Fortaleza estuda unificação de tarifas do transporte metropolitano

Projeto-piloto de união entre sistema metroviário e ônibus está em estágio final de desenvolvimento para testes.

(Atualizado às 17:39)
VLT de Fortaleza
Legenda: Acordo de cooperação prevê uma rede unificada e integrada de transporte público na RMF.
Foto: Thiago Gadelha.

O pagamento de tarifa única de ônibus e metrô para se deslocar entre Fortaleza e a Região Metropolitana será estudado após assinatura de acordo de cooperação técnica entre Prefeitura, Governo do Ceará e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O termo, assinado na manhã desta quinta-feira (23), estabelece a realização de estudos focados na integração do transporte metropolitano em um período de 36 meses. Conforme o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), George Dantas, existem pesquisas avançadas que vão possibilitar a unificação de tarifas do sistema metropolitano com o urbano.

“É preciso ter um estudo do impacto disso no conforto do usuário, porque a gente não pode superlotar nem o ônibus nem o metrô em razão dessa integração, mas é algo que esse estudo unificado vai trazer no médio e no longo prazo para a população”, ressalta.

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O projeto-piloto com esse objetivo está em estágio final de desenvolvimento, com “95% de amadurecimento”, conforme George. O lançamento estava previsto para o evento desta manhã. Contudo, a gestão decidiu priorizar o refinamento dos estudos técnicos. George Dantas assegurou que a novidade deve ser divulgada “nos próximos meses”.

Por se tratar de uma fase experimental, ele afirma que o modelo “não envolverá todas as estações do metrô, nem todas as linhas de ônibus” inicialmente, funcionando como um teste controlado para ajustes de demanda.

Para Dimas Barreira, presidente do Sindiônibus, a conectividade tarifária é fundamental para a mobilidade da Região Metropolitana. Ele lembra que o Bilhete Único Metropolitano (BUM), que concede um desconto de R$ 2 na integração entre o sistema urbano e o metropolitano, não sofre atualização de valor há 10 anos, o que sugere a necessidade de uma revisão frente à inflação do período. 

Dimas ressalta que o planejamento deve ser criterioso para que o ônibus continue cumprindo seu papel complementar aos trilhos.

Cooperação Município, Estado e BNDES

Além de estudo sobre a unificação de tarifas, o acordo de cooperação prevê a estruturação da concessão de mobilidade urbana à iniciativa privada e a criação de um modelo unificado e integrado de governança do transporte coletivo metropolitano. 

O foco inicial é trabalhar a integração da Capital com Caucaia, Maracanaú, Aquiraz e Eusébio — os quatro maiores municípios da RMF. 

Conforme George Dantas, o objetivo do termo é unificar a forma como se planeja e enxerga a mobilidade da RMF. “É tentar ofertar para Fortaleza e a Região Metropolitana um planejamento de transporte que possa entregar para a população eficiência, conforto, velocidade e, com isso, possibilitar que as pessoas retornem para o transporte coletivo da Capital”, ressalta.

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O Diário do Nordeste revelou o enfraquecimento do transporte coletivo em Fortaleza em uma reportagem de agosto de 2025. O número de pessoas que andavam de ônibus todo dia caiu de 1 milhão para pouco mais de 513 mil em 10 anos, segundo dados do Sindiônibus. 

Uma das razões que explica essa diminuição é a migração das pessoas para transportes próprios ou por aplicativo. Falta de conforto, atrasos, preço da passagem e tempo de viagem excessivo são os motivos que afastam a população dos coletivos. 

Desafios da integração

Luciene Machado, superintendente do BNDES, ressalta que Fortaleza é uma das cidades selecionadas para o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do banco e servirá como base para o novo contrato de concessão dos ônibus municipais previsto para o próximo ano.

Mesmo com a referência na Capital, a participação e a mobilização das cidades vizinhas foi levantada no evento como parte de uma estrutura de governança. O intuito é unificar o planejamento que hoje é dividido entre diferentes órgãos estaduais e municipais. A inspiração vem de modelos de sucesso, como a experiência de Barcelona, na Espanha. 

Na cidade europeia, 36 municípios operam sob uma gestão integrada, com tarifa única para ônibus, metrô e bicicletas compartilhadas.

Contudo, a implementação no Brasil enfrenta desafios como as legislações municipais distintas, adaptação do planejamento às cidades vizinhas que já adotam a tarifa zero e ajuste da capacidade do sistema para evitar a superlotação durante o processo de integração.

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