O padre Jorge Benfica, da Comunidade e do Movimento Shalom, reforça que a manifestação é plural e com pautas diversificadas. Contudo, há uma unidade, segundo ele: "É um grito pela justiça social, socioeconômica e socioambiental. Uma caminhada de festa, de esperança, para fazer com que a nossa voz seja sempre ouvida".
A integrante da Associação das Mulheres em Movimento, Elizabete Vieira da Silva Bezerra, 66 anos, também esteve presente e destacou a pauta relacionada à economia do cuidado.
De acordo com ela, o ato também chama a atenção para a necessidade de valorização do trabalho das mulheres, especialmente o doméstico e o de cuidado, já que atividades como cuidar de idosos ou pessoas doentes, além das tarefas domésticas, são realizadas majoritariamente por mulheres e, muitas vezes, são invisibilizadas e não remuneradas.
A agente de cidadania Érica Mendes, liderança da Comunidade Novo Começo, situada no bairro Itaperi, ressaltou reivindicações relacionadas à moradia digna: "Nós estamos aqui hoje por moradia digna, para que venha mais saúde, educação e infraestrutura. A minha comunidade veio com cerca de 70 pessoas, entre mulheres, jovens e crianças de 12 anos que estão aptas a participar."
Veja imagens do Grito dos Excluídos em Fortaleza