Descarte correto de resíduos é responsabilidade coletiva e beneficia a sociedade
Campanhas educativas, tecnologias e mutirões mostram que cada cidadão pode combater o descarte irregular e cuidar da cidade
Adotar atitudes sustentáveis no dia a dia tornou-se uma necessidade urgente diante do aumento da geração de resíduos e dos impactos ambientais provocados pelo descarte incorreto do lixo. Em Fortaleza, iniciativas públicas e privadas vêm ganhando força para mobilizar a população em torno de práticas responsáveis, com foco na separação correta dos resíduos, no uso de ecopontos e na denúncia de irregularidades.
Uma das principais orientações para quem deseja contribuir com a preservação do meio ambiente é a separação correta do lixo seco e orgânico. Materiais recicláveis, como papel, plástico, vidro e metal, devem ser limpos e acondicionados separadamente, enquanto resíduos orgânicos devem ser destinados à coleta convencional. Fortaleza conta atualmente com 113 Ecopontos distribuídos por toda a cidade, oferecendo à população locais apropriados para o descarte de itens como eletrônicos, entulhos, móveis e podas de árvores.
“A presença dos Ecopontos espalhados pela cidade permite que a população tenha opções ecologicamente corretas para descartar seus resíduos. Eles contribuem para reduzir o descarte em locais proibidos, incentivam a reciclagem, promovem geração de renda para catadores e ainda proporcionam uma sensação de limpeza e segurança na cidade”, afirma Nelson Calixto, coordenador de Limpeza Urbana da Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP).
Campanhas de conscientização, desafios em redes sociais e ações educativas nas escolas também têm sido estratégias importantes para engajar diferentes públicos. Além disso, a tecnologia tornou-se uma aliada: aplicativos de mapeamento de pontos de coleta, plataformas para denúncias de descarte irregular e sistemas de monitoramento por georreferenciamento ajudam a fortalecer a fiscalização e a participação cidadã.
“Uma das ferramentas usadas para identificar infrações são as câmeras de vigilância em pontos críticos, monitorados 24 horas por dia. Isso permite uma identificação rápida da infração e do infrator, o que garante uma atuação mais ágil da fiscalização”, explica Nelson. Segundo ele, o monitoramento também colabora com o planejamento urbano ao apontar áreas críticas e orientar a tomada de decisões para melhorar a gestão de resíduos sólidos.
Para o coordenador, a educação ambiental é uma das frentes mais importantes para consolidar mudanças de comportamento: “A sensibilização da população é o primeiro passo para se ter uma sociedade mais participativa e consciente. Quando as pessoas se sentem parte do meio ambiente, entendem que têm um papel fundamental. Os frutos da educação ambiental são colhidos a longo prazo, mas são perceptíveis: ruas mais limpas, aumento do descarte correto de recicláveis, menos infrações e uma população mais satisfeita”, reforça.
Reciclagem como ferramenta de inclusão e protagonismo social
Histórias inspiradoras também surgem como exemplo de transformação social por meio da reciclagem. Cícero Souza, 52 anos, mais conhecido como Cícero Catador, atua no setor desde 1987. “Esse nome vem de um histórico desde 1987, quando comecei a sobreviver de resíduos recicláveis. Trabalhei em dois lixões, um no Jangurussu e outro em Paracuru. Só em 2010 comecei a levar a minha ocupação como luta política”, relembra. Ao longo da trajetória, ele assumiu a presidência da Rede de Catadores do Ceará por três anos e foi diretor administrativo da CoopMares, cooperativa de catadores da capital.
Cícero destaca que o engajamento popular é indispensável para que o sistema funcione de forma eficaz. “A gestão pública tem tido um esforço para que a sociedade aprenda a descartar, a separar. Mas esse esforço não tem efeito se for feito só pelo poder público”, aponta.
Segundo ele, há uma recompensa simbólica em perceber que o trabalho de conscientização dá resultado. “Quando a gente chega em uma residência e encontra os materiais recicláveis separados do orgânico e do rejeito, para nós é uma satisfação boa. A gente tem uma sensação de dever cumprido, de que o caminho é esse. O caminho é a sociedade. E é nesses momentos que a gente vê que as pessoas têm também aprendido um bocadinho da sua responsabilidade”, finaliza.
Esta matéria faz parte da campanha “Juntos Cuidando da Cidade”, uma realização do Sistema Verdes Mares com apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza.